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ASSIM FALOU ALLAN KARDEC

     (Sobre  os Congressos Espíritas)

 

                “Uma questão que já se apresenta é a dos cismas  que poderá nascer no seio da Doutrina Espírita. Estará preservado dele o Espiritismo? Certamente que não, porque terá, sobretudo no começo, contra si as idéias pessoais, sempre absolutas, tenazes, refratárias, e, sobretudo, às ambições pessoais.

            “Há necessidade de uma direção  superior.  Isto é evidente. Mas essa direção central tem de se constituir em condições de força e estabilidade, que a ponham ao abrigo de todas as flutuações. Para isto é que, ao invés de um chefe único, a direção do movimento espírita deve ser entregue a uma comissão central, composta de doze membros titulares (efetivos) e igual número de conselheiros.

            “À Comissão Central caberá nomear o seu presidente, cuja autoridade será puramente administrativa e cujo mandato será por um ano. Mas será sempre a Comissão Central a cabeça, o verdadeiro chefe coletivo do Espiritismo (movimento espírita), que nada poderá fazer, nenhuma decisão poderá tomar sem o assentimento da maioria.

              “Mas é preciso destacar que a autoridade da Comissão Central será temperada (equilibrada), pois seus atos serão fiscalizados por assembléias gerais.

            “Essas assembléias serão, na verdade, os CONGRESSOS. Suponhamos, por exemplo, que todos os membros da Comissão Central enveredem por um mau caminho, aí estarão os congressos, para reconduzi-la à ordem. Portanto, o chefe coletivo (a Comissão Central) depende em definitivo, da opinião geral, da unanimidade ou da vontade da maioria dos membros presentes. Não pode, pois, afastar-se do caminho reto. Assim, o estatuto da comissão central será sempre submetido à revisão do congresso, que, por unanimidade ou por maioria dos votos presentes, pode decidir sobre qualquer alteração dos seus artigos e parágrafos. A revisão do estatuto é não apenas um direito, mas também um dever que cabe aos congressistas presentes, reunidos em assembléias gerais ordinárias ou extraordinárias. Somente os congressos poderão fazer modificações nos estatutos” (Grifos nossos).

      (Ver “Obras Póstumas” – Exposição de Motivos sobre a CONSTITUIÇÃO DO ESPIRITISMO e “Revista Espírita”, dezembro de 1868, págs. 367 a 369)

NOSSO COMENTARIO

      De uns tempos para cá, tornou-se moda no Brasil a realização de congressos espíritas. Até a FEB, antes tão indiferente a esses encontros, passou a participar e mesmo a patrociná-los e promovê-los. Ao afirmar isto, não estou inventando nada. Estou apenas repetindo o que disse Júlio Abreu Filho, em seu livro “Erros Doutrinários”, Ano 1973, pág. 160, quando afirmou: “Que a FEB não quer unir os espíritas está visto na sua ojeriza aos congressos e no fato de excluir de sua direção os espíritas kardecistas, isto é aqueles que não aceitam as teorias de Roustaing...”      

      Por outro lado, já em 1925, quando se cogitou em criar a Liga Espírita do Brasil, ela, a FEB roustainguista, não só recusou o convite dirigido ao seu presidente para comparecer ao Congresso Constituinte Nacional Espírita, realizado em outubro de 1926, como fez questão de não mandar nenhum representante oficial. Anos mais tarde, em 1949, agiu da mesma forma em relação ao Congresso convocado pela CEPA-Confederação Espírita Pan-americana. E, - o que é pior! – mancomunada com um grupo de amigos e simpatizantes, dela e do roustainguismo, deu publicidade a um acordo assinado no dia 5 de outubro, conhecido como “Pacto Áureo”, pelo qual a Liga Espírita do Brasil, criada em 1926 deixou de ser da esfera federal, ficando sua ação limitada ao Distrito Federal (Rio de Janeiro/ RJ) e o Conselho Federativo Nacional se transformou num departamento da FEB.

     Nesse encontro apelidado de “Congresso Espirita de Unificação, realizado na sede da FEB sob a presidência de Wantuil de Freitas, Presidente da FEB, em 3 de outubro de 1949, ficou decidido que “cabe aos espíritas do Brasil porem em prática a exposição contida no livro “Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho”, ditado por Humberto de Campos (Espírito), psicografado por Chico e publicado pela FEB em 1938 com prefácio de Emmanuel. Resultado: se a FEB já era rica e poderosa, graças às doações feitas por Chico, mais forte e prepotente se tornou depois desse chamado “Pacto Áureo” que exaltou a figura e a obra de Roustaing, criou o mito da unificação, tornou proibida a discussão ou troca de idéias sobre o conteúdo da obra “Os Quatro Evangelhos” de Roustaing; e, - o que é pior - exaltou exageradamente a FEB, dando mais força aos roustainguistas.

     Portanto, antes não interessava à FEB a realização de congressos, muito menos promovê-los e deles participar. Esta é que é a verdade! E por que não interessava? Porque, segundo Kardec, cabe aos congressos julgarem os atos das Comissões Centrais, para que elas não se afastem do caminho reto a seguir. Os dirigentes da FEB, adotando desde o início da sua fundação (janeiro de 1884), o roustainguismo, tinham e têm a consciência de que enveredaram por um mau caminho, e, por pura teimosia, dele não querem se afastar. E se sentem fortes porque contam com a omissão e conivência dos verdadeiros kardecistas, que manietados pelo acordo do “Pacto Áureo”, não querem confronto com a FEB.

      Allan Kardec se referiu à questão dos “cismas” que poderá nascer no seio da Doutrina Espírita. E realmente nasceu, com a publicação da obra de Roustaing. De fato, o primeiro e, certamente, o maior cisma que surgiu foi o roustainguismo, como lembrou o saudoso escritor Gélio Lacerda da Silva, em “Conscientização Espírita”, lançado em 1994.

      Por conseguinte, os chamados “pioneiros” do Espiritismo erraram ao criarem, em 1884, uma Federação Espírita roustainguista.

     Allan Kardec fala-nos também sobre a importância de se criar uma “Comissão Central”. E neste ponto temos que lembrar que Francisco Thiesen e Zêus Wantuil, ao publicarem em 1980 o terceiro volume do livro “Allan Kardec”, discorrendo sobre a hipótese de uma nova encarnação do mestre lionês, declararam: “... o continuador dele (Kardec) não pode ser senão um ser coletivo, uma plêiade de Espíritos, conjugados nos Planos Físico e Espiritual, coordenados os seus ditados por uma Instituição, que, como afirmamos, e podemos provar, é a Federação Espírita Brasileira...” (pág. 95) E para darem mais ênfase a esta afirmação estapafúrdia, declararam, dirigindo-se diretamente aos que duvidam do que eles disseram: “E há os que duvidam disso, apesar de tudo ser muito claro e visível. Leiam as palavras do Codificador em Obras Póstumas - “Constituição do Espiritismo- conheçam as realizações de Ismael (Espírito Protetor da FEB), comparem e concluam”. (pág. 96).

     Aqui, na verdade, eles, Thiesen e Wantuil, cometeram um grande erro e praticaram uma enorme gafe, porque o Espírito de Verdade, em 10 de junho de 1860, referindo-se à reencarnação de Kardec, deixou bem claro que ele voltaria no corpo de um homem de carne e osso. Não seria nenhuma diretoria ou Comissão Central. E o próprio Kardec ficou convencido do que ouviu do seu Guia Espiritual, tanto assim que chegou a calcular quando poderia se dar a sua volta ao plano físico, ou seja, como homem.

      O que ficou bem evidente é que eles, os roustainguistas febeanos, não querem a volta de Kardec. Por que?! Aqui fica a pergunta. Para mim, é óbvio; nem precisaria expressar o meu pensamento!...