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“O TRIGO E O JOIO” SEGUNDO O REFORMADOR DA FEB 

      “O Servidor Espírita”, órgão de divulgação do Grupo Espírita Leôncio de Albuquerque, de Niterói, edição de janeiro/fevereiro de 2006, transcreve, nas págs. 4 e 5 um artigo, intitulado “O Trigo e o Joio”, extraído do “Reformador”, revista da Federação Espírita (Roustainguista) Brasileira, edição de novembro de 1994. 

      Nesse artigo, os roustainguistas febeanos dizem: “Desde os tempos de Kardec até os dias presentes, os movimentos espíritas sempre contaram com adeptos dedicados que, movidos por nobre ideal e sem medir esforços e dificuldades, foram verdadeiros exemplos de vida para seus semelhantes. São os espíritas trabalhadores e sinceros que se esforçam para se tornarem melhores a cada dia, como sugere a Doutrina.

     “Convocados a servir, em múltiplas atividades, tudo fazem para levar ao próximo seus conhecimentos e os resultados positivos de suas experiências. Têm a noção nítida de que o importante é a tarefa do Bem. Por isso colocam os interesses da Doutrina acima de quaisquer considerações pessoais. Praticam a caridade com naturalidade.

      “Allan Kardec definiu-os como ‘os verdadeiros espíritas’ ou ‘os espíritas cristãos’.

       “Sobre essa sólida base de espiritistas sinceros é que será constituído o futuro do Consolador no Mundo...”

       Muito bem! esses são “o trigo” de que nos fala Kardec e a quem os roustainguistas febeanos se referem nesse artigo.

      Vejamos então o que é que eles, os roustainguistas,

consideram como o “joio”:

      “Em contraposição, existem aqueles que fazem questão das evidências, dos louvores e das considerações de ordem pessoal, colocando-os acima dos interesses doutrinários.

       “São os cultivadores do personalismo, os que se julgam indispensáveis ao Movimento, por suas idéias presunçosas e particularistas, impermeáveis a uma nova visão calcada na grandiosidade da Doutrina, que repele o orgulho e o autoritarismo. Colocam-se, radicalmente, contra tudo o que não se afina com seus ‘pontos-de-vista’.

       “Interpretam o Evangelho e a Codificação a seu modo e não há argumento que os demova de suas posições, eis que o que realmente pretendem é a imposição de suas idéias.

       “Gostam das discussões, das querelas, das contendas, das polêmicas vazias, a qualquer custo.

        “Em lugar das claridades efetivas para o coração,

preferem o destaque efêmero e ilusório. Combatem com ardor todos os que se lhes opõem. Preferem as longas controvérsias, desde que sejam o caminho para que prevaleçam sobre seus opositores.

       “Ainda há pouco o Movimento Espírita brasileiro experimentou injustificável agressão, partida de instituição, que pretende liderar o movimento espírita nas Américas, mas age de forma antiética e autoritária, na defesa de interpretação restritiva da Doutrina...”

      (OBS.: Aqui eles estão se referindo à CEPA (Confederação Espírita Pan-americana), que defende e divulga o que chamam de “Espiritismo laico”, negando, por conseguinte, o aspecto religioso do Espiritismo, com o que também não concordamos).

       E os roustainguistas febeanos concluem o artigo declarando: “ Os espíritas sinceros, os espíritas cristãos, não podem fugir à realidade da existência dos pretensiosos cultivadores do ‘eu’ no seio do Movimento. É mais um óbice a vencer.

       “A vigilância torna-se imperiosa, especialmente, diante desses imprudentes companheiros, que prejudicam enormemente a Doutrina e seu movimento. Há que se aprender a conviver com eles, assim como o trigo que cresce com o joio, sem contudo se misturar”.

NOSSO COMENTÁRIO

      Eles, os roustainguistas febeanos, e, naturalmente, os que estão a eles ligados pelo acordo do Pacto Áureo, ou seja, os que fazem parte do Conselho Federativo Nacional da FEB, não citaram meu nome, talvez por uma questão de ética, mas, na verdade, tiveram a intenção clara de colocar a carapuça na minha cabeça. Sim, quiseram! Isto porque, em 1986, eu havia lançado ao público o livro “BRASIL: PÁTRIA DO ANTICRISTO”, que nada mais é do que uma crítica cerrada ao “Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho” de Humberto de Campos (Espírito), psicografado por Chico Xavier, com prefácio do jesuíta Emmanuel, lançado pela FEB, em 1938, que foi e tem sido ainda muito criticado por ser um livro que defende o roustainguismo e sua principal divulgadora que é a FEB.

      E depois, por coincidência, nesse mesmo ano de 1994, em que foi publicado pelo “Reformador” esse artigo “O Trigo e o Joio”, eu acabara de lançar também o meu “O PENSAMENTO DE ERASTO, NUMA VISÃO ATUALIZADA”, no qual critico Emmanuel que, no romance histórico “Paulo e Estêvão”, psicografado por Chico Xavier e publicado pela Editora da FEB, em 1942,  não fez nenhuma referência ao Espírito de Erasto, Discípulo de Paulo, o Apóstolo dos Gentios, embora não tivesse deixado de mencionar, exaustivamente,  todos os outros que também foram discípulos do grande Apóstolo, e, portanto, companheiros de Erasto, nas viagens de divulgação do Cristianismo nascente, como: Timóteo, Tito, Gaio, Aristarco, Áquila, e outros.

      Para se ter uma idéia, somente Timóteo, que foi com Erasto para a Macedônia, por determinação de Paulo, para anunciar sua próxima visita a essa região importante do Oriente, aparece quarenta e duas vezes nesse romance de Emmanuel! Sim, - repito - , quarenta e duas vezes!

       Pode-se perguntar então: - Por que essa omissão injusta?! Por que esse tratamento discriminatório?!

       A resposta é muito simples e se encontra, facilmente, na Primeira Epistola de Erasto aos Espíritas de Bordéus, lida por Allan Kardec, na reunião geral do dia 14 de outubro de 1861, à qual Roustaing fez questão de não comparecer, mesmo sabendo que o Codificador ali estava a convite do Sr. Sabo, que era presidente do centro espírita que ele, Roustaing, freqüentava; mesmo sabendo que o ilustre visitante era aquele a quem por carta, tratara como “meu caro senhor” e “muito honrado chefe Espírita”, tendo demonstrado tanto interesse em ir pessoalmente a Paris só para “ter o  prazer  de  o   conhecer  pessoalmente  e,fraternalmente lhe apertar a mão; mesmo sabendo, finalmente, que era o dia marcado para a instalação solene da Sociedade de Estudos Espíritas de Bordéus, acontecimento importante para a comunidade espírita local, que Allan Kardec  fez questão de prestigiar com sua ilustre presença! (Ver “Revista Espírita” de junho de 1861 – Edicel, págs. 179 a 182).

      Aí está, portanto, caros leitores, o motivo pelo qual, no íntimo, eles quiseram também me atingir, e não somente à CEPA.

     Todavia, pouco me importa que achem que eu faço parte do “joio” que enfeia o trigal maduro, a que se referem os roustainguistas febeanos. Entre ficar com Roustaing ou com Kardec, eu prefiro continuar com o Mestre de Lyon; entre ficar com Roustaing ou com Erasto, Discípulo de Paulo e Guia de Allan Kardec, eu prefiro ficar com Erasto.

     Não me interessa o que pensem de mim, por causa desta minha preferência.

      E, confesso, neste ponto, que me lembro com saudades daquelas palestras em família, em que papai, com aquele seu entusiasmo pelo verdadeiro Espiritismo codificado por Allan Kardec e sua maneira eloqüente a agradável de expor suas idéias, nos dava sábias lições, mostrando-nos, claramente, o que estava certo ou errado dentro do movimento espírita brasileiro! Que saudade!...