ofplogo.gif (4994 bytes)   


ASSIM FALOU ALLAN KARDEC

 (Processos para afastar os maus Espíritos)

 

                “A intromissão dos Espíritos enganadores nas comunicações espíritas é uma das maiores dificuldades do Espiritismo (...) eles não têm nenhum escrúpulo em tomar nomes supostos e até mesmo nomes respeitáveis. Há meios de os afastar? Eis aí a questão (...) a maior parte dos meios empregados são inoperantes...

                “... É preciso não perder de vista que os Espíritos constituem todo um mundo, toda uma população, que enche o espaço, circula ao nosso lado, mistura-se em tudo quanto fazemos (...) exercem sobre nós uma influência permanente. Uns nos impelem para o bem, outros, para o mal...

                “... os maus Espíritos aparecem onde alguma coisa os atrai. Assim, quando se intrometem nas comunicações, é que encontram simpatias no meio onde se apresentam, ou, pelo menos, lados fracos que esperam aproveitar (...) Entre as causas que os atraem devemos colocar, em primeiro lugar, as imperfeições morais de toda espécie, porque o mal sempre simpatiza com o mal (o mal atrai o mal); em segundo lugar a demasiada confiança com que são acolhidas as suas palavras...

“... Quando uma pessoa honesta é enganada pelos Espíritos, pode sê-lo por duas razões: a primeira é uma confiança absoluta, que a leva a prescindir de todo exame; a segunda é que as melhores qualidades não excluem certos lados fracos, e dão entrada aos maus Espíritos desejosos de descobrir as menores falhas da couraça. Não falamos do orgulho e da ambição, que são mais do que entraves; falamos de uma certa fraqueza de caráter, e, sobretudo, dos preconceitos, que esses Espíritos sabem explorar com habilidade, lisonjeando-os. É por isso que eles usam todas as máscaras, a fim de inspirar mais confiança.

“As comunicações francamente grosseiras são as menos perigosas, pois a ninguém podem enganar. As que mais enganam são as que têm uma falsa aparência de sabedoria ou de seriedade, numa palavra, a dos Espíritos hipócritas e pseudo-sábios. Uns podem enganar de boa-fé, por ignorância ou por fatuidade (presunção, vaidade); outros só agem por astúcia. Vejamos então qual é o meio de nos desembaraçarmos deles.

“A primeira coisa a fazer é não os atrair e evitar tudo quanto lhes possa dar acesso (...) Como vimos, as disposições morais são uma causa preponderante. Entretanto, fazendo-se abstração desta causa, o modo empregado não deixa de ter influência. Há pessoas (e grupos) que têm por princípio jamais fazer evocações e, sim, esperar a primeira comunicação espontânea saída do lápis do médium. Ora, como estamos cercados de Espíritos de várias espécies, isso é o mesmo que a gente se colocar à disposição do primeiro que vier, bom ou mau.. E, como os Espíritos maus predominam sobre os bons, há mais oportunidade para os maus aparecerem. É exatamente como se abríssemos a porta a todos que passam pela rua, ao passo que pela evocação fazemos a escolha, e, cercando-nos de bons Espíritos, impomos silêncio aos maus, que poderão, apesar disto, procurar por vezes insinuar-se...

“As comunicações espontâneas têm uma grande utilidade, quando temos a certeza da qualidade dos nossos acompanhantes. Então, freqüentemente nos devemos felicitar pela iniciativa deixada aos Espíritos. O inconveniente (das comunicações espontâneas) está apenas no sistema absoluto adotado, que consiste em nos abstermos do apelo direto e das perguntas...” (Fonte: Revista Espírita de Allan Kardec, setembro de 1859 – Lançamento EDICEL, págs. 251 a 254)

NOSSO COMENTÁRIO

      Como se pode ver, pelo exposto acima, Allan Kardec, assistido pelos Espíritos superiores da Falange do Espírito de Verdade, mostra-se, francamente, favorável à evocação dos Espíritos, e, fazendo um estudo comparativo, mostrou-nos a vantagem das comunicações provocadas (pela evocação) e o inconveniente das comunicações espontâneas. E, tão certo estava disto que transcreveu na Revista Espírita de 1859 que, ao lançar, dois anos depois “O Livro dos Médiuns”, deixou bem claro no cap. XXV, nº 269: “Pensam algumas pessoas que todos devem abster-se de evocar tal ou tal Espírito e ser preferível que se espere aquele que queira comunicar-se (comunicação espontânea. (...) Em nossa opinião isto é um erro...” E, mais adiante, reproduzindo, textualmente, a resposta dada a uma de suas perguntas, transcreveu o seguinte: “O Espírito superior vem sempre que é chamado com uma finalidade útil”. (pargunta nº 8 do ítem 282 do original e da 68ª edição da FEB) (grifos nossos).

      Perguntamos então: - Por que no Brasil há tanto horror à evocação dos Espíritos, a ponto de ser ela transformada num verdadeiro tabu?

      A resposta está no livro “O Consolador” de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier, lançado pela FEB em 8 de março de 1940.

       Na questão nº 369 proposta por Chico, numa reunião do Grupo Espírita “Luiz Gonzaga” de Pedro Leopoldo”/MG, Emmanuel (Espírito do Padre Manuel da Nóbrega), colocando-se, presunçosamente, acima do Codificador, respondeu: “- Não somos dos que aconselham a evocação direta e pessoal em caso algum...”. Por sua vez, o Chico Xavier, agindo também presunçosamente e, a meu ver, num tom bastante irônico, numa atitude clara de debique, de troça, colocando-se ao lado de Emmanuel e não de Kardec, declarou: “ – O telefone só toca de lá para cá”, como quem diz: “ – O Espírito se manifesta quando bem entende. Nós não podemos nem devemos chamá-lo. Temos que ficar sempre atentos ao seu chamado, aguardando ouvir, pelo médium, o que nos queira dizer”.

                No entanto, lemos na biografia de Chico (“As vidas de Chico Xavier”, pág. 53) escrita pelo jornalista Marcel Souto Maior: “ – Chico Xavier seguia à risca uma instrução ditada por Emmanuel: fidelidade irrestrita a Kardec, o codificador da doutrina espírita. Se alguma vez eu lhe der algum conselho que não esteja de acordo com Kardec, fique do lado dele e esqueça o meu conselho”.

                Que hipocrisia da parte de Emmanuel e do Chico, que vivem aplaudidos, admirados e idolatrados pelos que se dizem verdadeiros, leais e honestos discípulos de Allan Kardec!...