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ASSIM FALOU ALLAN KARDEC

(Sobre os médiuns e os feiticeiros)

             “Em todas as épocas existiram médiuns naturais e inconscientes, que, somente porque produziram fenômenos insólitos e incompreendidos, foram qualificados de feiticeiros e acusados de pactuarem com o diabo. O mesmo aconteceu com a maioria dos sábios que possuíam conhecimentos acima do comum. A ignorância exagerou o seu poder, e eles mesmos (os médiuns) muitas vezes abusaram da credulidade pública, explorando-a; daí a justa reprovação de que têm sido objeto.

            É suficiente comparar o poder atribuído aos feiticeiros e a faculdade dos verdadeiros médiuns, para se verificar a diferença, mas a maioria dos críticos não se dá a esse trabalho.

            O Espiritismo não ressuscitou a feitiçaria. Ao contrário, ele a destruiu para sempre, despojando-a do seu pretenso poder sobrenatural, de suas fórmulas, livros de magia, amuletos e talismãs, reduzindo os possíveis fenômenos ao seu justo valor, sem sair das leis naturais.

            A semelhança que certas pessoas pretendem estabelecer, provêm do erro em que elas se encontram ao julgar que os espíritos estão às ordens dos médiuns; a crença de que possa depender do primeiro médium, fazer vir, à sua vontade, e no momento oportuno, o espírito deste ou daquele personagem mais ou menos ilustre, não é aceita pela razão dessas pessoas. Nesse ponto elas estão inteiramente certas, e, se, antes de censurarem o Espiritismo, tivessem tomado o cuidado de descobrir as suas causas, saberiam que ele diz positivamente que os espíritos não estão sob os caprichos de pessoa alguma e que ninguém pode fazê-los vir a seu bel-prazer e contra a vontade deles, de onde se conclui que os médiuns não são feiticeiros.

            Não quero dizer com isso que todos os efeitos que certos médiuns obtêm, à vontade e em público, sejam apenas charlatanice. Não falo de maneira absoluta. Tais fenômenos não são impossíveis porque há Espíritos  de baixa categoria que podem se prestar a essa espécie de fatos e que se divertem com isso, tendo talvez exercido a profissão de prestidigitadores quando vivos na Terra e também médiuns especialmente aptos a esse gênero de manifestações; porém o mais comum bom senso repudia a idéia de que os Espíritos, embora pouco elevados, viessem fazer exibições e façanhas para distrair os curiosos.

            A obtenção desses fenômenos à vontade, e, sobretudo, em público, é sempre suspeita. Nesses casos a mediunidade e a prestidigitação se tocam a tal ponto que é bem difícil distingui-las. Antes de se ver ali a atuação dos Espíritos, é preciso fazer minuciosas observações e ter em conta seja o caráter e os antecedentes do médium, seja um grande número de circunstâncias que só um estudo aprofundado da teoria dos fenômenos espíritas pode fazer apreciar.

            É preciso observar que esse gênero de mediunidade, quando existe mediunidade, é limitada à produção do mesmo fenômeno, com algumas variantes, o que não é próprio para dissipar as dúvidas. Um desinteresse absoluto seria a melhor garantia de sinceridade.

            Qualquer que seja a realidade desses fenômenos, como efeitos mediúnicos, eles têm um bom resultado, porque dão divulgação à idéia espírita. A controvérsia que se estabelece a esse respeito leva muitas pessoas a um estudo mais aprofundado.

            Certamente não é ali que é preciso ir buscar as instruções do Espiritismo, nem a filosofia da Doutrina, mas é um meio de chamar a atenção dos indiferentes e obrigar os mais recalcitrantes a falarem dele” (Fonte: “O Que é o Espiritismo” de Allan Kardec)

NOSSO COMENTÁRIO

                 Pelo que se percebe da fala de Allan Kardec, o verdadeiro Espiritismo não tem nada a ver com a magia, o curandeirismo,  a prestidigitação com pretenso poder sobrenatural decorrente de emprego de rituais, amuletos, talismãs, usados pelos pagés e feiticeiros e empregados nas danças religiosas dos povos primitivos, indígenas e africanos.

            No Brasil colonial foram os negros escravos, arrancados da África e trazidos à força nos famosos navios negreiros, que trouxeram as práticas místicas dos bantus vindos de Mandinga, grandes idólatras,  imbuídos de magia e encantamentos. Era nos terreiros das casas grandes dos senhores de engenho que se praticavam esses cultos. Entretanto, para evitarem a perseguição e os maus tratos dos seus senhores católicos, os escravos passaram a adotar e idolatrar também os símbolos, as imagens, os cânticos, os usos e costumes impostos pelo clero jesuítico. Surgiram assim as chamadas “associações híbridas”, as “crenças mestiçadas dos negros baianos”, resultado do contato das religiões africanas com o catolicismo luso-brasileiro, que era a religião oficial do Estado. Esse fenômeno de fusão religiosa ficou, na História do Brasil, conhecido como “sincretismo religioso” ao qual se juntou depois a prática mediúnica aprendida no “Livro dos Médiuns” de Allan Kardec.

            Surgiu, desta forma, aqui na América, o que ficou conhecido como “baixo espiritismo”, praticado nos terreiros, nos candomblés, nas tendas, nas instituições de filhos e filhas de santos.

            E a coisa se desenvolveu de tal forma aqui, na chamada “Pátria do Evangelho”, que a própria Federação Espírita Brasileira, criada em janeiro de 1884, pelos “pioneiros” roustainguistas, passou a confundir Umbanda e Quimbanda com Espiritismo, ao declararem seus presidentes: “É Espiritismo, sim, mas não Doutrina Espírita”.  O próprio médium de Pedro Leopoldo, influenciado por seu mentor e protetor espiritual, Emmanuel, aceitou essa classificação.

            Ora, esse tipo de espiritismo, fruto do sincretismo religioso, que se tornou banal no Brasil, não existia na França, quando por lá passou, no corpo físico, nosso grande Mestre e Missionário Allan Kardec.                                  

            Era preciso, pois, que ele voltasse e observasse bem tudo isso que se praticava e, infelizmente, ainda se pratica por aqui, como sendo “Espiritismo mas não Doutrina Espírita”, como afirmaram, erradamente, os presidentes da FEB.

            Somente assim ele, Allan Kardec reencarnado, poderia dar por concluída sua missão, iniciada em 1854, como previu o grande e luminoso Espírito de Verdade. Cabia-lhe, portanto, separar o joio do trigo, ou seja, mostrar a verdade dos fatos.