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O QUE DIZ A DOUTRINA

                É interessante como termos vão se enfileirando no cenário espírita, e muitos os começam a usar, como se de verdade fizessem parte do linguajar espirita. Dois desses traduzem fenômenos muito comentados e pouco entendidos. O primeiro é o “Viagem astral”:

                É incrível como muitos espíritas os usam até em palestras, quando se repensassem, não o usariam, pois, para mim soa-me como motivo de risos...

                Viagem astral seria como se pegássemos um aeróbus e passeássemos, fazendo baldeações na lua, no sol, nas estrelas, dessa maneira estaríamos a fazer uma viagem astral por excelência.

                Que os esotéricos os usem, ou mesmo os teosofistas, muito que bem, mas espíritas, e espíritas palestrantes?! É matizar de bobagens, o cenário em que deveriam aparecer ensinamentos que conduzissem o público ouvinte ou leitor a maior aprendizado doutrinário..

                Não é sem razão que o famoso José Herculano Pires, atesta que ninguém no Brasil ou no mundo, conheça o Espiritismo. Herculano nos incita até mesmo a providenciarmos o MOBRAL do Espírito, para que, dessa maneira, pudéssemos, ao rigor da máxima de Sócrates, nos entender desconhecedores da doutrina e desse ponto em diante, colocarmo-nos a caminho do aprendizado, partindo das primeiras letras da doutrina.

                Então eu pergunto:  – Por que isso? Modismo, atualização vernáculo-doutrinária, ou simplesmente brincadeira de mau gosto?

                Seja o que for, compete-nos, espíritas que somos, não difundir impropriedades ou sandices, pois em nome de um pretenso saber espírita, empalidecemos o Movimento Espírita brasileiro, e ele já anda tão exangue!...

                O outro termo é o “DESDOBRAMENTO”. Esse então chega a causar dor de barriga de tanto rir, querem ver?

                Desdobrar evoca o pensamento de estar o móvel do desdobramento, anteriormente dobrado, é, sim, tipo como se fosse uma folha de papel, um bilhete de loteria, uma carteira...

                Ora, um espírito não é um ser dobrável, nunca assim esteve, a não ser em linguagem figurada, quando se quer explicar que tal e tal espírito se desdobram ante aos maus pensamentos, etc. Ora, em não sendo assim, falar-se em desdobramento e o pior, duplicando-se a sandice, afirmar-se sobre “desdobramento astral”, seria dar-se aos astros, também essa maneabilidade flexível que eles não têm.

E isso tudo em moldes doutrinários, pasmem os amigos...

Kardec, que, pelas palavras de Flammarion, foi brindado com o cognome “O Bom Senso Encarnado”, haverá de Ter-se “dobrado” no túmulo, de vergonha por ver a doutrina que levou quase doze anos para codificar, das comunicações dos espíritos, ser levada ao ridículo por uma meia dúzia de gatos pingados, que não acham “nada demais”, em usarem tais expressões. É triste!...

                Ele cunhou um termo específico que alude aos dois termos acima, e diz com propriedade sobre esse tipo de acometimento, o termo é : Emancipação da Alma.

Para esse estado, o Codificador elencou todo o capítulo VIII da obra “O Livro dos Espíritos”...

                É nesse estado, o de Emancipação da Alma que consegue-se estar afastado do corpo carnal, e pode assim o espírito dar curso a seu aprendizado, visitar os que lhe são caros, etc.

                Emancipação da Alma, termo genuinamente espírita,  termo que explica, clara e sem margem a dúvidas,  o momento pelo qual passa o espírito.

                A vista disso é que não compreendo o porque se usarem os tais “Viagem Astral” ou “Desdobramento”.

                Se um dos leitores me puder explicar, por favor, faça essa caridade, senão vou continuar a pensar que esses confrades palestrantes estão é a viajarem, não no Astral, mas na maionese!

                Muita paz.

                Rio de Janeiro/RJ, 04 de setembro de 2004

                               Raimundo de Moura Rêgo

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