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GÉLIO LACERDA DA SILVA CRITICA "OS QUATRO EVANGELHOS" DE ROUSTAING

Em seu livro "Conscientização Espírita", lançado em 1995 pela Editora EME de Capivari/SP, nosso saudoso companheiro de trincheira, na luta contra o falso espiritismo, Gélio Lacerda da Silva, nos diz o seguinte:

"Propusemo-nos analisar partes de "Os Quatro Evangelhos" de Jean Baptiste Roustaing, livro editado pela Federação Espírita Brasileira e por ela adotado para estudo, ininterrupto, desde sua fundação, em 1884.

Apontar todos os conceitos antidoutrinários contidos nesses quatro grossos volumes, seria o mesmo que escrever outros tantos livros..

"Aos títulos acima se sucedem as palavras "Seguidos dos mandamentos explicados em espírito e verdade pelos Evangelistas assistidos pelos Apóstolos e Moisés". A tradução é de Guillon Ribeiro (ex-presidente da FEB). Temos a 5ª edição, 197l.

"De início, uma ‘Nota da Editora’, enaltecendo as qualidades intelectuais do tradutor, Guillon Ribeiro, informando que ele foi presidente da Federação Espírita Brasileira durante vinte e seis anos consecutivos, tendo desencarnado em 26 de outubro de 1943.

"Na folha seguinte, há uma ‘recomendação’ da Editora: ‘Para que o leitor possa compreender e assimilar os ensinamentos contidos nesta obra, necessário se torna que, primeiramente, leia as seguintes obras de Allan Kardec: ‘O Livro dos Espíritos’, e ‘O Livro dos Médiuns’.

"Esclareça-se, desde já, que Roustaing transplantou para o seu livro a terminologia espírita dos livros de Kardec, motivo por que a FEB faz essa recomendação. Tão só, porque, com relação à essência da doutrina espírita, Roustaing modificou-a completamente, como adiante se verá, introduzindo assim o primeiro cisma no Espiritismo.

"Nas páginas 9 a 12, sob o título ‘DUAS PALAVRAS’, o tradutor (Guillon Ribeiro) se revela deslumbrado com a obra de Roustaing e se confessa ‘muito aquém do encargo recebido’.

"Eis aqui pequena mostra das ‘DUAS PALAVRAS’, que ocupam quatro páginas do livro: ‘De nenhum modo pretendemos realçar aqui, em duas palavras, o valor e a importância, verdadeiramente extraordinários desta obra incomparável, única até hoje no mundo, onde, dia a dia, à medida que for sendo calmamente estudada e meditada, avultarão a sua grandiosidade e a sua profundeza. Para o fazermos, talvez nada menos de um volume houvéramos de escrever, quando não nos faltasse capacidade’.

"Note-se o fascínio do tradutor, julgando necessário escrever pelo menos um volume, a título de prefácio da obra de Roustaing, se não lhe faltasse capacidade. Se realizasse o seu intento, estaria apenas seguindo o estilo prolixo do seu mestre Roustaing, já mencionado por Kardec, quando este, na sua crítica a ‘Os Quatro Evangelhos’ de Roustaing, afirmou que ‘a obra poderia ter sido reduzida a dois, ou menos, a um só volume e teria ganho em popularidade’ (Revista Espírita, Edicel, junho de 1866).

"E acrescenta o tradutor: ‘Nela se encerra toda uma revelação de verdades divinas que ainda em nenhuma outra fora dado ao homem entrever. Ela nos põe sob as vistas, banhado numa claridade intensíssima, que por vezes ainda nos ofusca os olhos tão pouco acostumados à luminosidade das coisas espirituais, esse código de sabedoria infinita que se há-de tornar o código único dos homens - os Evangelhos de Jesus. Tanto basta para que a sua preciosidade assinalada fique’.

"O tradutor, por certo, conhecia os livros de Kardec, mas o seu fascínio pelo livro de Roustaing dá a medida exata do pouco ou nada que para ele representaram os ensinos da Codificação Kardequiana. Diante da ‘claridade intensíssima’ da obra roustainguista, que lhe ofuscou os olhos, vemos o tradutor imitando Paulo quando, na estrada de Damasco, ficou temporariamente cego pela luminosidade de Jesus.

"Concluindo o resumo das ‘Duas Palavras: ‘Se, apesar dessa assistência e dessa misericórdia, ficamos muito aquém do encargo recebido, como é nossa convicção, que nos perdoem os que lerem esta tradução da obra imorredoura dos ‘Quatro Evangelhos’, explicados em espírito e verdade’..."

"Por questão de respeito, não diremos que a ‘verdade’ roustainguista é uma grosseira mentira, mas, afirmamos, convictos. e o leitor constatará, que a verdade de Roustaing não é a verdade espírita.

"É curioso ressaltar que, no livro de Roustaing, o tradutor enaltece, apaixonadamente, a obra. Já no ‘Evangelho s/o Espiritismo’ de Allan Kardec, edições da FEB, também traduzidos por Guillon Ribeiro, este não escreve sequer uma palavra sobre o livro. Em lugar disso, na 77ª edição, por exemplo, lêem-se elogios da Federação à erudição do tradutor.

"No seu ‘Prefácio’, às págs. 57/67, Roustaing explica o porquê de "Os Quatro Evangelhos": - Li 'O Livro dos Espíritos'. Nas páginas desse volume encontrei uma moral pura, uma doutrina racional, de harmonia com o espírito e progresso dos tempos modernos, consoladora para a razão humana; a explicação lógica e transcendente da lei divina ou natural, das leis de adoração, de trabalho, de reprodução, de destruição, de sociedade, de progresso, de igualdade, de liberdade, de justiça, de amor e caridade, de aperfeiçoamento moral, dos sofrimentos e gozos futuros.

‘Em seguida, deparei com explicações judiciosas acerca da alma no estado de encarnação e no de liberdade; do fenômeno da morte, da individualidade e das condições de individualidade da alma após a morte; do que se chamou anjo e demônio; dos caminhos e meios, dos agentes secretos ou ostensivos de que se serve Deus para o funcionamento, o desenvolvimento, o progresso físico dos mundos; do progresso e desenvolvimento físico, moral e intelectual de todas as suas criaturas’.

‘Encontrei ainda a explicação racional da pluralidade dos mundos; da lei do renascimento...’

"Como se vê, Os Quatro Evangelhos foram ditados a Roustaing , para atendê-lo nas suas dúvidas quanto à origem e a natureza de Jesus. Os Espíritos mistificadores, contudo, foram além da expectativa de Roustaing; satisfizeram-no com a teoria de um Jesus de natureza extra-humana, não gerado por Maria, enfim, um agênere, ressuscitando a ideologia docetista..."

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