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SEVERINO DE FREITAS PRESTES FILHO

      Em 1905, quando meu pai veio para o Rio de Janeiro, a fim de assentar praça com destino à Escola Militar do Realengo, soube que os trotes que os alunos davam aos calouros (alunos recém matriculados) eram terríveis, humilhantes e violentos. Houve mesmo casos de vítimas e muitos candidatos chegaram a desistir da carreira militar por causa dos trotes.

     Meu pai, que então tinha quinze anos de idade, determinado que estava em cumprir a vontade de meu avô, Dr. Severino Prestes, expressa em carta testamento, soube enfrentar esses trotes com muita coragem. Foi um período difícil de sua vida, pelo qual passou sem se acovardar, sem desistir de alcançar o seu objetivo maior que era ser Oficial do Exército da Arma de Cavalaria e Engenheiro Militar. Fez, brilhantemente, os cursos: Preparatório, de dois anos, Superior, de cinco anos e o de Engenharia Civil e Militar, de três anos. Pôde então prestar relevantes serviços à Pátria e receber inúmeros elogios dos seus superiores hierárquicos.

      Em 1914, servia numa guarnição do Nordeste, onde pegou impaludismo. Conseguiu licença médica e veio para o Rio de Janeiro, para se internar no Hospital Militar. Mas, para agravar mais seu estado de saúde, pegou também a célebre gripe espanhola. Ardia em febre alta, delirava muito e se retorcia na cama. Só melhorava quando o médico de plantão lhe aplicava algum medicamento. E foi num desses momentos de pequena melhora, que veio a saber que vários oficiais, para não servirem na Campanha do Contestado, onde muitos já haviam morrido e outros ficaram gravemente feridos, baixaram o hospital, dando parte de doentes. Isto fez com que o Governo Federal nomeasse uma Junta Médica de Inspeção, para constatar quem estava realmente doente e quem estava figindo para fugir do combate.

       Certo dia, pela manhã, esses Inspetores médicos chegaram ao alojamento onde meu pai estava internado em estado grave, ardendo em febre alta. Quando dele se aproximaram não puderam conter o riso, ao ouvirem de sua boca: - Doutores, já estou bom, pronto, novamente, para o serviço ativo. Por favor, dêm-me alta do leito. Quero juntar-me aos companheiros que seguiram para a “Guerra Cabocla”, para servirem sob as ordens do General Setembrino de Carvalho. Por favor, dêm-me alta. Quero lutar também, para vencer ou morrer ao lado deles, a serviço da Pátria. Vou partir amanhã mesmo, tão logo os senhores me derem alta hospitalar.

        Pois bem, ao contrario disto, o que meu pai conseguiu dos médicos inspetores federais, foi mais três meses de licença para tratamento de saúde. É claro que meu pai não gostou da decisão médica, mas, disciplinado que era, teve de se conformar com a situação. E ficou no hospital, durante todo o tempo previsto, que foi prorrogado por mais três meses. Quando teve alta definitiva, a Campanha do Contestado ou Guerra Cabocla” já havia terminado, graças à ação heróica do General Fernando Setembrino de Carvalho.