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ASSIM FALOU ALLAN KARDEC

        (Sobre o Espírito Verdade)

 

            “A proteção desse Espírito (referindo-se ao Espírito  Verdade), cuja superioridade eu estava longe de imaginar, jamais de fato me faltou.

            “Sua solicitude e a dos bons Espíritos que agiam sob suas ordens, se manifestou em todas as circunstâncias da minha vida, quer a me remover dificuldades materiais,quer a me facilitar a execução dos meus trabalhos, quer, enfim, a me preservar dos efeitos da malignidade dos meus antagonistas, que foram sempre reduzidos à impotência. Se as tribulações inerentes à missão que me cumpria desempenhar não me puderam ser evitadas, foram sempre suavizadas e largamente compensadas por muitas satisfações morais gratíssimas”.

   OBSERVAÇÃO: isto foi transcrito por Kardec em “nota” complementar à comunicação dada pelo Espírito de Verdade, após o diálogo que manteve com ele na sessão realizada em 9 de abril de 1856, em casa do Sr. Baudin, tendo como médium a srta. Baudin. (Ver “Obras Póstumas” - Segunda parte).

NOSSO COMENTÁRIO

             Vejam bem, caros leitores, em abril de 1856, o Espírito Verdade, que, dias antes, ou seja, em 25 de março, se apresentara a Kardec como seu Guia Espiritual, já era considerado pelo grande missionário lionês como um Espírito superior, sim, muito superior que tinha a seu serviço um grupo de “bons Espíritos”, que seguiam sua orientação e cumpriam suas determinações ou ordens. Por isso mesmo, Allan Kardec quis saber qual era sua opinião sobre a missão que lhe cabia desempenhar na Terra, ou seja, a missão de um “obreiro que reconstrói o que foi demolido”. Aproveitou então a oportunidade que lhe foi dada pela reunião realizada em 12 de junho de 1856, na residência do Sr. C... e fez a seguinte pergunta ao Espírito Verdade, que se manifestou pela médium, srta. Aline C.: “ – Bom Espírito, eu desejaria saber o que pensas da missão que alguns Espíritos disseram que me cabia desempenhar?”, ao que o luminoso Espírito respondeu: “ – Confirmo o que te foi dito...”.

            Satisfeito com a resposta, Kardec agradeceu, dizendo: “ – Espírito Verdade, agradeço os teus sábios conselhos. Aceito tudo que me dizes, sem restrição...”

            E foi, justamente, essa confiança que o Codificador depositava no Espírito Verdade, que fez com que insistisse junto a ele para que explicasse o que queria dizer com a expressão “por um pouco”, quando afirmou, através da médium, sra. Schmidt: “- Prossegue em teu caminho sem temor. Ele está juncado de espinhos. Mas, eu te afirmo que terás grandes satisfações, antes de voltares para junto de nós por ‘um pouco’...”  

            O Espírito Verdade então respondeu: “ – Não permanecerás longo tempo entre nós. Terás que volver à Terra para concluir a tua missão que não podes terminar nesta existência (...) Ausentar-te-ás, pois, por alguns anos, e, quando voltares, será em condições tais que te permitam trabalhar desde cedo...”

            Allan Kardec ficou profundamente impressionado com o que ouviu do Espírito Verdade, seu Guia Espiritual, um Espírito de escol, dotado de grande superioridade.

Foi por isso que, mentalmente, arriscou calcular quando se daria sua nova reencarnação:

“ – Calculando, aproximadamente, a duração dos trabalhos que ainda tenho de fazer e, levando em conta o tempo de minha ausência e os anos da infância e da juventude, até a idade em que um homem pode desempenhar no mundo um papel, a minha volta deverá ser, forçosamente, no fim desde século (séc. XIX), ou no princípio do outro (séc. XX) ”.

                Esse cálculo feito por Allan Kardec é que levou os modernos sábios doutores da lei a acharem que o médium mineiro Chico Xavier é quem foi a concretização do anúncio feito pelo Espírito de Verdade. Um deles, inclusive, lançando mão de sua autoridade de jurista, chegou mesmo a afirmar: “- Chico é Allan Kardec reencarnado. Tenho dito. Não se fala mais nisto. Não há mais o que discutir ”. E, batendo na mesa com o martelo de magistrado, declarou encerrada a sessão. Outro, pensando, naturalmente, que estivesse no seu consultório tratando um cliente, escreveu um livro intitulado “Chico Xavier é a reencarnação de Allan Kardec”, pensando com isto aplicar um analgésico bem forte naqueles, como eu e muitos outros, que pensamos o contrário do que ele afirmou.

            Por outro lado, há os que afirmam que o Espírito Verdade estava a serviço da mentira, quando fez aquele anúncio da volta de Kardec ao plano físico. Outros dizem que ele, o Espírito Verdade, não tinha noção do erro que estava praticando. Outros, ao contrário, declaram que ele sabia, sim, mas preferiu adiar a volta do Codificador ao plano físico na Terra.