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ASSIM FALOU ALLAN KARDEC

(Sobre a personalidade de Jesus)

“Jesus foi um Espírito superior da ordem mais elevada, colocado por suas virtudes bem acima da humanidade terrestre. Sua missão, pelos inúmeros resultados que produziu, foi daquelas que somente são confiadas aos mensageiros diretos da Divindade. Jesus não foi o próprio Deus, foi um enviado de Deus; foi um Messias divino.

“Como homem – Espírito encarnado – Jesus tinha a organização dos seres carnais; mas, como Espírito puro, destacado da matéria, devia viver na vida espiritual, mais que na vida corporal. A superioridade de Jesus sobre os homens não era relativa às qualidades particulares de seu corpo, mas às de seu Espírito, que dominava a matéria de maneira absoluta e também ao seu perispírito, alimentado que era pela parte mais quintessenciada dos fluidos terrestres. Sim, porque os Espíritos superiores podem vir aos mundos inferiores e mesmo aí se encarnar, para desempenhar uma divina missão. A alma (Espírito encarnado) de Jesus estava ligada ao corpo por laços estritamente indispensáveis. Constantemente separada do corpo, ela lhe dava uma vista dupla não só permanente como também de penetração excepcional e muito superior à dos homens comuns.

“De todas as faculdades que se revelaram em Jesus nenhuma estava fora das condições da humanidade e podia ser encontrada também no comum dos homens, pois estão na natureza. Mas, pela superioridade de sua essência moral e de suas qualidades fluídicas, elas atingiam em Jesus proporções acima das do vulgo. São as qualidades que caracterizam o estado dos espíritos puros. Aquilo que Jesus fazia era demasiado simples e não se afastava das leis da natureza.

                “Quando Jesus, depois de sua morte, apareceu aos discípulos, estes, ao vê-lo, sentiram logo que não se tratava mais do homem. É que Jesus se mostrava com seu corpo perispiritual, e isto explica o fato de só ter sido visto por aqueles a quem desejava mostrar-se.

                “Jesus teve, pois, como todos, um corpo carnal e um corpo fluídico, o que é confirmado pelos fenômenos materiais e pelos fenômenos psíquicos que assinalaram sua vida.

                “A permanência de Jesus sobre a terra apresenta dois períodos: aquele que precede e aquele que sucede à sua morte. No primeiro, desde o momento da concepção (fruto da união carnal) até o nascimento, tudo se passa com sua mãe, como nas condições normais da vida. Portanto Maria, casada com José, teve relações sexuais com ele e engravidou dele. Após nove meses de gravidez, nasceu Jesus, fruto sagrado dessa união carnal. A partir do nascimento, e até sua morte, tudo, em seus atos, em sua linguagem e nas diversas circunstâncias de sua vida, tudo apresenta os caracteres inequívocos da sua corporeidade. Os fenômenos de ordem psíquica que se produzem nele são acidentais e nada têm de anormal, pois se explicam pelas propriedades do perispírito e são encontrados também, em diferentes graus, em outros indivíduos. Depois de sua morte, ao contrário, tudo revela nele o ser fluídico, isto é, o Espírito. A diferença entre estes dois estados é tão fundamentalmente traçada que não é possível encontrar semelhanças.

                “Depois do suplício, o corpo de Jesus lá ficou, inerte e sem vida; foi sepultado como o são todos os corpos comuns, e todos puderam vê-lo e nele tocar. Depois de sua ressurreição, quando ele quis deixar a Terra, Jesus não morreu de novo; seu corpo se elevou, se desvaneceu e desapareceu sem deixar qualquer sinal ou vestígio. Isto prova, evidentemente, que esse corpo era de outra natureza diferente daquele que morreu na cruz. Forçoso, pois, é concluir que, se Jesus pôde morrer, é porque tinha um corpo carnal. E, se Jesus, antes de dar o último suspiro, sofreu materialmente, chegando mesmo a apelar para Deus que aliviasse o seu sofrimento, o que não se pode duvidar, é porque ele tinha um corpo material, um corpo de carne e osso, de natureza igual a de todos nós, criaturas humanas (homens e mulheres).

                “Aos fatos materiais  se juntam considerações morais muito fortes.

                “Se, durante sua vida, Jesus tivesse estado nas condições dos seres fluídicos, não teria experimentado nem a dor, nem nenhuma das necessidades do corpo; supor que assim era, ou seja, supor que Jesus era um corpo fluídico, um agênere, é o mesmo que se retirar dele todo o mérito da vida de privações e de sofrimentos que, antes de reencarnar, havia escolhido, como exemplo de resignação. Se tudo nele era só aparência, todos os atos de sua vida, o anúncio reiterado de sua morte, a cena dolorosa do Jardim das Oliveiras, sua oração a Deus, suplicando que afastasse o cálice de seus lábios, sua paixão, sua agonia... tudo enfim, até seu último grito no momento de entregar seu Espírito, não teria sido senão um vão simulacro, para enganar com relação à sua natureza e fazer crer no sacrifício ilusório de sua vida. Isto seria uma comédia indigna de um homem honesto e simples, quanto mais, e, por mais forte razão, de um ser superior como o dele, Jesus. Numa palavra, seria o mesmo que abusar da boa fé  dos seus contemporâneos e da posteridade (gerações futuras).

Tais são as conseqüências lógicas desse sistema (o docetismo), conseqüências inadmissíveis, pois resultariam em diminui-lo moralmente, ao invés de o elevarem.

                “Jesus teve, pois, como todos nós, humanos, um corpo carnal e um corpo fluídico, o que é confirmado pelos fenômenos materiais e pelos fenômenos psíquicos que assinalaram sua vida.

                “E é como homem que Jesus foi considerado pelos Espíritos superiores como o tipo mais perfeito que Deus ofereceu aos homens, seus semelhantes, para lhes servir de guia e modelo.

                “ Sim, Jesus de Nazaré constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo ofereceu como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito divino o animava.

                “Jesus não foi Deus. É necessário riscar os milagres das provas sobre as quais se pretende fundar a divindade da pessoa do Cristo. Também não provam sua “divindade” as palavras que pronunciou diante de seus discípulos e do povo de Israel. Nem as que disse depois de sua desencarnação. Por outro lado, nem os Apóstolos, que o assistiram em sua missão e participaram de sua intimidade como pregador, consideravam Jesus como um Deus.”

(Extraído da “Gênese”, do “Livro dos Espíritos” e “ Obras Póstumas”, de Allan Kardec).

NOSSO COMENTÁRIO

                Já que estamos no mês de dezembro, em que comemoramos o Natal de Jesus de Nazaré, - homem de carne e osso, um Messias ou Enviado de Deus, um grande reformador social -, como está nas obras da Codificação Espírita,  vejamos também o que consta em “Os Quatro Evangelhos” de J. B. Roustaing sobre a personalidade do Cristo.

                Para Roustaing, Maria legalmente casada com José, sempre foi virgem, nunca foi engravidada, nunca entrou em trabalho de parto, mas ela “tinha que crer num parto real”, por isso foi hipnotizada ou magnetizada pelos Espíritos prepostos (que eram magnetizadores) e a puseram “no estado de um sonâmbulo que vê e acredita, sente e experimenta o que se quer que ele veja e acredite, sinta e experimente...” Portanto, a gravidez de Maria foi “simplesmente aparente e fluídica”. E “a fim de darem a Maria, sempre sob a influência magneto-espírita, a ilusão do parto e da maternidade, os Espíritos prepostos, pela ação fluídica, a fizeram experimentar efeitos semelhantes às contrações naturais em um parto qualquer...” (Os Quatro Evangelhos, de J.B. Roustaing, vol. l pág. 199 da 6ª edição, FEB).

                Quando Jesus nasceu, “Maria era quase uma criança e pouco experiente das coisas humanas”, mas era muito religiosa, pois “vivia em adoração e contemplação”. “Iludida, pensando que se tratava de uma criança de carne e osso, tomou o menino nos braços, como se o parto tivesse sido real, convicta de que era fruto de suas entranhas, por obra do Espirito Santo. Sim, tomou o menino nos braços e rendeu graças a Deus...”

 É preciso frisar que para Roustaing, “a gravidez e o parto de Maria não tiveram, da sua marcha natural, senão a aparência...” (idem, ibidem, pág. 200) Ela nunca esteve grávida, ao ter o seu primeiro filho, (o primogênito, Jesus (Mat. I, 25), mas, sob a ação hipnótica, foi levada a acreditar que estava grávida.

                Jesus, segundo Roustaing,. foi um Homem-Deus, sim, um Deus “milagrosamente encarnado na terra” (idem, ibidem pág. 242). Sim, “...os homens teriam que ver em Jesus um Deus, o próprio Deus...” (pág. 276). Um Deus, “partilhando, portanto, da divindade do Pai (Celestial, Criador do Universo) (idem, pág. 345).

                Para os docetistas e para Roustaing, Jesus, Espírito perfeito, puro, imaculado, apareceu na Terra com um corpo fluídico, visível e tangível, sob a aparência da corporeidade humana. Por isso, não tem valor nenhum a árvore genealógica que aparece nos evangelhos de Mateus (cap. I) e de Lucas (cap. IV, 23), declarando que Jesus descendia de Davi e apareceu na décima quarta geração. (Mat. I, 17). Para Roustaing, essa genealogia humana foi atribuída a Jesus “por exigências da época” e é completamente “destituída de interesse” (obra. citada, vol. I, pág. 283 e 285).

                Adotando o que diz a Igreja Católica, Roustaing disse que: “Jesus teve um corpo semelhante ao nosso, mas não da mesma natureza, ou seja, de carne e osso, porque seu nascimento foi obra do Espírito Santo, fruto de uma gravidez aparente e, logicamente, por um parto também aparente...” (idem, pág. 204, 206 e 207)..

                Para Roustaing, Jesus, por ter sido “um Deus milagrosamente encarnado, fruto da união de Maria, pura e imaculada com o Espírito Santo, tudo, em sua vida humana, foi apenas aparente”, e, - pasmem os leitores ! – até no ato da amamentação, que é sagrado para toda mulher que se preze -, tudo não passou de aparência, ou, melhor dizendo, de farsa, de mentira, de hipocrisia. Sim, porque, como está em “Os Quatro Evangelhos”, vol. I, pág. 243: “Quando Maria dava o seio ao recém nascido, o leite era desviado pelos Espíritos superiores que o cercavam, de um modo bem simples: em vez de ser sorvido pelo ‘menino’, que dele não precisava, por não ser como qualquer criança, era restituído à massa do sangue por uma ação fluídica, que se exercia sobre Maria, inconsciente dela...” E, para justificar esse absurdo, Roustaing diz que “não devemos nos espantar pelo fato de Maria, cuja gravidez e parto foram “aparentes”, e continuava virgem, tivesse leite para amamentar seu filhinho, porque a maternidade não é uma condição absoluta para que se produza o leite, que não passa de uma decomposição do sangue (...) Em Maria, a decomposição se operou porque o sangue, por efeito do magnetismo espiritual e de uma ação fluídica, foi latificado. Depois, por ocasião da amamentação aparente, o leite que se formara era, a seu turno, decomposto e cada uma de suas partes restituída à massa do sangue” (idem, pág. 244).

                Caros leitores, se por acaso pensam que estou exagerando, que estou mentindo, abram,  por favor, “Os Quatro Evangelhos” de Roustaing nas páginas citadas e vejam, com os próprios olhos, o que está escrito nessa obra; sim, nesse livro apócrifo que os espíritos mistificadores, usando nomes sagrados, ousaram dizer que se trata de uma “revelação da revelação”. Aí está o motivo porque Ismael Gomes Braga, em seu livro “Elos Doutrinários”, disse que...

“Os Quatro Evangelhos” de J. B. Roustaing, também conhecido pelo título de ‘Revelação da Revelação’, pois que explica, em todas as minúcias, a Revelação cristã, e, em linhas gerais, a Revelação moisaica, é um curso superior de Espiritismo” (Ismael Gomes Braga, em “Elos Doutrinários”, 3a edição da FEB, 1978 pág. 36).  Vejam só que absurdo!...

        Para os roustainguistas, essa obra é tão importante que chega ao cúmulo de aparecer no capítulo primeiro do  Estatuto da Federação Espirita Brasileira (FEB) um parágrafo único que diz ser ela complementar às da Codificação Espírita, o que o próprio Codificador negou em seu artigo inserido na Revista Espirita de junho de 1866, quando deixou bem claro: “... as explicações dadas por Roustaing não passam de opiniões pessoais dos Espíritos que as formularam, opiniões que podem ser justas ou falsas e que, em todo o caso, necessitam da sanção do controle universal, e, portanto, até mais ampla confirmação, não poderiam ser consideradas como partes integrantes da doutrina espírita” (Col. EDICEL pág. 189).

       E o pior é que se cogitou um dia extrair esse “parágrafo único” do Estatuto da FEB, mas os participantes de uma assembléia  convocada especialmente com essa finalidade, não conseguiram alcançar esse objetivo, porque um roustainguista fanático entrou no recinto com um oficial de justiça, (que justiça!!!) que entregou um documento do Meritíssimo Juiz de Direito do Superior Tribunal, impedindo que isso fosse aprovado por se tratar de uma “cláusula pétrea”. Vejam só que absurdo !...

       E tudo continua como estava antes, com uma Federação Espírita Brasileira, servindo a Kardec, mas também servindo a Roustaing. Por isso mesmo, a “AVE MARIA, MÃE DE DEUS!”         continua sendo cantada pelos corais espíritas de jovens, na abertura dos Congressos Espíritas promovidos pelas Federativas fiéis a Kardec, mas que, por serem filiadas ao Conselho Federativo Nacional, que tem na presidência o   Presidente da FEB, por ser um dos seus Departamentos, servem também a Roustaing. É que, por força do célebre “Pacto Áureo” de outubro de 1949, vivem amordaçadas pelo “mito da unificação”, condenadas, por isso mesmo, a um eterno silêncio.

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