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ASSIM FALOU ALLAN KARDEC
       (Sobre a origem da espécie humana)

                “Do ponto de vista corporal , puramente anatômico, o homem pertence à classe dos mamíferos, da qual não difere senão por alguns detalhes da forma exterior. Quanto ao mais, tem a mesma composição química que os animais, os mesmos órgãos, as mesmas funções e os mesmos modos de nutrição, de respiração, de secreção, de reprodução; nasce, vive, morre nas mesmas condições, e, com a morte, seu corpo se decompõe como o de tudo quanto vive.

                Não há em seu sangue, sua carne, seus ossos, um átomo diferente dos que se encontram nos corpos dos animais. Como estes, ao morrer, o homem entrega também à terra: o hidrogênio, o oxigênio, o azoto e o carbono, que estavam combinados para o formar, e vão, por meio de novas combinações, formar novos corpos minerais, vegetais e animais.

                Na classe dos mamíferos, o homem pertence à ordem dos bímanos. Imediatamente abaixo, vêm os quadrúmanos (animais de quatro mãos), ou seja, os macacos, dos quais alguns, como o orangotango, o chimpanzé, o mono, têm certas semelhanças com o homem, por isso mesmo, durante muito tempo foram designados como homens da floresta (...) seguindo passo a passo a série dos seres, dir-se-ia que cada espécie é um aperfeiçoamento, uma transformação da espécie imediatamente inferior.

                Verificando-se que o corpo do homem está em condições idênticas aos outros corpos; que ele nasce, vive e morre da mesma maneira que os outros, a conclusão lógica é que deve ter sido formado nas mesmas condições....

                O Espiritismo caminha a par com o materialismo, no terreno da matéria; admite tudo que este admite; porém, onde o materialismo se detém, o Espiritismo prossegue...

Para o materialismo, a vida humana termina com a morte do corpo. O Espiritismo, entretanto, nos revela todo um mundo de importância muito maior para o homem: o mundo dos Espíritos.

                Da semelhança de formas exteriores existentes entre o corpo do homem e o do macaco, certos fisiologistas concluíram que o primeiro (o homem) não era senão uma transformação do segundo (o macaco). Não há nada de impossível nisto, nem tampouco que afete a dignidade do homem. Corpos de macacos teriam sido muito adequados para servir de vestimentas aos primeiros Espíritos humanos, necessariamente, pouco avançados, que vieram encarnar-se na Terra. Tais corpos teriam sido os mais apropriados a suas necessidades, e mais próprios ao exercício de suas faculdades, que o corpo de qualquer outro animal. Pôde, pois, vestir a pele do macaco, sem deixar de ser Espírito humano, da mesma forma que o homem se reveste às vezes da pele de certos animais, sem deixar de ser homem. Fique, porém, bem entendido que aqui não se trata senão de uma hipótese, a qual, de forma alguma é formulada como princípio. O objetivo é mostrar que a origem do corpo humano não prejudica o Espirito, que é o ser principal. Por outro lado, quer-se provar também que a semelhança do corpo do homem com o corpo do macaco, não implica, absolutamente, na paridade entre seu Espírito e o do macaco.

                Admitindo-se essa hipótese, pode-se dizer que, sob a influência e por efeito da atividade intelectual de seu novo habitante, o envoltório se modificou, embelezou seus detalhes, sempre conservando a forma geral do conjunto. Os corpos melhorados, ao se procriarem, reproduziram-se nas mesmas condições; deram nascimento a uma nova espécie, a qual, pouco a pouco se afastava do tipo primitivo, à medida que o Espírito progredia. O espírito do macaco continuou a procriar corpos de macacos para seu uso; já o Espírito do homem procriou corpos humanos.

Como não há transições bruscas na natureza, é provável que os homens primitivos, primeiros habitantes da Terra, pouco diferissem do macaco (antropóide superior) em sua forma exterior, e, sem dúvida também quanto à sua inteligência...”

                O Espiritismo nos ensina, claramente, como se opera a união do Espírito e do corpo, na encarnação (...) Era-lhe necessário um intermediário, que é o envoltório fluídico, que, de certa forma, faz parte integrante do Espírito. É semimaterial, isto é, participa da matéria, por sua origem, e da espiritualidade, por sua natureza astral. É originado do fluido cósmico universal, o qual, nesta circunstância, sofre uma modificação especial. Esse envoltório é que constitui o “perispírito”, o traço de união entre o Espirito e a matéria...”

(“A GÊNESE”, de Allan Kardec, cap. XI, ns. 1 a 16)

                “A espécie humana não começou por um só homem. Adão e Eva não foram os primeiros habitantes da Terra” (O Livro dos Espíritos, questão nº 50)

 NOSSO COMENTÁRIO 

     Quando Kardec fala do homem, ele usa a palavra Espirito com “E” maiúsculo;  já quando se refere ao  animal (macaco), ele usa espírito com “e” minúsculo. É que os Espíritos humanos são os “seres inteligentes da Criação”, são as individualidades dos seres extra-corpóreos”; já os espíritos dos animais (macacos, p.e.) são o “princípio inteligente do Universo”.

     Lendo-se o que foi transcrito acima, vê-se, claramente que Allan Kardec, no fundo era também um evolucionista, adepto, portanto, da Teoria de Darwin, cuja livro (“A Evolução da Espécie”) foi lançado em 1858.

                É verdade que Allan Kardec, no trecho citado, deixou bem claro que, no seu entender, trata-se de uma “hipótese” científica. Mas, ele a admitiu porque (como não há transições bruscas na natureza, é provável que os homens primitivos, primeiros habitantes da Terra, pouco diferissem do macaco em sua forma exterior, e, sem dúvida, também quanto à sua inteligência”.

                Outra coisa importante que se observa no trecho citado é que “o Espiritismo caminha a par com o Materialismo, no terreno da matéria, admitindo tudo que este também admite”. Mas, deixou bem claro: “Onde o Materialismo pára, se detém, o Espiritismo avança, prossegue, pois nos revela que, após a morte do corpo, surge um mundo de importância muito maior: o mundo dos Espíritos

                Portanto, a verdadeira vida é a do Espírito, que foi criado “simples e ignorante”, mas capaz de progredir sempre, desde o átomo até o Arcanjo

                Para isto Deus criou a Lei da reencarnação. Logicamente, através das vidas sucessivas, na Terra ou em outro planeta. De acordo com a lei da evolução, o Espirito progride sempre. Vê-se, portanto, que a encarnação é uma necessidade, para Allan Kardec, o verdadeiro Missionário da Terceira Revelação, presidida pelo Espírito de Verdade.

                Por conseguinte, para o Espiritismo, nós, humanos, temos duas naturezas: pelo corpo físico, participamos da natureza dos animais, dos quais temos o “instinto”; pela alma (Espírito encarnado), participamos da natureza dos Espíritos.

                Entre o corpo e o Espirito existe o “perispírito” ou corpo fluídico, etéreo. A morte é a destruição do corpo físico. O Espírito conserva o segundo, que constitui para ele o chamado corpo etéreo, que é invisível no seu estado normal.

                Em resumo, para o verdadeiro Espiritismo, a encarnação é uma necessidade para a evolução do Espírito e não um castigo.

                De acordo com os ensinamentos dos Espíritos Superiores da gloriosa Falange do Espirito de Verdade, que presidiu o advento do Espiritismo, codificado por Allan Kardec, tudo é claro, lógico, científico.

                Vejamos então uma outra exposição sobre o mesmo tema.