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ASSIM FALOU ALLAN KARDEC

    (Na “Introdução” do Livro dos Espíritos)

 

                “Os Espíritos não encarnados ou errantes não ocupam uma região determinada e circunscrita; estão por toda a parte, no espaço e ao nosso lado, nos vendo e nos acotovelando sem cessar; é toda uma população invisível, que se agita em torno de nós.

                “Os Espíritos exercem sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico, uma ação incessante. Agem sobre a matéria e sobre o pensamento, e constituem uma das forças da Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até agora inexplicados, e que não encontram uma solução racional senão no Espiritismo.

                “As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos nos solicitam para o bem, nos sustenta nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação; os maus nos solicitam ao mal: é para eles uma alegria nos ver sucumbir e nos assemelharmos a eles.

                “As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As ocultas ocorrem pela influência, boa ou má, que eles exercem sobre nós com o nosso desconhecimento; cabe ao nosso julgamento discernir as boas e más inspirações. As comunicações ostensivas ocorrem por meio da escrita, da palavra, ou outras manifestações materiais, e, mais freqüentemente por intermédio dos médiuns que lhes servem de instrumento.

                “Os Espíritos se manifestam espontaneamente ou por evocação. Podem-se evocar todos os Espíritos: aqueles que animaram homens obscuros, como aqueles de personagens mais ilustres, qualquer que seja a época na qual tenham vivido; os de nossos parentes, de nossos amigos ou de nossos inimigos, e com isto, obter, por comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações sobre a sua situação no além-túmulo, sobre seus pensamentos a nosso respeito, assim como as revelações que lhes são permitidas nos fazer.

                “Os Espíritos são atraídos em razão de sua simpatia pela natureza moral do meio que os evoca. Os Espíritos superiores se alegram nas reuniões sérias, onde dominem o amor do bem e o desejo sincero de se instruir e de se melhorar. Sua presença afasta os Espíritos inferiores, que aí encontram, ao contrário, um livre acesso, e podem agir com toda a liberdade entre as pessoas frívolas ou guiadas só pela curiosidade, e por toda parte onde se encontrem os maus instintos. Longe de se obter deles bons avisos ou ensinamentos úteis, não se deve esperar senão futilidades, mentiras, maus gracejos, ou mistificações, porque eles tomam emprestado, freqüentemente, nomes venerados para melhor induzir ao erro.

                “A distinção dos bons e dos maus Espíritos é extremamente fácil. A linguagem dos Espíritos superiores é, constantemente, digna, nobre, marcada pela mais alta moralidade, livre de toda paixão inferior; seus conselhos exaltam a mais pura sabedoria e têm sempre por objetivo nosso progresso e o bem da Humanidade. Já a linguagem dos Espíritos inferiores, ao contrário, é inconseqüente, freqüentemente trivial e mesmo grosseira; se dizem, por vezes, coisas boas e verdadeiras, mais freqüentemente, dizem coisas falsas e absurdas, por malícia ou por ignorância. Eles se divertem com a credulidade e se distraem às custas daqueles que os interrogam com falsas esperanças. Em resumo: as comunicações sérias, na total acepção da palavra, não ocorrem senão nos centros sérios, naqueles cujos membros estão unidos por uma comunhão de pensamentos para o bem.

                “A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: ‘Agir para com os outros como quereríamos que os outros agissem para conosco’, quer dizer ‘fazer o bem e não fazer o mal’. O homem encontra neste princípio a regra universal de conduta para as suas menores ações...” (Grifo nosso)

(O Livro dos Espíritos – Introdução – Item VI)

 NOSSO COMENTÁRIO

                 Esse trecho de O LIVRO DOS ESPÍRITOS nos apresenta dois aspectos importantes que nos provocam uma grande reflexão. E hoje, mais do que nunca, é oportuno e muito necessário refletirmos bastante sobre vários temas contidos na primeira obra básica do Espiritismo, cujo sesquicentenário está sendo comemorado em toda parte. Até mesmo dentro da Federação Espírita (Roustainguista) Brasileira, que, embora seguindo a dois senhores ao mesmo tempo – Kardec e Roustaing – acaba de realizar em Brasília um Congresso específico.

                O primeiro aspecto diz respeito às chamadas “Colônias Espirituais”, tema que foi muito bem pesquisado e apresentado pela ilustre confreira Lúcia Loureiro, autora de um livro que leva o mesmo título e foi lançado em 1996, em sua 3ª edição, pela Editora Mnêmio Túlio.

                No cap. II de seu livro, Lúcia Loureiro nos remete ao cap. VI do Livro Segundo de “O Livro dos Espíritos”, em que, nas questões 223 a 236, os Espíritos superiores, respondem a Kardec, dizendo que “nos intervalos de suas encarnações, a alma se torna Espírito errante. Mas, há mundos particularmente destinados aos seres errantes e nos quais eles podem habitar temporariamente. E, quando aí se encontram, podem deixá-los à vontade imaginai-os como aves, que, de passagem, pousam numa ilha, para refazerem suas forças, a fim de alcançarem o seu destino. São mundos transitórios, onde os Espíritos permanecem por algum tempo, para progredirem. Todavia, esses mundos transitórios não são perpetuamente destinados aos Espíritos errantes. Sua posição é apenas temporária.

Esses mundos "transitórios" não são habitados por seres corporais, pois sua superfície é estéril. E aqueles que os habitam não necessitam de nada. Mas essa "esterilidade" é "transitória".

Segundo disseram os Espíritos, a Terra, planeta que habitamos, já esteve na condição de mundo transitório. Quando? Durante a sua formação.

Entretanto, esse tema, relacionado aos chamados "mundos transitórios", não constituía para Allan Kardec o objeto capital da Doutrina dos Espíritos, e, sim, um "acessório", que ele considerava útil, como um estudo complementar, mas não o mais importante. Para ele "o principal será sempre o ensino moral..." (Ver Revista Espírita, agosto de 1858 - Coleçâo EDICEL pág. 233)

Não é, entretanto, o que se vê hoje em dia, desde que apareceu, em 10 de outubro de 1943, o livro "NOSSO LAR", ditado pelo Espirito André Luiz, psicografado por Chico Xavier e publicado pela F.E.B. com prefácio de Emmanuel. Aí ficou bem claro que essa "colónia espiritual" é, nada mais nada menos, do que "antiga fundação de portugueses distintos, desencarnados no Brasil, no séc. XVI". (pág. 52 da 20" edição da FEB)

Ora! quem conhece a História do Brasil, sabe muito bem que os portugueses que vieram para a América como "colonos" eram ambiciosos, prepotentes, orgulhosos, que só pensavam em explorar a terra, em busca de ouro e pedras preciosos, com o único objetivo de se tornarem ricos e poderosos. Para isso, apesar de ostentarem no peito a cruz de Cristo e viverem fazendo o sinal da cruz e rezando a Ave, Maria, sempre usaram o direito do mais forte, explorando os índios e os negros africanos, que foram transformados em seus escravos e tratados desumanamente, como animais selvagens. Pobres escravos, cuja vida infernal Castro Alves, grande abolicionista, soube cantar muito bem em seus maravilhosos poemas!...

Outro aspecto importante que ressalta do trecho da "Introdução" de "O LIVRO DOS ESPÍRITOS", que transcrevemos na página anterior, diz respeito à "evocação dos Espíritos", tema no qual eu insisto muito.

E por que essa minha insistência?

Simplesmente, porque nessa primeira obra básica da Doutrina Espírita, cujo Sesquicentenário estamos comemorando festivamente em Brasília (sede vaticana do Espiritismo jesuíta) como em todas as cidades e capitais do nosso imenso Brasil, batizado como a "Pátria do Evangelho" (?!)

Pois bem, como vimos no trecho da "Introdução" enfocado por nós, Allan Kardec, a serviço do Espírito de Verdade (Jesus, Mestre de todos nós), apresentando um "resumo da Doutrina Espírita", deixou bem claro que: "Os Espíritos se manifestam,

espontaneamente, ou por evocação. Podem-se evocar todos os Espíritos (...) Os Espíritos são atraídos em razão de sua simpatia pela natureza moral do meio que os evoca. Os Espíritos superiores se alegram quando estão em reuniões sérias, onde dominam o amor do bem e o desejo sincero das pessoas em se instruírem (...) as comunicações sérias, na total acepção da palavra não ocorrem senão nos centros sérios, ou seja, naqueles cujos membros estão unidos por uma comunhão de pensamentos para o bem".

E esse tema "a evocação dos Espíritos" por si só. era tão importante para o querido Mestre lionês que, ao escrever a segunda obra básica do Espiritismo - O Livro dos Médiuns - ele fez questão de acrescentar como subtítulo a expressão: "GUIA DOS MÉDIUNS E DOS EVOCADORES". E foi mais longe, pois dedicou dois capítulos dessa obra básica ao tema "Evocação". (Ver caps. XXV e XXVI)

Essas duas obras básicas do Espiritismo são muito importantes, para quem quer se aprofundar no estudo dos ensinamentos dos Espíritos. Tanto assim que, geralmente, nas casas espíritas, é dedicado sempre um dia da semana para o seu estudo, principalmente, nas sessões de prática mediúnica.

No entanto, criou-se aqui no Brasil um verdadeiro tabu. Transformou-se a evocação numa coisa proibida. E, para justificar essa proibição absurda, lança-se mão de vários pretextos. O mais importante deles é que Emmanuel, o Guia e Mentor Espiritual de Chico Xavier, em seu livro "O Consolador" (questão 369), colocando-se em posição contrária à do Codificador, declarou, pela mediunidade do Chico: "Não somos dos que aconselham a evocação direta e pessoal, em caso algum".

Esquece-se, porém, que Emmanuel foi, como ele próprio confessou ao médium de Pedro Leopoldo/MG, o padre Manoel da Nóbrega que, no século XVI, veio para o Brasil com os ricos e poderosos, e aqui foi alçado à posição superior de Provincial (ou chefe supremo) da Companhia de Jesus. Ora! nós sabemos muito bem que os sacerdotes católicos, seguindo o exemplo de Moisés, sempre foram contra a evocação dos Espíritos.

Allan Kardec deixou isto bem claro em sua obra "O Céu e o Inferno", quando fala "Da proibição de evocar os mortos": "A Igreja de modo algum nega a realidade das manifestações. Ao contrário, admite-as totalmente, atribuindo-as à intervenção dos demónios. (...) os Evangelhos nada dizem a esse respeito. O supremo argumento que prevalece é a proibição decretada por Moisés..." (Ver o cap. XI, n° l, primeiro parágrafo)

Ora! sabemos que Emmanuel certa vez disse ao seu instrumento mediúnico que, se alguma vez ele (Emmanuel) dissesse ou fizesse algo contrário a Allan Kardec, ele, o Chico ficasse com o que disse o Codificador e esquecesse o que ele havia dito. Quis assim deixar bem claro que acima da sua autoridade estava a do Mestre lionês. Não podia, portanto, jamais dizer, como disse, que não aconselhava a evocação dos Espíritos em caso algum. Ao fazê-lo, negou o que disse Allan Kardec, e, o que é pior, negou o ensinamento dado pêlos Espíritos superiores da gloriosa Falange do Espírito de Verdade. Que lástima!...