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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

       Recebemos, via e-mail, duas mensagens muito importantes: uma do Sr. Élcio Ferreira Marques, de Belo Horizonte, e outra da Sra. Dora Incontri.

      Disse-nos o confrade Élcio:

      “Amigo Erasto, na obra ‘Palavras de Luz’, de Divaldo Franco, 3a edição, 1998, Editora LEAL, à pág. 100, encontramos uma entrevista de Divaldo Franco, da qual extraímos o seguinte trecho:

      Pergunta: “ - Como vc. Explica instituições que adoram livros de Roustaing, cujos conceitos colidem com a Codificação de Kardec? Como se comportar diante da comunidade nessa controvérsia?”

     Resposta: - “O Espiritismo não tem pessoas que pensem por outras. O Apóstolo disse: ‘-Examinai tudo e retende o que é bom’. Uma casa espírita, onde não se estuda a Codificação não é portanto espírita. Desde que estude somente outras obras, é uma casa vinculada àquelas teorias e não à Doutrina Espírita. Cada um se comportará diante da controvérsia conforme a sua aptidão e capacidade de digerir o assunto em debate. É questão de livre-arbítrio, porque ninguém pode impor a outrem determinados comportamentos culturais e intelectuais. Se à pessoa é lícito conhecer o tema, é válido fazê-lo. Se parece que lhe violenta a razão, que não o aceite”.

     “Veja só, amigo Erasto, Divaldo, com uma folha de serviços prestados à causa espírita, expositor fluente e vibrante, se esquiva de colocar a questão Roustaing em pratos limpos e a deixa ao livre-arbítrio das pessoas e das instituições espíritas. É como se disséssemos a um fumante: - o fumo tem 7000 substâncias cancerígenas. Se quiser fumar, tudo bem; se não quiser, tudo bem também...

     “Não é de amargar, meu amigo????”...

     Claro que é, amigo Élcio. É de amargar, sim, como você diz muito bem. Realmente, Divaldo preferiu se esquivar, se omitir, para não entrar em confronto com a poderosa FEB roustainguista. E assim agindo, mostra-se conivente com os erros, ou melhor, com os inúmeros absurdos contidos na obra do advogado de Bordéus, que Kardec combateu em seu último livro “A Gênese” (grifo nosso)   

     Que tristeza!...

                         ..........................

     Por sua vez, disse-nos a professora Dora Incontri:

     “Você conhece  meu artigo intitulado “CHICO NÃO É KARDEC? Envio-lhe anexo!

     “Abraços

     “Dora”

 
NOSSO PARECER SOBRE ESSE ARTIGO.

    

     Iniciando esse belo e muito oportuno artigo, a Profa. Dora Incontri nos esclarece quais os motivos que a levaram a escrevê-lo e qual objetivo pretende alcançar.

     Em seguida faz um comentário a respeito das afirmativas que têm sido apresentadas sobre reencarnações, citando exemplos extraídos dos livros de Hermínio Miranda, Hernani Guimarães de Andrade, Ian Stevenson e Yvonne Pereira.

      Logo após, focaliza um dos pontos fundamentais demonstrados pelo Espiritismo, isto é, a “identidade do eu”, ou seja, “uma identidade individual permanente”.

      Focaliza também, com  riqueza de detalhes, “o caso Chico-Kardec”, mostrando que são personalidades bem diferentes uma da outra.

      Finalmente, ela encerra com chave de ouro o seu artigo, deixando bem claro “o que está por trás dessa idéia” de que Chico foi a reencarnação de Allan Kardec, como, levianamente vem fazendo uma grande médica de São Paulo e um grande dentista de Uberaba.

     Encerrando nosso parecer sobre esse artigo da Profa. Dora Incontri, apresentaremos abaixo o que ela considera “o que está por trás dessa idéia” de que o Chico foi a reencarnação de Allan Kardec.

     Diz ela:  “Tudo isso poderia não passar de uma discussão vazia, simples questão de opinião, sem maiores conseqüências. Mas vejo graves problemas nessa polêmica e só por isso meti-me a falar no assunto. Afirmar que Chico Xavier é (foi) a reencarnação de Kardec é submeter Kardec ao Chico... logicamente, pela lei da evolução, o mais recente é mais evoluído e, portanto, vai mais adiante do que o anterior. O que se esconde por trás dessa idéia subliminar, implícita na tese de um ser a reencarnação do outro?” – pergunta Dora Incontri, e ela mesma responde: “... é que abandonamos, ou pelo menos desvalorizamos, os critérios de racionalidade, de objetividade, de cientificidade, além dos aspectos pedagógicos e da linguagem clara e democrática de Kardec, com todo seu pensamento de vanguarda  -  para valorizarmos mais a linguagem melíflua (muitas vezes piegas) de Chico, o espiritismo visto predominantemente como religião e os aspectos conservadores tanto do pensamento do médium, quando de seu Guia Espiritual, Emmanuel...

..........................................................................................     “... A tese de que Chico seria Kardec desqualifica Kardec e exalta indevidamente o Chico Xavier, colocando-o num pedestal de idolatria que nenhum ser humano deve ocupar. E isso está bem situado nos rumos que o movimento espírita brasileiro tem tomado: trata-se de um movimento que exalta personalidades mediúnicas (quando Kardec mal nos deixa conhecer o nome dos médiuns que trabalhavam com ele,...), preferindo o emocionalismo à racionalidade, o igrejismo ao debate filosófico e científico.

     “É por isso que meu trabalho tem sido no sentido de resgatar Kardec, e seus antecessores diretos: Comenius, Rousseau, Pestalozzi  -  todas personalidades de vanguarda, com pensamento social avançado, com projetos libertários de educação. É desse caldo cultural que nasceu o espiritismo. Transplantado para o Brasil, ganhou as cores místicas da cultura católica, de herança jesuítica, que formou a nação brasileira. É verdade que apenas um povo com o nosso coração e com a criatividade e a intuição mediúnicas como as nossas poderia acolher o espiritismo. É verdade que Emmanuel continuou a sua obra de primeiro educador do Brasil  (Padre Nóbrega) e fez bem a sua parte, por intermédio do Chico, que também fez a sua. Mas não é por isso que devemos colocar os carros na frente dos bois e perder a raíz pedagógica, racional e consistente que nos identifica. E essa raíz é representada por Kardec, que por todas as razões  vistas e muitas outras que não é possível comentar aqui, não reencarnou como Chico Xavier, não reencarnou ainda, porque teríamos de reconhecê-lo por sua mente poderosa, por sua liderança equilibrada e segura e por trazer uma contribuição muito melhor que a de Chico e mesmo melhor que a do próprio Kardec, pois senão não haveria razão para reencarnar-se”.

NOSSO COMENTÁRIO

     Muito bem, profa. Dora Incontri, seu artigo está excelente. Queira aceitar nossos sinceros parabéns.

Na verdade tudo que se tem dito sobre a volta de Kardec ao plano físico, até agora não passa de suposições, de hipóteses, de especulações que precisam ser comprovadas à luz da Ciência Espírita. E nos parece que o melhor instrumento de pesquisa, para isto, ao nosso dispor é a evocação do Espírito de Allan Kardec, feita nos moldes que ele próprio nos apresentou em “O Livro dos Médiuns”, capítulos XXV e XXVI, livro este que   classificou como “Guia dos Médiuns e dos Evocadores”. E, o que não falta no Brasil para a realização desta pesquisa, são centros espíritas sérios, dirigidos por pessoas sérias e competentes, com a participação de médiuns sérios e bem desenvolvidos, e, sobretudo, com um objetivo sério: a descoberta da Verdade sobre esse tema.

     E a propósito quem, antes de mim,  sugeriu esta idéia  foi o saudoso Prof. Júlio Abreu Filho. (Ver “O Verbo e a Carne”, trecho final da segunda parte).

      Estamos, portanto, bem acompanhado ao sugerir que se evoque o luminoso Espírito do Mestre Allan Kardec, para, definitivamente, resolver essa questão .