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ASSIM FALOU ALLAN KARDEC

(Comentando uma passagem do Evangelho de São João)

     “A sentença de Jesus “Atire-lhe a primeira pedra aquele que estiver isento de pecado” faz da indulgência um dever para todos nós, porque não há ninguém que não necessite, para si próprio, de indulgência. Ela nos ensina que não devemos julgar com mais severidade os outros, do que nos julgamos a nós mesmos, nem condenar em outrem aquilo de que nos absolvemos. Antes de profligar-mos a alguém uma falta, vejamos se a mesma censura não nos pode ser feita.

     “O reproche lançado à conduta de outrem pode obedecer a dois móveis: reprimir o mal, ou desacreditar a pessoa cujos atos se criticam. Não tem escusa nunca este último propósito, porquanto, no caso, então, só há maledicência e maldade. O primeiro pode ser louvável e constitui mesmo, em certas ocasiões, um dever, porque um bem deverá daí resultar, e porque, a não ser assim, jamais, na sociedade, se reprimiria um mal. Não cumpre, aliás, ao homem auxiliar o progresso do seu semelhante? (Grifos nossos)

     “Importa, pois, não se tome, em sentido absoluto, este princípio: ‘ Não julgueis, se não quiserdes ser julgado’, porquanto a letra mata e o espírito vivifica.

     “Não é possível que Jesus haja proibido se profligue o mal, uma vez que ele próprio nos deu o exemplo, tendo-o feito, até, em termos enérgicos. (grifos nossos) O que quis significar é que a autoridade, para censurar, está na razão direta da autoridade moral daquele que censura. Tornar-se alguém culpado daquilo que condena noutrem é abdicar dessa autoridade; é privar-se do direito de repressão. A consciência íntima, ao demais, nega respeito e submissão voluntária àquele que, investido de um poder qualquer, viola as leis e os princípios de cuja aplicação lhe cabe o encargo...” (Extraído de “O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. X, nº 13 – 118ª edição – FEB, pág. 174 – Tradução de Guillon Ribeiro).

NOSSO COMENTÁRIO 

     Muita gente tem nos criticado por estarmos sempre atacando o roustainguismo e muitos outros “ismos” que existem por aí. Temos mesmo recebido muitos e-mails e cartas de confrades bem intencionados, que me pedem, por favor, que pare com essas críticas que não levam a nada e que só contribuem para aumentar a desunião dentro do movimento espírita. Tomam por pretexto o “mito” da unificação que se criou com o “acordo” feito em outubro de 1949, conhecido como “Pacto Àureo”.

     É claro que não damos nenhuma importância a essas críticas que nos fazem, porque achamos que estamos no caminho certo, como se depreende das próprias palavras de Allan Kardec.

     E depois, foi o próprio Espírito São Luiz, Protetor da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, quem disse, respondendo a perguntas de Allan Kardec, em 1860: “... a ninguém é defeso ver o mal, quando ele existe...” e “... desmascarar a hipocrisia e a mentira pode, segundo as circunstâncias, constituir um dever...” (íbidem- Grifos nossos).

     Foi isso justamente que, no ano seguinte, o Espírito de Erasto veio confirmar, quando declarou, na sua Primeira Epístola dirigida aos espíritas de Bordéus, lida por Allan Kardec, na reunião do dia 14 de outubro de 1861: “ – Tereis que lutar contra (...) a turba de Espíritos enganadores (...) que, com dissertações sabiamente combinadas, (...) ou com comunicações abertamente hostis aos ensinos dados pelos verdadeiros missionários do Espírito de Verdade, insinuarão algum princípio dissolvente. Ah! Não temais desmascarar os embusteiros que, novos Tartufos, se introduzirão entre vós sob a máscara da religião (...)”. (grifos nossos)

     Como se vê, trata-se de uma verdadeira ordem de comando vinda do Estado Maior do “imenso Exército, formado pelos Espíritos do Senhor”, de que nos fala o Espírito de Verdade (Prefácio de “O Evangelho s/o Espiritismo” de A Kardec).

     E, procurando amenizar e, ao mesmo tempo, justificar o que estava declarando de modo tão forte e contundente, o luminoso Espírito de Erasto, acrescentou: “ -  Tive que vos falar assim, porque era necessário vos premunir contra um perigo, que era meu dever assinalar; venho compri-lo... “ (Revista Espírita, nov./1861).  (Grifo nosso)

       Vejamos então apenas três exemplos que mostram porque é que eu critico e ataco o roustainguismo. (1) Roustaing, em “Os Quatro Evangelhos” (publicado em 1866) diz que Jesus foi milagrosamente concebido pelo Espírito Santo; não foi um homem de carne e osso e sim um “corpo fluídico”. Allan Kardec, em “A Gênese” (publicada em 1868), diz que Jesus foi homem como todos nós; nasceu como todos nós nascemos e sempre se apresentou como homem e não como um agênere; (2) Roustaing, em “Os Quatro Evangelhos” diz que “a encarnação humana não é uma necessidade e sim um castigo. Allan Kardec, em “A Gênese” diz que “a encarnação não é uma punição para o Espírito, como alguns têm pensado (refere-se a Roustaing, é claro), mas uma condição inerente à inferioridade do Espírito e um meio de progredir”. (cap. X, nº 25); (3) Roustaing, em “Os Quatro Evangelhos” diz que foram “os criptógamos carnudos ou larvas informes” que deram origem à humanidade na Terra (vol. I, pág. 313). Allan Kardec, como um bom cientista que era, admite também, em “A Gênese” a teoria de Charles Darwin de que a espécie humana teve origem no macaco  (antropóide superior).

      Muitos outros exemplos poderíamos citar ainda. Mas,  por enquanto bastam estes três.

      Leiam Roustaing e tirem a prova dos nove.