ofplogo.gif (4994 bytes)   


Allan_Kardec.jpg (3240 bytes)

ASSIM FALOU ALLAN KARDEC

(Sobre a evocação dos espíritos)

“Os Espíritos se manifestam espontaneamente ou pela evocação. Podemos evocar todos os Espíritos: os que animaram homens obscuros

e os Espíritos das personagens mais ilustres, qualquer que seja a época em que tenham vivido; os Espíritos de nossos parentes, de nossos amigos ou inimigos, e, deles, obter, por comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações sobre a situação em que se acham no espaço, seus pensamentos a nosso respeito, assim como as revelações que lhes seja permitido fazer-nos.

“Os Espíritos são atraídos, na razão de sua simpatia pela natureza moral do meio que os evoca. Os Espíritos superiores gostam das reuniões sérias, em que predominem o amor do bem e o desejo sincero de instrução e de melhoria...” (“O Livro dos Espíritos” – Introdução – item VI = Resumo da Doutrina dos Espíritos).

NOTA COMPLEMANTAR

Na questão nº 935, vê-se, claramente, que os Espíritos superiores, respondendo a Kardec, deixaram bem claro que “não pode haver profanação, quando há recolhimento e quando a evocação é feita com respeito e decoro. O que prova isto é que os Espíritos que vos são afeiçoados se manifestam com prazer, sentem-se felizes com vossa lembrança e por conversarem convosco. Profanação haveria se as evocações fossem feitas com leviandade”.

Ao que foi dito pelos Espíritos, Allan Kardec acrescentou:

“A possibilidade de entrar em comunicação com os Espíritos é uma consolação bem doce, que nos proporciona o meio de nos entretermos com os parentes e amigos que deixaram a Terra antes de nós. Pela evocação, eles se aproximam de nós, permanecem ao nosso lado, nos ouvem e nos respondem...”

 

 

NOSSO COMENTÁRIO

Resolvemos voltar a este tema, que sempre foi objeto de nossas preocupações, porque, relendo o “Editorial” de um sério e importante jornal fluminense, lemos o seguinte: “Vez por outra aparece na imprensa espírita temáticas polêmicas (sic), a convidar os discutidores de plantão a mais uma peleja a ser discutida. Tem, gente que se alimenta desses climas como que recordando encarnações pretéritas, quando militam nos campos meramente racionalistas das religiões e das ciências...” E uma das questões apresentadas foi a da evocação dos Espíritos, sobre a qual assim se expressou o referido Editorial:

“Kardec usou esse método, porque era fundamental no seu trabalho na época e como Codificador, foi-lhe fornecido,  pela Espiritualidade Maior, médiuns (sic) com a estrutura necessária à realização de sua tarefa. Não colocou isso como método essencial, no trabalho mediúnico, mas também não proibiu – nem existe isso em Doutrina Espírita”. (Ver o Editorial do jornal “Macaé Espírita”, de Macaé/RJ, edição de junho/setembro de 2004, sob o título “A questão da evocação”).

Em nossa opinião, sincera e franca, consideramos esse editorial bem fraco, tendo em vista a relevância do tema abordado pelo articulista. Sim, relevância do tema, - repetimos – tanto assim que apareceu, inclusive, já na primeira obra básica da Codificação, tanto na “introdução” e “resumo da Doutrina dos Espíritos”, como na questão nº 935. Além disso, foi amplamente abordado pelo Mestre Allan Kardec em “O Livro dos Médiuns” (segunda obra básica da Codificação), onde, nos capítulos XXV, XXVI e XXVII, o grande missionário lionês, dissertou, exaustivamente, sobre o assunto.

Senão vejamos o que ele nos disse.

Temos conosco o original, em francês, dessa grande obra, na qual, logo na capa aparece o título: “LE LIVRE DES MÉDIUMS” ou “Guide des Médiuns et des évocateurs”, que, em boa tradução, quer dizer: “O LIVRO DOS MÉDIUNS” ou “Guia dos Médiuns e dos evocadores”

Logo no início do cap. XXV de “O Livro dos Médiuns”, Kardec nos mostra como os Espíritos podem comunicar-se conosco, ou seja, “espontaneamente ou acudir ao nosso chamado, isto é, vir por evocação”. E ele aproveita o ensejo para fazer uma crítica, quando diz: “Pensam algumas pessoas que todos devem abster-se de evocar tal ou tal Espirito e ser preferível que se espere aquele que queira comunicar-se. Fundam-se em que, chamando determinado Espírito, não podemos ter a certeza de ser ele quem se apresente, ao passo que aquele que vem espontaneamente, de seu moto próprio, melhor prova a sua identidade, pois que manifesta assim o desejo que tem de se entreter conosco. Em nossa opinião, isso é um erro: primeiramente, porque há sempre em torno de nós Espíritos, as mais das vezes de condição inferior, que outra coisa não querem senão comunicar-se; em segundo lugar, e mesmo por essa última razão, não chamar nenhum em particular é abrir a porta a todos os que queiram entrar”. E para ficar bem claro o seu pensamento favorável à evocação, ele acrescenta: “Numa assembléia, não dar a palavra a ninguém é deixá-la livre a toda a gente e sabe-se  lá o que daí resulta. Já a chamada direta de determinado Espírito constitui um laço entre ele e nós; chamamo-lo pelo nosso desejo e opomos assim uma espécie de barreira aos intrusos. Sem uma chamada direta, um Espírito nenhum motivo terá muitas vezes para vir confabular conosco, a menos que seja o nosso Espírito familiar”.

Por aí se vê claramente que Allan Kardec não só demonstrava sua preferência pela evocação, como também não aceitava o argumento dos que a ela se opunham, considerando isto “um erro”.

Portanto, o querido Mestre, ao contrário do que diz o “editorial” do “Macaé Espírita”, colocou, sim, a evocação como um “método essencial no trabalho mediúnico”.

Nesse “Editorial”, para dar mais força ao seu argumento, o articulista cita Emmanuel, que, no livro “O Consolador”, embora tivesse justificado o uso da evocação por Allan Kardec, não aconselhava sua prática dentro dos centros espíritas, em hipótese nenhuma.

Mas, devemos nos lembrar que foi o próprio Emmanuel que disse deveríamos ficar com Kardec e não com ele, quando ele viesse a contrariar o que está na obra da Codificação.

Com quem está então o bom senso? Com os “discutidores de plantão”, ou com esse articulista autor do “Editorial” do “Macaé Espírita”?

 

<<< Voltar