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ASSIM FALOU ALLAN KARDEC

(Sobre a necessidade da encarnação)

 

            “Não há razão para se duvidar de que o princípio da reencarnação era ponto de uma das crenças fundamentais dos judeus, ponto que Jesus e os profetas confirmaram de modo formal. Donde se segue que negar a reencarnação é o mesmo que negar as palavras do Cristo. Um dia, porém, chegará em que suas palavras, quando forem meditadas sem idéias preconcebidas, prevalecerão sobre esse ponto, bem como em relação a muitos outros, falando-se, é claro, do ponto de vista religioso. Do ponto de vista filosófico sua autoridade aumenta, pois  resulta das provas que  surgem da observação dos fatos.

            “Quando se trata de remontar dos efeitos às causas, a reencarnação surge como de necessidade absoluta como condição inerente à Humanidade; é uma lei da Natureza. (Grifo nosso)

            “Pelos seus resultados, a reencarnação se evidencia de modo por assim dizer material da mesma forma que o motor oculto se revela pelo movimento. Só ela, a reencarnação, pode dizer ao homem donde ele vem, para onde vai, por que motivo está na Terra, bem como justificar todas as anomalias e todas as aparentes injustiças que a vida humana apresenta.

            “Sem o princípio da preexistência da alma e da pluralidade das existências, são ininteligíveis, em sua maioria, as máximas do Evangelho, razão por que têm dado lugar a  tão contraditórias interpretações.

            “A reencarnação fortalece os laços de família, ao passo que a unicidade da existência os rompe.

“Sim, os laços de família não sofrem destruição alguma com a reencarnação, como pensam certas pessoas. Ao contrário, tornam-se mais fortalecidos e apertados. O princípio oposto, sim, os destrói.

            “No espaço, os Espíritos formam grupos ou famílias entrelaçados pela afeição, pela simpatia e pela semelhança das inclinações. Ditosos por se encontrarem juntos, esses Espíritos se buscam uns aos outros. A encarnação apenas momentaneamente os separa, porquanto, ao regressarem à erraticidade, novamente se reúnem como amigos que voltam de uma viagem. Muitas vezes, até, uns seguem os outros na encarnação, vindo aqui reunir-se numa mesma família, ou num mesmo círculo, a fim de trabalharem juntos pelo seu mútuo adiantamento. Se uns encarnam e outros não, nem por isso deixam de estar unidos pelo pensamento. Os que se conservam livres velam pelos que se acham em cativeiro. Os mais adiantados se esforçam por fazer que os retardatários progridam.

            “Após cada existência, todos têm avançado um passo na sendo do aperfeiçoamento. Cada vez menos presos à matéria, mais viva se lhes torna a afeição recíproca, pela razão mesma de que, mais  depurada, não têm a perturbá-la o egoísmo, nem as sombras das paixões. Podem, portanto, percorrer, assim, ilimitado número de existências corpóreas, sem que nenhum golpe receba a mútua estima que os liga...

            “Quatro alternativas se apresentam ao homem para o seu futuro: (l) o nada, de acordo com a doutrina materialista; (2) a absorção no todo universal, de acordo com  doutrina panteísta; (3) a individualidade, com fixação definitiva da sorte, segundo a doutrina da Igreja; (4) a individualidade, com progressão indefinida, conforme a Doutrina Espírita.

            “De acordo com as duas primeiras, os laços de família se rompem por ocasião da morte e nenhuma esperança resta às almas de se encontrarem futuramente. Com a  terceira, há para elas a possibilidade de se tornarem a ver desde que sigam para a mesma região: o Céu ou o Inferno.

            “Com a pluralidade das existências, inseparável da progressão gradativa, há a certeza na continuidade das relações entre os que se amaram e é isso que constitui a verdadeira família”. (Allan Kardec, em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, cap. IV)