ofplogo.gif (4994 bytes)   


APARENTE CONTRADIÇÃO

Recebi de um leitor amigo o seguinte comentário: “Li O Franco Paladino de dezembro/2004 e percebi uma aparente contradição entre o que está contido na folha l e o que se encontra em “Obras Póstumas”. No seu Boletim, o Sr. disse: ‘No séc; XIX, o Espírito de Jesus se manifestou diretamente a Kardec, apresentando-se como o Espírito de Verdade (A Verdade)’. Todavia, em Obras Póstumas é dito que o Espírito de Verdade é o Guia Espiritual de Kardec. A não ser que o Guia Espiritual de Kardec fosse Jesus. O Sr. poderia esclarecer-me?

“Aproveito para dizer que o seu trabalho no Franco Paladino é digno de nota. Parabéns”.

Em resposta ao distinto confrade, fizemos o seguinte esclarecimento:

“No cap. VI, nº 3, de O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec transcreveu uma passagem do Evangelho de João, que deixa bem claro que Jesus, homem de carne e osso, foi o primeiro “Consolador”. Entretanto, o próprio Jesus (Homem), disse que seu Pai, ou seja, Deus, atendendo ao seu veemente apelo, enviaria ‘outro Consolador’, que se identificaria como sendo ‘o Espírito de Verdade’.

Na sessão, realizada no dia 25 de março de 1856, em casa do Sr. Baudin, Allan Kardec, o único e verdadeiro missionário da Terceira Revelação, teve oportunidade de dialogar com seu Espírito Familiar, que disse: ‘Para ti, chamar-me-ei a Verdade’, o que foi confirmado mais adiante: ‘Já te disse que, para ti, sou a Verdade...’

Na 2a. parte de O Livro dos Médiuns (cap. V, nº 86), Kardec disse: “Soube depois por outros Espíritos  que esse que havia se identificado apenas como “a Verdade” pertencia a uma ordem muito elevada, que desempenhou na Terra um papel importante...” e, acrescenta o Codificador, “Esse Espírito, que havia me dito que estaria sempre comigo e me atenderia, quando eu quisesse interrogá-lo, desde então realmente, jamais me deixou. Deu-me numerosas provas de grande superioridade e sua intervenção benévola e eficaz, socorreu-me tanto nos problemas da vida material quanto nos problemas metafísicos...”

Em 1860, o Espírito de Verdade manifestou-se na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, dizendo: “Je viens, comme autrefois, parmi les fils égarés d’Israel, apporter la vérité et dissiper les ténèbres. Écoutez-moi...” (Imitation de L’Evangile selon Le Spiritisme”, chapitre VI, 71), ou seja: “Venho, como outrora, aos transviados filhos de Israel, trazer-vos a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me...”

Ora, que Espírito, senão o de Jesus, poderia se manifestar nesses termos?!

Portanto, caro confrade, essa “contradição”, a que o sr. se referiu no seu e-mail, é mesmo apenas “aparente”.

Embora seja este um tema bastante polêmico, para mim foi realmente o Espírito de Jesus que, em 1860, como Espírito de Verdade, se apresentou a Allan Kardec como sendo o seu Guia Familiar. E nessa qualidade acompanhou o querido Mestre lionês em sua sublime missão de revelador da Verdade (a Doutrina Espírita), anunciada séculos atrás. Foi ele, sim, não resta dúvida nenhuma. E Allan Kardec, pela sua elevação espiritual e moral, merecia ter um Guia familiar tão sublime como foi Jesus, o Homem de Nazaré.

Contrariando o que dizem alguns confrades, Allan Kardec deixou bem claro que “a qualificação de Espírito de Verdade não pertence senão a um só (Espírito) e pode ser considerada como um nome próprio.” (Revista Espírita, julho/1866).

O ilustre Prof. Celso Martins, grande escritor, jornalista e expositor espírita, declarou: “O Espírito de Verdade é o próprio Mestre Jesus, e não uma coletividade de Espíritos Superiores”, como se lê em seu livro “As Outras Vidas de Kardec”, pág. 5l – DPL Editora – 2002).

<<< Voltar