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ASSIM FALOU ALLAN KARDEC

(Aos espíritas de Bordéus em outubro de 1861)

 

            “Foi com felicidade que atendi ao vosso apelo e o acolhimento simpático com que me recebeis é uma dessas satisfações morais que deixam no coração uma impressão profunda e inapagável (...) aqui, em Bordéus, encontrei elementos excelentes (...) encontrei um grande número de verdadeiros e sinceros espíritas ...

            “Nos trabalhos feitos para atingir o objetivo que me propunha, sem dúvida fui ajudado pelos Espíritos, como eles próprios m’o disseram várias vezes, mas sem qualquer sinal de mediunidade. Assim, não sou médium no sentido vulgar da palavra e hoje compreendo que, para mim, foi uma felicidade que assim fosse. Por uma mediunidade efetiva eu só teria escrito sob uma mesma influência; teria sido levado a não aceitar como verdade senão o que me tivesse sido dado e, talvez, erradamente. Ao passo que, na minha posição, convinha que tivesse uma liberdade absoluta de apreender o que é bom, onde quer que se encontre e de onde viesse. Assim foi possível fazer uma seleção dos diversos ensinamentos sem prevenção e com inteira imparcialidade. Vi muito, estudei muito, observei muito...”

“No Espiritismo não há mistérios; tudo se faz à plena luz; e podemos revelá-lo sem receio...”

“... Há quem diga que a doutrina espírita é contrária à religião. (...) Pergunto então: - Como uma doutrina que torna melhor o ser humano, que ensina a moral evangélica, que só prega a caridade, o esquecimento das ofensas, a submissão à vontade de Deus, seria contrária à  religião?! Isto seria um contra-senso (...) O Espiritismo é estranho a toda questão dogmática...

“Perguntareis: - Se as opiniões estão divididas sobre alguns pontos da doutrina, como saber de que lado está a verdade?” É a coisa mais fácil responder. Para começar tendes por peso o vosso julgamento e por medida a lógica sã  e inflexível. Depois, tendes o assentimento da maioria (...) o número crescente ou decrescente dos partidários de uma idéia dá a medida do seu valor...

“É um equívoco muito freqüente entre os novos adeptos julgarem-se mestres após alguns meses de estudo. Porque o Espiritismo é uma Ciência imensa, cuja experiência não se adquire senão com o tempo (...) Ninguém pode ter a pretensão de achar que já sabe tudo e, por isso, se julgar acima de todos (...) É preciso que se tenha modéstia e humildade...”

(Revista Espírita, novembro/1861 – EDICEL)

NOSSO COMENTÁRIO

     Esse discurso de Kardec foi lido por ele na reunião do dia 14 de outubro de 1861, quando, a convite do Sr. Sabo, ele esteve em Bordéus para participar da inauguração da Sociedade Bordelense de Estudos Espíritas e recebeu inúmeras homenagens.

     João Batista Roustaing, ilustre Advogado da cidade, ainda não havia entrado em contato com a médium, Sra. Émillie Collignon, o que só veio a se dar em dezembro de 1861, portanto, dois meses depois. Logo, não havia ainda a obra “Os Quatro Evangelhos” que só foi lançada ao público em meados de 1866, sem a aprovação de Allan Kardec. Nem os quatro Evangelistas, Mateus, Marcos, Lucas e João, assistidos pelos apóstolos, haviam se manifestado por ela, para dizer que essa obra deveria ter como subtítulo o nome de “Revelação da Revelação”.

       Portanto, por uma questão de lógica “sã e inflexível”, como deixou bem claro Allan Kardec em seu discurso aos espíritas de Bordéus, não havia ainda o roustainguismo, nem tampouco essa doutrina espúria era ainda considerada a “revelação da revelação”.

        O próprio Roustaing, em cartas que dirigiu a Kardec, em março e maio de 1861 via no grande Missionário lionês, o Sr. Allan Kardec, um “honrado chefe espírita”, pelo qual se mostrou muito agradecido porque foi através dele,  Kardec, que veio a conhecer o Sr. Sabo, que dirigia os trabalhos doutrinários de um centro espírita, que funcionava em sua própria residência. Roustaing passou a freqüentar assiduamente esse grupo familiar, no qual somente se lia e estudava  “O Livro dos Espíritos” (1857), “O Livro dos Médiuns” (1861) e “O Evangelho segundo o Espiritismo” (1864). É preciso que os. espíritas de hoje e de amanhã saibam disto, pois “no Espiritismo não há mistérios. Tudo tem que ser revelado plenamente” como disse Allan Kardec.