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ASSIM FALOU ALLAN KARDEC

  (Dialogando com um sacerdote)

 

Pergunta de um padre: “– Se a Igreja proíbe as comunicações com os Espíritos dos mortos é porque são contrárias à religião, assim como são formalmente condenadas pelo Evangelho e por Moisés. Pronunciando a pena de morte contra essas práticas, Moisés prova quanto elas são repreensíveis aos olhos de Deus”.

Resposta de Allan Kardec: “– Desculpe-me, reverendo, mas essa proibição não se encontra em parte alguma do Evangelho de Jesus; ela está somente na lei mosaica. Trata-se então de se saber se a Igreja coloca a lei mosaica acima da lei evangélica, ou, falando de uma forma diferente; se ela é mais judaica do que cristã.

            “Deve-se mesmo observar que, de todas as religiões, a que tem feito menos oposição ao Espiritismo é a judaica, e que ela não recorreu à lei de Moisés, sobre a qual se apóiam as seitas cristãs, contra as evocações. Ora, se as prescrições bíblicas são o código da fé cristã, por que vetar a leitura da Bíblia? O que se diria, se fosse proibido a um cidadão, estudar o código das leis do seu país?

            “A proibição de evocar os mortos  feita por Moisés tinha, na época, a sua razão de ser, porque o legislador hebreu queria que o seu povo rompesse com os costumes herdados dos egípcios, ainda mais que, aqueles a que nos referimos aqui, eram motivo de abusos. Os mortos não eram evocados pelo respeito e pela afeição a eles, nem com sentimento de piedade, mas como um meio de adivinhação, objeto de um tráfico odioso explorado pelo charlatanismo e pela superstição. Moisés, portanto, teve toda razão em proibi-lo. Se ele decretou uma penalidade severa contra esse abuso, é porque eram necessários meios rigorosos para disciplinar aquele povo. A pena de morte também era muito empregada na sua legislação.

            “Provar o grau de culpabilidade da evocação dos mortos, apoiando-se na severidade do castigo, é um erro.

            “Se a proibição de evocar os mortos vem mesmo de Deus, como a Igreja afirma, deve ter sido também Deus que ordenou a pena de morte contra os delinqüentes. Essa pena, portanto, tem uma origem tão sagrada quanto a proibição. Por que não a conservaram?

            “Se a lei de Moisés é, para a Igreja, um artigo de fé sobre um ponto, por que não é também sobre todos? Por que recorrem a ela, quando sentem necessidade e a repudiam quando não lhes convém? Por que não seguem todas as suas prescrições, a circuncisão, por exemplo, que Jesus sofreu e não aboliu?!

“Na verdade, havia na lei mosaica duas partes: primeira, a de Deus, resumida nas Tábuas da Lei: os Dez Mandamentos ou Decálogo; segunda , a lei civil ou disciplinar, apropriada aos costumes do seu tempo.

“Hoje as circunstâncias não são mais as mesmas, e, logicamente, a proibição decretada por Moisés não tem sentido. Aliás, se a Igreja proíbe que se chamem os Espíritos, por meio da evocação, poderá ela impedir que eles venham sem serem chamados?! Diariamente não são vistas pessoas que jamais se ocuparam com o Espiritismo e que nem o conheciam antes que ele fosse divulgado, terem manifestações de todos os gêneros?!

“Outra contradição: se Moisés proibiu que se evocassem os Espíritos dos mortos, então é porque esses Espíritos podem vir, do contrário, sua proibição seria inútil. Logicamente, se, na época de Moisés, eles podiam vir, hoje também podem, e, se são os Espíritos dos mortos que vêm, eles não são exclusivamente demônios...

                “É preciso que haja lógica, antes de tudo...”(Ver “O Que é o Espiritismo” – Conversa com um padre – Edição CELD, págs. 151 a 153)

 NOSSO COMENTÁRIO

Como se pode ver, claramente, Allan Kardec, ao lançar, em 1859, seu livro “O Que é o Espiritismo”, demonstrou ser inteiramente favorável à prática da evocação dos Espíritos.

 Isso ele reiterou no “Livro dos Médiuns”, ou “Guia dos Evocadores”, declarando no cap. XXV, nº 269, da segunda parte: “- Pensam algumas pessoas que todos nós devemos nos abster de evocar tal ou qual Espírito, sendo preferível  esperar aquele que queira comunicar-se, espontaneamente (...) Em nossa opinião, isso é um erro...”

            Fez, inclusive, questão de apresentar os motivos pelos quais considerava um erro não evocar os Espíritos.    

E Kardec foi mais longe, ao declarar: “ Qualquer pessoa pode evocar os Espíritos, que sempre atendem ao chamado que se lhe dirige” (nº 282, itens 1 e 2º).

Afirmou ainda o Codificador: – O Espírito superior vem sempre que é chamado com uma finalidade útil e responde às perguntas com a melhor boa vontade. Só se nega a responder, quando percebe que foi evocado por pessoas pouco sérias, que nada mais desejam do que divertir-se à custa das respostas obtidas”. (ítem 8º)

Pois bem, apesar de Allan Kardec ter feito essa afirmação tão categórica, o médium Francisco Cândido Xavier, do Grupo Espírita “São Luiz Gonzaga”, de Pedro Leopoldo, psicografou, em fins de 1939, mensagens ditadas por Emmanuel, seu Guia e Mentor Espiritual, que foram reunidas num livro intitulado “O CONSOLADOR”, publicado pela Federação Espírita Brasileira, em 8 de março de 1940.

Essa obra consiste de várias questões que foram submetidas à apreciação de Emmanuel. Na de nº 268, ele declara: “ – De modo algum se deve provocar manifestações mediúnicas...”  Na seguinte (nº 269), ele diz: “ – Não somos dos que aconselham a evocação dos Espíritos, direta e pessoal, em caso algum...”

Como se vê, enquanto Kardec considerava um erro não se evocar os Espíritos, Emmanuel pensava e afirmava, por intermédio do Chico,  justamente o contrário: – É um erro evocarmos os Espíritos. Por isso não aconselhamos essa prática, de jeito nenhum”.

E não se pode dizer que ambos, Emmanuel e o Chico desconhecessem o que o Codificador disse, pois, no final dessa mesma questão, o próprio Emmanuel declarou: “ – Allan Kardec se interessou pela evocação direta, procedendo a realizações dessa natureza...” Mas, procurando justificar essa prática do Missionário lionês, acrescentou: “- A evocação dos Espíritos constituía uma ‘tarefa excepcional” para ele”.

Agora, o que causa estranheza é que o próprio mentor espiritual do Chico, certa vez lhe disse: “- Chico, você deve, acima de tudo, procurar as lições de Kardec (...) Se um dia eu, seu mentor espiritual, lhe aconselhar algo que não esteja de acordo com as palavras de Kardec, fique com o que ele disse e esqueça o que eu tenha afirmado a você”.

Entretanto, na verdade, no que diz respeito à evocação dos Espíritos, Chico preferiu ficar com o que disse seu Guia Espiritual e não com Allan Kardec. Tanto assim que certa vez declarou numa entrevista, quando o repórter de um jornal espírita pediu sua opinião sobre a evocação dos Espíritos: “ – Meu amigo, o telefone só toca de lá para cá”, o que é um verdadeiro absurdo, porque, em toda parte, desde o mais antigo até o moderno celular, o telefone não só toca quando alguém de fora quer falar conosco, como também  quando nós queremos nos comunicar com alguém que esteja longe de nós, para fazer perguntas e dar-nos  informações sobre qualquer assunto ou fato.

Quem aceitou o que disse Allan Kardec em prol da evocação dos Espíritos para ser usada como instrumento de pesquisa da Ciência Espírita, foi Júlio Abreu Filho, grande estudioso das obras da Codificação Espírita, que meu querido e saudoso pai e mestre, Severino Prestes Filho, chegou a conhecer pessoalmente e pelo qual demonstrou sempre grande admiração.

Vejamos então, a seguir, o que foi que disse Júlio Abreu Filho no final do seu livro “ERROS DOUTRINÁRIOS”.