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POR ONDE ANDA KARDEC ?

                         Itaeli Pereira

    “ Em 52 semanas que um ano tem, contando-se uma palestra por semana, chega-se à conclusão que Kardec é menos falado que nomes como Jung (Carl Gustav), Freud (Sigmund), Swedenborg (Emanuel), Grof (Stanislav), Descartes (René), Gibier (Paul), além de outros que, se aqui fossem mencionados, tomariam muito espaço.

Reconhecidos por sua importância no contexto mundial, entende-se a necessidade de ilustração e até de exemplos nas exposições/palestras, mas daí a se fazer apologia em torno dessas nomes em detrimento do nome daquele que é responsável pela doutrina que hoje temos, vai longa distância.

     Sectarismo à parte (hoje tão comentado no Movimento Espírita), percebe-se que Kardec está ficando em segundo plano, simples ou propositadamente esquecido por aqueles que preferem “dar-se ao luxo” de citações que, à vista do público, lhes rendam “dividendos” de estudiosos e cultos, sempre em prejuízo da simplicidade desta maravilhosa Doutrina.

     Em pesquisa a que nos demos ao esforço de realizar em várias casas, já que por força das circunstâncias freqüentamos, semanalmente, constatamos índices alarmantes:

     Casa espírita A = 52 palestras/ano = 12 vezes Kardec foi citado.

Casa espírita B = 52 palestras/ano = 18 vezes Kardec foi citado.

      Casa espírita C = 52 palestras/ano = 42 vezes Kardec foi citada contra apenas 10 vezes outros nomes.

      Há que se ressaltar que nesta última a preferência por Kardec é resultante  da indicação dos temas abordados, cuja orientação tem origem na escala de expositores, quando são indicados temas específicos O Livros dos Espíritos,  O Evangelho segundo o Espiritismo e demais obras do chamado Pentateuco.

     Em uma recente palestra, numa casa em Florianópolis, o expositor, para chegar a Jesus, falou antes sobre Moisés, o Bramanismo, Láo, Buda, Sócrates, Maomé, gastando três quartos do tempo (cerca de 25 minutos), e, quando chegou a Jesus, falou apenas 5 minutos, ficando Kardec mais uma vez de fora, embora fosse ele o título do tema da palestra: ‘Kardec e a Doutrina Espírita’.

     Há também, e é muito natural, aquelas palestras enriquecidas com histórias tiradas de livros importantes, psicografados por Chico Xavier, que ampliam significativamente o conhecimento do público,

     Mas há ainda aquelas outras palestras, que muitas vezes chegam à mediocridade, com expositores pretendendo demonstrar simplicidade, alegando ‘nada melhor que feijão com arroz’. Esquecem-se que muitos vão às casas espíritas em busca de muito mais.

A falta de interesse pelo estudo ou a acomodação podem ser responsáveis por tal situação, esquecendo esses a famosa frase, dita pelo Espírito de Verdade: ‘ – Espíritas, amai-vos e instruí-vos’ (Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI, item 5).

     O Espiritismo não é uma doutrina estanque, pronta e feita. Ela evolui acentuadamente, estando atualizadíssima para nossos dias.

      Uma Doutrina dinâmica, como a que Kardec nos deixou, deve ser divulgada na sua plenitude, com respaldo nas obras básicas e, se preciso, seus ‘acessórios’, mas com humildade e sem demonstração de saber. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. O bom senso é sábio”.

(Extraído de “FidelidadESPÍRITA” de Abril de 2005 – Uma publicação do Centro de Estudos Espíritas “Nosso Lar” de Campinas/SP –pág. 8).

 

OBSERVAÇÃO: - o confrade Itaeli Pereira é Presidente do Centro Espírita Raul Machado de Florianópolis/SC.

     O Sr. Itaeli talvez não saiba, mas precisa saber ( sim, todos precisam saber), que a causa de tudo isto que ele apontou acima, com muita  propriedade e sabedoria, está no fato de Ismael Gomes Braga ter declarado em seu livro “Elos Doutrinários”, publicado pela F.E.B, que “o roustainguismo ou Revelação da Revelação é o curso superior de Espiritismo” (pág. 36). É por isso que Allan Kardec para muitos está em segundo plano.

     E foi como resposta ao que disse Ismael Gomes Braga que o confrade Júlio Abreu Filho escreveu e publicou o livro “ERROS DOUTRINÁRIOS”, que aparece na segunda parte da obra “O VERBO E A CARNE” (Duas análises do roustainguismo”), lançada em  l973 pela Editora Cairbar de S.Paulo/SP e em 2ª edição, em 2003 pela Editora PAIDÉIA também de S. Paulo/SP.