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CORRESPONDÊNCIA VIA e-MAIL

            Recebemos do Sr. Paulo Afonso, de Taguatinga/DF o seguinte e-mail:

            “Sr. Erasto.

“Diz Ismael Gomes Braga em ‘Elos Doutrinários que Kardec enviou mensagem do Plano  Espiritual por um médium sério, afirmando que Jesus não teve um corpo de carne e osso como nós.

            “Como não conheço a mensagem, não tenho meios de avaliar se é verdadeira ou falsa. Contudo, vamos supor que seja verdadeira. Nesse caso, Kardec terá apenas mudado de opinião, sem maiores conseqüências. Como diz o ditado, só não muda de opinião quem não tem opinião (...) Enquanto Kardec pode mudar sua opinião, sem ter qualquer tipo de remorso, o mesmo não deve ocorrer com  certos anti-roustainguistas, que fazem da questão do corpo que Jesus teve na Terra um verdadeiro cavalo de batalha.

            “Essa é a razão pela qual sugiro que o senhor pare com  os ataques tanto à obra de Roustaing como à F.E.B. Imaginemos que, ao desencarnar, o senhor constate que se enganou (...) Poderá aceitar as  novas idéias com  a consciência tranqüila?! Pense nisso!”.

NOSSA RESPOSTA 

Sr. Paulo Afonso.                                      .

            Em primeiro lugar, para o sr. não afirmar, novamente, que costumo criticar aquilo que não conheço, devo dizer-lhe que tenho comigo (Estante “A”, Prateleira “I”, nº 026), o livro “Elos Doutrinários” de Ismael Gomes Braga, que li e do qual não gostei, porque, levado por seu fanatismo febeano-roustainguista, chegou ao cúmulo de afirmar que “o roustainguismo é um curso superior de Espiritismo (pág. 36), com o que o sr., naturalmente, concorda. Ora, o próprio Roustaing, em carta dirigida a Kardec, em junho de 1861 (Revista Espírita, Edicel, p. 36), se considerava inferior ao querido missionário lionês, tanto assim que o tratou de “chefe espírita”, e, no prefácio da obra “Os Quatro Evangelhos”, que não é sua, mas leva o seu nome, confessa, humildemente, que aprendeu Espiritismo com ele, Kardec, lendo “O Livro dos Espíritos” e “O Livro dos Médiuns”. Admite, portanto, que era um subalterno e, ao mesmo tempo, um aluno novato. Em vista disto, acho que Ismael Gomes Braga, na verdade, não estava regulando muito bem da cabeça, quando fez aquela afirmação. Não se dava conta, mas estava debaixo de uma obsessão.

Mas o Sr. tem mesmo razão, esse tal Gomes Braga, na pág. 100 do seu livro (que o sr. não citou, mas faço questão de o fazer), afirma: “... Kardec, como Espírito, tornou-se partidário da teoria de que Jesus foi um agênere, um corpo fluídico”.

            Se isto aconteceu, realmente, tenho certeza absoluta de que a pessoa que recebeu essa mensagem não era um médium sério, e sim um leviano qualquer, irresponsável, desses que aceitam como verdade absoluta tudo que procede dos Espíritos, sem um exame sério, criterioso, calcado no bom-senso, na razão e na lógica como preconizava Kardec e deixou bem claro em suas obras.

... Para mim, o mestre lionês, depois de desencarnado, não fez nenhuma dessas declarações, que os roustainguistas lhe atribuem. Para mim e para muita gente boa. Como sabe muito bem, nenhum Espírito  retrograda, muito menos um Espírito Superior, como o de Allan Kardec, que, para esclarecer as “coisas duvidosas” que encontrou em “Os Quatro Evangelhos”, lançou ao público, em 1868, seu último livro “A Gênese”, em que deixou bem claro que não aceitava a teoria roustainguista. Logo, ele não iria nunca, como Espírito, se manifestar em nenhum centro, por mais bem orientado que fosse, para se contradizer, para dizer que estava enganado em relação a tudo que afirmara com tanta segurança. É claro como água cristalina e pura: Kardec, como Espírito Superior errante, continua, desde 1869, a ser o mesmo Kardec que foi de 1854 até sua desencarnação...

            Allan Kardec, como sabe, definiu o Espiritismo como uma Ciência. Logo, todo aquele que se diz espírita de verdade, deve ter sempre um comportamento de cientista. E um verdadeiro cientista não pode basear seus argumentos numa “mensagem que não conhece”, como o Sr. afirmou, e, por isso mesmo “não tem meios de avaliar se é verdadeira ou falsa”. Nem pode, muito menos, fazer “suposições” descabidas como fez, admitindo que Kardec mudou de opinião. Que infantilidade!

É preciso trabalhar de modo sério, Sr. Paulo Afonso, e, para isto, eu proponho o seguinte: organize, aí na cidade onde reside, ou em outro lugar qualquer, um grupo de pessoas, sendo o mesmo número tanto de kardecistas como de roustainguistas, que conheçam bem a Doutrina Espírita; pessoas sérias e responsáveis, imbuídas, sinceramente, do desejo de por em pratos limpos a questão roustainguista, que já dura anos. Desse grupo, bem selecionado, devem participar também, médiuns videntes, previamente submetidos a testes rigorosos e psicógrafos bem desenvolvidos. Em seguida, após a abertura da sessão, evoquem-se os Espíritos de Allan  Kardec, Léon Denis, Gabriel Delanne e também de J.B. Roustaing, Ismael Gomes Braga, Emmanuel, Bezerra de Menezes, e agora também  - por que não ?! – de Chico Xavier, que, segundo a Dra. Marlene Nobre, foi Allan Kardec na última encarnação. Evoquem-se esses Espíritos, sim, porque o querido Mestre Lionês nunca foi contra a evocação; muito pelo contrário, achava que este era o melhor instrumento de pesquisa da Ciência Espírita (“O Livro dos Médiuns”, cap. XXV, nº 269). E foi ele mesmo quem afirmou que os Espíritos Superiores sempre comparecem a sessões sérias, como essas que estou sugerindo promover.

Nessas sessões, deverá ser feita a seguinte pergunta: "Quem está com a razão: Allan Kardec, o missionário escolhido pelo Espírito de Verdade, declarando, quando encarnado, que Jesus foi um Espírito Puro, encarnado como homem de carne e osso como nós, ou esse Allan Kardec (Espírito), citado por Ismael Gomes Braga, que se manifestou, dizendo que estava completamente enganado, pois tinha agora, como Espírito errante, certeza de que Jesus, ao contrário do que dissera antes, não foi um homem, como nós, de carne e osso, e sim, apenas um “corpo fluídico”, um ”agênere”.

Que cada um dos Espíritos evocados, presentes, se manifeste por sua vez, e tudo que disserem, via psicofonia, seja gravado, e, via psicografia, seja lido e analisado pelos membros do grupo.

Sr. Paulo Afonso, vamos agir como verdadeiros cientistas espíritas. Vamos evocar os Espíritos; vamos dialogar com os Espíritos; vamos analisar, cientificamente, o que eles nos disserem  ou nos ditarem por via mediúnica. Confio, plenamente, no Sr. que, tenho certeza, fará o que Allan Kardec deixou escrito em “O Livro dos Médiuns”. Tome, por favor, as providências cabíveis e me avise, com  antecedência, que farei o possível e o impossível, para comparecer às sessões que forem  programadas. E juro pelo que tenho de mais sagrado, que, se o Codificador (em Espírito), declarar que, ao desencarnar, viu que estava enganado e deixou de ser kardecista, passando a ser roustainguista, eu deixarei de criticar a F.E.B. e, publicamente, declararei que não sou mais espírita, porque fui, estupidamente, enganado por aquele em quem eu mais confiava...

A partir de hoje, não mais lhe enviarei mensagem nenhum via e-mail. Ficarei, tranqüilamente, aguardando uma resposta sua.

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