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DO MAGNETISMO AO ESPIRITISMO

 

                A Revista “REFORMADOR”, centenário órgão de divulgação do Espiritismo e do Roustainguismo, fundada em 21 de janeiro de 1883 pelo roustainguista Augusto Elias da Silva, depois de anunciar os livros roustainguistas de Ismael Gomes Braga (“Elos Doutrinários”), de Antonio Luiz Sayão (“Elucidações Doutrinárias”) e Guillon Ribeiro (“Jesus nem Deus nem Homem”), apresenta em sua edição de abril de 1989 ( páginas 20, 21 e 22) um brilhante artigo de autoria de Antonio César Perri de Carvalho, intitulado “Do Magnetismo ao Espiritismo, à Parapsicologia e à Psicoterapia.

                Em sua magnífica dissertação, o articulista começa fazendo uma referência ao I Congresso Mundial de Hipnotismo, realizado nos dias 8 a 12 de outubro de 1889, em Paris, no qual estiveram presentes no Hotel Dieu, os maiores nomes da Medicina e da Filosofia da época.

                Na presidência de honra desse importante evento, entre muitas figuras ilustres, estavam Jean Martin Charcot, Charles Richet e César Lombroso.

                Por falta de espaço, não transcreveremos na íntegra, esse magnífico artigo do Sr. Perri de Carvalho, e sim alguns dos trechos que mais nos chamaram a atenção.

                Ele começa fazendo uma menção honrosa ao médico Franz Anton Mesmer, que foi quem criou o chamado “magnetismo animal” e aos seus fiéis discípulos que foram Jean Philippe François Deleuse e James Braid, o Marquês de Puységuir, que foi quem, pela primeira vez, estabeleceu a hipnose, criando, em 1842, o termo “hipnotismo”.

                Como não poderia deixar de ser, o Sr. Perri de Carvalho, em seu artigo, fez uma oportuna e justa menção ao Professor Hippolyte Léon Denizard Rivail, o único e verdadeiro Missionário da Terceira Revelação e criador da Ciência Espírita, dizendo: “Em Paris, o Professor Rivail era uma autoridade no assunto, pois, desde 1823 estudava o Magnetismo e participava da Sociedade de Magnetismo de Paris”. De fato, foi através do Sr. Fortier, também magnetizador e freqüentador da referida sociedade, que veio a tomar conhecimento dos fenômenos das  mesas girantes e falantes. Como bom observador que era, desde pequeno, o ilustre Mestre percebeu logo que “havia ali um fato que, necessariamente, decorria de uma causa”. Era, conforme disse, “como que a revelação de uma nova lei” que passou a estudar profundamente, freqüentando as reuniões que se realizavam em casa da Sra. Plainemaison, do Sr. Baudin, do Sr. Roustan e da Sra. Japhet. E, como um verdadeiro cientista que era, passou a agir, cientificamente, lançando mão do método experimental de pesquisa que consistia em: observar, comparar, julgar, questionar, criticar, negar, comprovar... Tudo que diziam os médiuns (cerca de dez), com quem trabalhou, era passado pelo crivo da razão e do bom-senso (“Obras Póstumas” – Minha primeira iniciação no Espiritismo).

                O Sr. Perri de Carvalho estava, portanto, muito inspirado e foi muito feliz ao lembrar o nome do professor Rivail  -  cientista espírita Allan Kardec  -  em seu brilhante pronunciamento, citando, inclusive, como ponto de referência, o artigo intitulado “Magnetismo e Espiritismo”, que o Mestre escreveu e publicou em sua “Revista Espírita” de março de 1858 (Ver R.E. págs. 95 e 96 – Tradução de Júlio Abreu Filho – Lançamento EDICEL): “... os adeptos do Espiritismo são todos concordes com o magnetismo; todos admitem sua ação e reconhecem nos fenômenos sonambúlicos uma manifestação da alma”. E mais: “O magnetismo preparou o caminho do Espiritismo (...). Dos fenômenos magnéticos, do sonambulismo e do êxtase às manifestações espíritas, há apenas um passo; sua conexão é tal que, por assim dizer, é impossível falar de um sem falar do outro”.

                Perri de Carvalho lembrou ainda que coube a Charles Richet, notável psiquista francês, que fez muitas experiências de magnetismo e hipnotismo e foi Presidente da Sociedade para Pesquisas Psíquicas de Londres, criar, em 1905, a terminologia “Metapsíquica”. E só no final da vida, após trabalhar com diversos médiuns, foi que aceitou a hipótese espírita, como declarou em correspondência com Ernesto Bozzano.

                E o Sr. Perri terminou seu artigo, fazendo referência a Sigmund Freud, que criou a “Psicanálise” e a Carl Jung, discípulo dissidente de Freud, que “desenvolveu a Psicologia Analítica, apalpando o inconsciente com abordagens mais místicas e mais abrangentes”.     

Deixamos aqui nosso abraço e nossos sinceros parabéns ao confrade Antonio César Perri de Carvalho pelo seu brilhante artigo.