ofplogo.gif (4994 bytes)


COMENTÁRIO VIA INTERNET

Recebemos e-mail de um confrade que, após ler o nosso site de março, nos diz o seguinte:

"Vi um artigo neste site sobre o roustainguismo. Trata-se de uma discussão caduca, que já havia sido expurgada do Espiritismo, mas que, com os novos recursos da Internet, vem ganhando novo alento. Esta disputa entre roustainguistas e anti-roustainguistas vem incomodando a nós, espíritas que não temos nada a ver com isso. Explico porquê. Como a Internet tem acesso público, as pessoas pensam que o Espiritismo é um saco de gatos, em que seus adeptos não se entendem. E não é. Essa disputa em torno de Roustaing é feita por uma minoria de roustainguistas e anti-roustainguistas e nada tem a ver com a orientação de Kardec, que proclamou o respeito às posições alheias, fossem quais fossem. Ele condenou, explicitamente o proselitismo. Se condenou que as pessoas tentem arrebanhar adeptos para o Espiritismo, que não diria ele, hoje, se visse, dois grupos antagônicos se digladiando dentro do Espiritismo, cada um querendo impor sua opinião. Enquanto esses grupos antagônicos ficam preocupados um em derrotar o outro, nós, que somos a grande maioria do Movimento Espírita, estamos trabalhando e seguindo a orientação de Kardec de fazer da Doutrina Espírita o Consolador Prometido, pouco se nos dando se Jesus teve um corpo fluídico ou não. Digo isso, até com uma certa veemência, porque jamais vi, em qualquer movimento religioso, as pessoas se insultando mutuamente por motivo de crença religiosa.

"Um exemplo disso é que os dois grupos consideram a influência da Igreja Católica dentro do Espiritismo. Os roustainguistas afirmam que os anti-roustainguistas estão querendo trazer para dentro do Espiritismo o dogma dos católicos da infalibilidade papal, pois estes (os anti-roustainguistas) afirmam (não sou eu quem digo) que a questão do corpo fluídico já está resolvida desde que Kardec deu sua posição em "A Gênese". Por outro lado, tenho visto crítica contrária: desta vez são os anti-roustainguistas que afirmam que os roustainguistas querem trazer a influência católica para dentro do Espiritismo, pois os espíritos que ditaram a obra a Roustaing (também não sou eu que digo) não foram os apóstolos e os evangelistas, mas padres disfarçados. Enquanto isso, nós, que somos a grande maioria dos espiritas, estamos trabalhando para evitar que o Espiritismo se torne uma seita religiosa, em que as pessoas prefiram, ao invés do trabalho, as discussões estéreis. Agora, sim, sou eu quem digo: com essa discussão inútil, estão tentando reviver as discussões bizantinas sobre o sexo dos anjos. Essa disputa entre roustainguistas e anti-roustainguistas não tem respeitado nem mesmo figuras respeitáveis da doutrina. Certa vez, vi críticas a Emmanuel, guia de Chico Xavier. Entendo que a crítica era motivada pelo calor da disputa entre os grupos rivais, mas a afirmação era de que Emmanuel, por ter sido o Padre Manuel da Nóbrega, estava trazendo influência católica (sempre o mesmo argumento) para o Espiritismo. É interessante que o autor da crítica talvez se esqueceu de ler o texto de Kardec que diz que os guias espirituais jamais podem ser inferiores aos encarnados que dirigem. Se conhecemos a elevação espiritual de Chico Xavier, que dizer de Emmanuel, que foi seu guia espiritual?

O pior de tudo é que essa disputa já tem contaminado alguns espíritas tradicionais. Certa vez, fui à União Espírita Mineira, que se situa próximo à rodoviária de Belo Horizonte e é freqüentada por gente das classes média e baixa, onde não é rara a presença nos salões de prostitutas, ladrões e viciados em drogas. Pois bem, em uma palestra para o público tão heterogêneo, o orador falou na ‘mistificação roustainguista’. Como Kardec disse, devemos respeitar o ponto de vista de todos e críticas dessa natureza jamais poderiam ser feitas dentro de um centro espírita. Além disso, acho pouco provável que o publico presente à palestra sequer houvesse ouvido falar de Roustaing.

"Pelo que pude ver do texto, os senhores são anti-roustainguistas. Nada tenho contra a opinião dos senhores, como também não critico o ponto de vista dos roustainguistas. Porém, quero fazer um apelo: os senhores estão com um site público, e, logicamente, isso não aconteceu por acaso, pois, como disse Kardec, o acaso não existe. Estarão os senhores cumprindo a orientação do Codificador, levando essa polêmica para os seus leitores?

"Finalmente, quero lembrar uma intervenção de Gamaliel, que Lucas anotou em Atos dos Apóstolos. Disse ele, referindo-se à doutrina de Jesus, que, se era obra dos homens, acabaria por desaparecer. Contudo, se fosse obra dos homens (sic), por mais que fizessem não conseguiriam destruí-la, e, nesse caso, estariam lutando contra Deus. Digo o mesmo para roustainguistas e anti-roustainguistas: se a opinião do grupo contrário estiver errada, um dia descobriremos isso. Contudo, se ela estiver certa, não será com insultos que a idéia será destruída. E, nesse caso, concluiremos que o seu grupo defendeu uma idéia errada.

"Pense (sic) e manerem nas críticas ao grupo contrário’

NOSSA RESPOSTA

Leitor amigo: li com muito interesse e atenção a mensagem que me enviou. Tomei-a, a princípio, como um desafio; sim, desafio para um duelo de idéias, que eu estava disposto a aceitar. Mas, como em outro e-mail, o sr. me declarou que não se tratava de um desafio e não queria discussão nenhuma sobre esse tema, não sou eu que vou provocá-lo.

O direito que temos de expressar os nossos pensamentos é um direito sagrado. E o sr. soube expressar os seus, de maneira clara e objetiva. Continue defendendo o que considera melhor. Respeito tudo que disse. Só que não me convenceu com seus argumentos.

Continuarei, pois, com Allan Kardec, e aceitando, sem fanatismo, tudo que o querido Mestre declarou em sua última obra "A Gênese" .

E falo em nome da fraternidade que deve nos unir. Um cordial abraço.

<<< Voltar