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ASSIM  FALOU  ALLAN  KARDEC

     (Propagação do Espiritismo)

                “Passa-se um fenômeno digno de registro na propagação do Espiritismo. Ressuscitado há apenas alguns anos das velhas crenças, apareceu entre nós, não como outrora, à sombra dos mistérios, mas em plena luz e à vista de todos.

Para uns foi objeto de curiosidade passageira, um divertimento que se punha de lado como um brinquedo, para tomar um outro. Para muitos não encontrou senão indiferença; para o maior número, a incredulidade, a despeito da opinião dos filósofos, cujos nomes a cada momento são invocados como autoridades. Isto nada tem de surpreendente: o próprio Jesus não convenceu a todo o povo judeu com os seus milagres. Sua bondade e a sublimidade de sua doutrina conquistaram-lhe graça perante os seus juízes? Não foi ele tratado como um impostor? E, se não lhe aplicaram o epíteto de charlatão, é que então era desconhecido o vocábulo de nossa civilização moderna. Entretanto, homens sérios viram nos fenômenos que se passam em nossos dias algo mais que um motivo de frivolidade: estudaram, aprofundaram-no com olhos de observador consciencioso e descobriram a chave de uma porção de mistérios até então incompreensíveis.

Isto foi para eles um jacto de luz e eis que desses fatos saiu uma doutrina, uma Filosofia e, podemos dizer, uma Ciência, inicialmente, divergente, conforme o ponto de vista ou a opinião pessoal do observador, mas com tendência, pouco a pouco, para uma unidade de princípios.

A despeito da oposição interesseira de alguns e sistemática daqueles que pensam que a luz não pode sair senão de suas cabeças, esta doutrina conta numerosos aderentes porque nos esclarece sobre os verdadeiros interesses, presentes e futuros, da humanidade, corresponde à sua aspiração para o futuro, que, de certo modo, se tornou palpável; enfim, porque satisfaz ao mesmo tempo à  razão e às suas esperanças e dissipa as dúvidas que degeneravam em absoluta incredulidade.

Ora, com o Espiritismo, todas as filosofias materialistas ou panteístas caem por si mesmas; não é mais possível a dúvida referente à Divindade, à existência da alma, sua individualidade, sua imortalidade; seu futuro se nos apresenta como a luz do dia e sabemos que esse futuro, que sempre deixa uma porta aberta à esperança, depende de nossa vontade e dos esforços que façamos para o bem...” Allan Kardec (Extraído da Revista Espírita Ano I nº 9, setembro de 1858, coleção EDICEL págs. 245 e 246).

COMENTÁRIO           

Como se vê, Allan Kardec fulminou as filosofias materialistas. Aliás, já no ano anterior ao lançamento do primeiro número da Revista Espírita, Allan Kardec dizia: “Selon les uns, l’âme est le principe de la vie matérielle organique; elle n'a point d’existence propre et cesse avec la vie (...) D’après cette opinion, l’âme serait un effet et non une cause.” (“Le Livre des Esprits”, - Éditions Philman” – Introduction, II, pág. 8), ou seja “Segundo uns, a alma é o princípio da vida orgânica material; não tem existência própria e se extingue com a vida; é o puro materialismo (...) De acordo com esta opinião, a alma seria um efeito e não uma causa” (Tradução de J. Herculano Pires)

Mais adiante, nas questões 147 e 148 (L.E. ítem III do cap. II do Primeiro Livro), Allan Kardec fala sobre o “materialismo”, criticando claramente os anatomistas, os fisiologistas e em geral os que se aprofundam nas Ciências naturais, os quais, diz Kardec, “são, freqüentemente levados ao materialismo”. Ele não faz referência ao marxismo, cujo livro básico  -  O Capital – só apareceu bem depois da publicação de “O Livro dos Espíritos”, ou seja, em 1867. Mas deixou bem claro que os marxistas pensam da mesma forma.

Em nota complementar à questão 148, Kardec diz: “Por uma aberração da inteligência, há pessoas que não vêem nos seres orgânicos nada mais do que a ação da matéria e a esta atribuem todos os nossos atos. Não vêem no corpo humano senão a máquina elétrica; estudaram o mecanismo da vida apenas no funcionamento dos órgãos (...) concluíram que tudo estava nas propriedades da matéria e que, portanto, após a morte, o pensamento se reduz ao nada. Triste consequência, se assim fosse, porque então o bem e o mal não teriam sentido; o homem estaria certo ao não pensar senão em si mesmo e ao colocar acima de tudo a satisfação dos prazeres materiais; os laços sociais estariam rompidos e os mais santos afetos, destruídos para sempre (...) Uma sociedade fundada sobre essa base traria em si mesma os germes da dissoluçao, e seus  membros se despedaçariam entre si, como animais ferozes.”

E temos que reconher, infelizmente, é isto mesmo que estamos vendo hoje em dia, através do rádio, dos jornais e da televisão: violência por toda a parte. Foi o que reconheceu Herculano Pires, em nota de rodapé: “...as previsões de Kardec, quanto ao caráter violento da sociedade materialista se confirmaram...” 

Como pode então um grupo que se diz “kardecista”, basear-se, como estamos vendo, nos filósofos materialistas do séc. XIX, para criar um outro tipo de espiritismo, tomando por base o laicismo?!...


 

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