ofplogo.gif (4994 bytes)   


NOTÍCIAS BIBLIOGRÁFICAS

    Em seu comentário imparcial, como era do seu feitio, sobre a obra de Roustaing, inserido na Revista Espírita de junho de 1866 (EDICEL, ps. 188 a 190), Kardec disse que encontrou alguns pontos positivos e até recomendou sua leitura. Mas também encontrou muitos pontos negativos sobre os quais assim se pronunciou: “Nós nos limitamos ao estudo das máximas morais de Jesus, Roustaing, não; em seu livro foram tratadas questões que não havíamos julgado oportuno abordar ainda. A obra de Roustaing apresenta opiniões pessoais, que necessitam da sanção do controle universal. É uma obra repetitiva e prolixa, que apresenta coisas duvidosas.

     Concluindo seu parecer, disse Kardec: “Não damos às teorias apresentadas por Roustaing nossa aprovação. É preciso deixar ao tempo o trabalho de as sancionar ou contraditar; por enquanto, consideramos apenas como questões pessoais dos Espíritos que as ditaram. Quando tratarmos das questões que foram levantadas, fá-lo-emos decididamente”.

     E Kardec cumpriu o que prometeu. Tanto assim que no dia 6 de janeiro de 1868, ao lançar seu último livro  -  A GÊNESE  - deixou bem claro que:  a) “Como homem, Jesus tinha a organização dos seres carnais” portanto, ele não foi um agênere como disse Roustaing; b) o nascimento de Jesus se deu normalmente  como   o de qualquer ser humano pelo relacionamento sexual de seus pais, Maria e José, em cumprimento de uma lei divina. Não foi, portanto, concebido, milagrosamente, no ventre de Maria por obra do Espírito Santo, como afirma Roustaing; c) Jesus era um Espírito Superior, da ordem mais elevada, que reencarnou na Terra, como homem de carne e osso, para cumprir uma missão divina; não foi um “deus” como afirmou Roustaing; d) Jesus, entre seus familiares e perante os homens e mulheres da Galiléia, não viveu de aparências, de mentiras, de simulacros, como afirma Roustaing, não foi, portanto, nenhum comediante, foi, sim, um homem simples, humilde, sincero, honesto, sério, responsável, um reformador social, que sabia muito bem o que devia falar e o que falava às multidões que o seguiam e como agir como grande missionário que era; e) o Espírito humano foi criado por Deus simples e ignorante, mas com capacidade de evoluir, gradativamente, vivendo muitas encarnações até atingir um ponto máximo de perfeição. Por isso, logicamente, a reencarnação é uma necessidade, “é uma conseqüência necessária da lei do progresso” e não uma punição, um castigo infligido por Deus aos “anjos decaídos”, Espíritos Superiores que cometeram uma falta grave, conforme disse  Roustaing; f) Quanto à origem da espécie humana, ela não está nas “larvas informes”, “massa quase inerte”, “matéria mole e pouco agregada, que rasteja, ou antes, desliza...” pelo solo, como afirmou J. B. Roustaing, que classificou essas “larvas” como “criptógamos carnudos” (Ver “Os Quatro Evangelhos”, de Roustaing, 6a edição da FEB, - 1983, 1º volume, pág. 313). Para Allan Kardec, que era um homem de ciência e estava bem a par das teorias da época, “do ponto de vista corporal e puramente anatômico, o homem pertence à classe dos mamíferos (antropóides superiores), da qual não difere senão por alguns detalhes da forma exterior...” (A Gênese, cap. X. nº 26). “Seguindo passo a passo a série dos seres, dir-se-ia que cada espécie é um aperfeiçoamento, uma transformação da espécie imediatamente inferior...”. Como se vê, Kardec admitiu, pelo menos como hipótese, a teoria de Darwin, e foi também como ele, Spencer e outros, um evolucionista. (idem, nº 28).

     Devemos lembrar que esta última obra básica do Espiritismo  -  A GÊNESE – foi inteiramente aprovada pelos Espíritos Superiores, a começar pelo de São Luiz, Protetor da SPEE, que, em dezembro de 1867, portanto, antes de ser levada ao prelo para publicação, declarou: “Um livro escrito sobre esta matéria (gênese humana ou origem da espécie), deve, em conseqüência, interessar a todos os espíritos sérios. Por esse livro  -  A Gênese – o Espiritismo entra numa nova fase...” (Revista Espírita, fev. de 1868, - EDICEL, pág.55). Antes de S. Luiz, em setembro do mesmo ano (1867), o Espirito do Dr. Demeure havia se manifestado sobre o original do livro escrito por Kardec, declarando:  “ - Pessoalmente, estou satisfeito com o trabalho, que terá grande repercussão e trará conseqüências favoráveis para as massas (classes sociais), conforme se lê em “Obras Póstumas”, (págs. 332 e 333).

     E, não resta dúvida, esse último livro de Allan Kardec  -  A GÊNESE  -  é tão importante, que até agora tem sido objeto de estudo em todos os eventos importantes sobre Espiritismo, como, por exemplo, no IV Congresso Espírita Mundial, realizado em Paris, em comemoração ao bicentenário de nascimento de Allan Kardec, que teve entre os que formaram a mesa diretora dos trabalhos, a presença do roustainguista Nestor Mazotti, atual Presidente da Federação Espírita (Roustainguista) Brasileira e do Conselho (Roustainguista) Federativo Nacional (Departamento da FEB)...