ofplogo.gif (4994 bytes)   


ASSIM FALOU ALLAN KARDEC

            “A data de 1º de maio de 1864 será marcada nos anais do Espiritismo, como a de 9 de outubro de 1861. Ela lembrará a decisão da sagrada congregação do Índex concernente a nossas obras sobre o Espiritismo. Se uma coisa causou admiração aos Espíritas é que tal decisão não tenha sido tomada mais cedo. Aliás há uma só opinião sobre os bons efeitos que ela deva produzir, confirmada pelas informações que nos chegam de todos os lados. A essa notícia, a maioria das livrarias apressaram-se em por essas obras em mais evidência. Alguns livreiros mais tímidos, crendo numa proibição de sua venda, as tiraram das prateleiras, mas não vendiam menos dentro do balcão. Acalmaram-nos, observando que a lei orgânica diz: “Nenhuma bula, breve, decreto, mandato, provisão, assinatura, servindo de provisão, nem outros expedientes da Corte de Roma, mesmo não  concernentes senão os particulares, poderão ser recebidos, publicados, impressos, nem de qualquer modo, postos em execução, sem autorização do governo.”

            “Quanto a nós esta medida, que é uma das que esperávamos, é um indício que aproveitaremos e que nos servirá de guia para trabalhos ulteriores”.

     (Revista Espírita, junho/1864 – EDICEL, pág. 190)

 NOSSO COMENTÁRIO

             Aqueles que não conhecem a História da Igreja Católica, devem estar se perguntando agora: “ – Mas o que é essa tal Congregação do Índex?!”

                Cabe-nos então lhes dar uma ligeira explicação.

                Em 1562, uma comissão de dezoito bispos, designada pelo Concílio Tridentino, cuidou da elaboração de um catálogo geral das obras consideradas proibidas por atentatórias à Doutrina da Igreja. Esse “catálogo” tomou o nome de Índex, que foi publicado, em 1564, pelo Pontífice Paulo IV.

                O tribunal encarregado de julgar as obras proibidas foi criado por Pio V e passou a chamar-se “Sagrada Congregação do Índex”, que passou por uma pequena reforma no pontificado de Pio V, em 1572. Constava ela de um prefeito e vários cardeais, cujo número dependia da vontade do papa.

                Até o ano de 1908 só se julgavam os livros que fossem denunciados como atentatórios à Igreja. Entretanto, como, dentro do sistema administrativo eclesiástico,  havia um órgão  -  o Santo Ofício – que já tinha o direito de censurar livros, por ser este um dos meios de defender a fé, o papa Bento XV, em 1917, aboliu a Congregação do Índex, passando as atividades desta para o Santo Ofício.

                A última edição do “Índex”  foi publicada em 1930, no pontificado de Pio XI.

                De acordo com o código instituído pelo Santo Ofício: “são proibidos, de maneira geral, as versões não autorizadas das Escrituras, os livros condenados anteriormente à criação do “Índex”, os livros dos heréticos que tratam de religião, as obras que expõem doutrinas opostas ao catolicismo (racionalistas, materialistas, deístas, ateístas, marxistas), as publicações imorais e obscenas, etc”).

                Tudo isto que apresentamos acima, foi extraído do livro “Allan Kardec, o educador e o codificador” de Zêus Wantuil e Francisco Thiesen, vol. II, 2ª edição da FEB, págs. 144 e 145. Mais adiante os autores se referem ao famoso “Auto-de-fé”, realizado em Barcelona, Espanha, em 9 de outubro de 1861, onde trezentas obras espíritas de Allan Kardec, foram queimadas em praça pública, no bairro da Ribeira. Triste espetáculo! 

                Devo dizer, com toda a sinceridade, que gostei muito dessa obra, escrita por dois roustainguistas fanáticos, que, no lançamento da 1ª edição, em três volumes, em fins de 1979, ocupavam cargos de direção na Federação Espírita Brasileira (FEB). Um deles, o Sr. Francisco Thiesen, era seu Presidente. Por ter desencarnado dez anos depois, não participou da redação,  publicação e divulgação desta 2ª edição, que foi lançada ao público no ano do Bicentenário do nascimento de Allan Kardec, 2004.

                Fazendo-se uma correlação entre o que Allan Kardec disse e o que se observa no movimento espírita brasileiro, pode-se afirmar que a famosa “Congregação do Índex” não desapareceu. Mudou de endereço. Funciona na sede da FEB. Mudou também de nome, pois se chama, atualmente, Conselho Federativo Nacional, que se reúne, regularmente, sob a direção do Presidente da FEB roustainguista.

                Desta forma, os escritores que não seguem o que ficou estabelecido no “Pacto Áureo” de outubro de

1949 e não defendem o famoso “mito” da unificação, são malvistos, considerados heréticos, obsedados, etc.

                Esta é que é a verdade! Infelizmente!