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ASSIM FALOU ALLAN KARDEC

             ( Sobre as mistificações )

 

     “Se é desagradável ser enganado, mais desagradável ainda  é ser mistificado; esse é, alias, um dos inconvenientes de que mais facilmente nos podemos preservar.

     “Consultando os Espíritos sobre esse tema (“mistificações), eis as respostas que nos deram:

     Pergunta de AK: “As mistificações constituem um dos escolhos mais desagradáveis do Espiritismo prático; haverá um meio de nos preservarmos deles?

     Resposta: “Parece-me que podeis achar a resposta em tudo quanto vos tem sido ensinado. Sim, certamente, há um meio simples: o de não pedirdes ao espiritismo senão aquilo que ele vos pode e deve dar-vos; sua finalidade é o melhoramento moral da humanidade; tanto assim que, se não vos afastardes desse objetivo, jamais sereis enganados, porquanto não há duas maneiras  de se compreender a verdadeira moral, ou seja, a moral  que todo homem de bom-senso pode admitir.

    “Os Espíritos vos vêm instruir e guiar na estrada do bem e não na das honras e da fortuna, ou para servir às vossas mesquinhas paixões. Se nunca se pedisse a eles nada de fútil, ou que esteja fora de suas atribuições, nenhuma oportunidade se daria aos Espíritos enganadores; donde deveis concluir que aquele que é mistificado não tem senão o que merece.

     “O papel dos Espíritos não é o de vos informar sobre as coisas deste mundo, mas o de vos guiar seguramente no que vos possa ser útil para o outro mundo. Quando vos falam do que a este (mundo dos homens) diz respeito, é que o julgam necessário, mas não para dar resposta a uma solicitação vossa. Se vedes nos Espíritos os substitutos dos adivinhos e dos feiticeiros, então, sim, é certo que sereis enganados.

     “Se os homens não tivessem mais do que se dirigirem aos Espíritos para tudo saberem, estariam privados do livre-arbítrio e fora do caminho traçado por Deus à Humanidade. O homem deve agir por si mesmo; Deus não manda os Espíritos para lhes aplanar a estrada  material da vida, mas para  preparar a do futuro”.

     Pergunta de AK: - “Mas, há pessoas que nada perguntam e que são indignamente enganadas por Espíritos que vêm espontaneamente, sem serem chamados”.

      Resposta: “ – Se elas não perguntam nada, é porque se comprazem em ouvir o que eles dizem, o que dá no mesmo. Se acolhessem com reserva e desconfiança tudo o que se afasta do objetivo essencial do espiritismo, os Espíritos levianos não as tomariam tão facilmente por enganados”.

      Pergunta de AK: “ -  Por que permite Deus que pessoas sinceras e que aceitam o Espiritismo de boa-fé, sejam mistificadas? Não poderia isto ter o inconveniente de lhes abalar a crença?”

      Resposta: “ – Se isto lhes abalar a crença, é porque a fé que demonstram ter não é muito sólida;  as que renunciassem ao espiritismo, por um simples desapontamento, provariam não o terem compreendido e não se apegaram à parte séria. Deus permite as mistificações, para experimentar a perseverança dos verdadeiros adeptos e punir os que do Espiritismo fazem objeto de divertimento”

                                               O Espírito de Verdade      

     (Extraído de “O Livro dos Médiuns”, cap. XXVII da Segunda Parte, nº 303).

 

NOSSO COMENTÁRIO

 

     Em primeiro lugar, gostaríamos de saber por que motivo, Guillon Ribeiro, que traduziu “O Livro dos Médiuns” publicado pela FEB, omitiu a identidade do “Espírito de Verdade”, que foi quem respondeu às perguntas formuladas por Allan Kardec. (Ver a 68ª edição da FEB). É estranho  e incompreensível, porque não foi qualquer Espírito que respondeu ao Mestre lionês; foi o Espírito de Verdade, que presidiu ao advento do Espiritismo no séc. XIX e sua identidade aparece no original de “O Livro dos Médiuns”.

      É claro que, se fosse o tal “Espírito do Regenerador” prometido por J.B.Roustaing, no terceiro volume de “Os Quatro Evangelhos” essa omissão não teria acontecido! Claro que não!

     Esse diálogo de Allan Kardec com o Espírito de Verdade sobre as mistificações, nos remete ao livro de J. Herculano Pires, intitulado “O Roustainguismo à luz dos textos”.

     (OBS.: Este livro  de Herculano constitui a primeira parte da obra “O VERBO E A CARNE”, lançado pelas Edições Cairbar de São Paulo em 1973 – 1ª edição, sendo que a Editora PAIDÉIA lançou a segunda edição em dezembro de 2003. Nas duas edições, a obra “Erros Doutrinários” de Júlio Abreu Filho, aparece como sendo a segunda parte)

     Pois bem, no cap. IX, cujo título é: “A Metempsicose de Roustaing” (pág. 40), Herculano Pires comenta a pergunta nº 58 constante da edição de 1942 de “Os Quatro Evangelhos” e que se refere às substâncias humanas, dizendo: “A pergunta nº 58 bastaria para mostrar o aspecto mental do pobre Roustaing, que, depois de uma doença grave, ao sair do hospital, foi logo envolvido pela falange mistificadora”.

     A que falange mistificadora Herculano Pires se refere? Refere-se à falange dos “espíritos matreiros”, que, para melhor enganar os incautos, se apresentaram como sendo os Evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João, autores da “mais ridícula teoria da reencarnação”.

(Ver “O Verbo e a Carne”)