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ASSIM FALOU ALLAN KARDEC

(Sobre o docetismo)

 

                “J.  B. Roustaing dá ao Cristo , em vez de um corpo carnal, um corpo fluídico concretizado, com todas as aparências da materialidade e de fato um agênere. Por conseguinte foi em aparência que Jesus passou os anos de sua vida aqui na Terra. Assim é explicado o mistério do seu nascimento. Maria teria tido apenas as aparências da gravidez.

            “Temos que convir, entretanto, que, se as condições de Jesus, durante sua vida, fossem as dos seres fluídicos, ele não teria experimentado nem a dor, nem as necessidades do corpo. Acreditar que isto tenha realmente acontecido é o mesmo que tirar-lhe o mérito da vida de privações e de sofrimentos que escolhera, como exemplo de resignação.

            “Se tudo em Jesus fosse mesmo aparente e não real, todos os atos de sua vida, bem como a reiterada predição de sua morte, a cena dolorosa do Jardim das Oliveiras, sua prece a Deus, pedindo clemência, sua paixão, sua agonia, tudo enfim, até o último brado, no momento de entregar o Espírito a Deus não teria passado de vão simulacro para enganar seus contemporâneos em relação à sua natureza e fazer crer num sacrifício ilusório de sua vida, ou, melhor falando, uma verdadeira comédia indigna de um homem simplesmente honesto quanto mais de um ser tão superior como era Jesus. Agindo assim como um vil comediante, nosso Mestre, Jesus, numa palavra, teria abusado da boa-fé dos seus contemporâneos e também da posteridade.

            “Portanto Jesus, como todos nós, teve um corpo carnal e um corpo fluídico e não somente um corpo fluídico.

            “Aliás, não é nova essa idéia sobre a natureza fluídica do corpo de Jesus. Já no quarto século, Apolinário, de Laodicéia, chefe da seita dos apolinaristas, defendia a tese de que Jesus não tinha tido um corpo como o nosso, de carne e osso, mas, sim, apenas um corpo fluídico, impassível , que descera do céu no seio da Santa Virgem e não nascera dela, pois fora concebido por obra e graça do Espírito Santo. Jesus, portanto,  não nascera, não sofrera e não morrera senão em aparência.

            “Assim pensavam também os docetas, seita numerosa da corrente dos Gnósticos, que subsistiu durante os três primeiros séculos da Era Cristã. (“A Gênese”, cap. XV, ns. 66 e 67)

 

NOSSO COMENTÁRIO

 

                Estamos voltando a esse tema roustainguista do corpo fluídico de Jesus, que Allan Kardec combateu e repudiou, atendendo a inúmeros pedidos de vários leitores, feitos por telefonemas e por cartas e e-mails.

                Mas não é só por isso. A razão principal é que no Estatuto da Federação Espírita Brasileira, logo no primeiro artigo, consta um parágrafo único que diz que o estudo, a prática e a difusão do Espiritismo em todos os seus aspectos, além das obras básicas da Codificação de Allan Kardec, compreenderão também a obra “Os Quatro Evangelhos” de Roustaing, contrariando assim o pensamento do grande Missionário de Lyon, que sempre esteve a serviço do Espírito de Verdade.

                No que se refere ao texto que, novamente, transcrevemos, extraído de “A Gênese” de Allan Kardec, temos que lembrar que Roustaing não gostou nada do que disse o Mestre lionês, ao comparar o roustainguismo com o docetismo dos apolinaristas.

Por isso mesmo, em carta que dirigiu ao grande Missionário da Terceira Revelação, Sr. Allan Kardec, publicada pela FEB como prefácio de “Os Quatro Evangelhos”, edição de 1920, o chamou de “pretensioso”, “ignorante”, pois afirmava o que não conhecia, agindo, portanto, de má fé.

                Deixou então bem claro que Allan Kardec cometeu  um ato de incredulidade, de ignorância e de insensatez elevadas à mais alta potência, ao aceitar o Docetismo como sendo a Revelação da Revelação ou “Os Quatro Evangelhos” de Roustaing.

Mas há ainda um outro grande motivo que nos levou a focalizar novamente o nome do Dr. João Batista Roustaing e o texto de sua obra “Os Quatro Evangelhos” ou “Revelação da Revelação”. Refiro-me ao IV Congresso Jean Baptiste Roustaing, realizado nos dias 7 e 8 de junho em Volta Redonda/RJ, do qual falaremos a seguir.