ofplogo.gif (4994 bytes)BEZERRA DE MENEZES RESPONDE


Um leitor do jornal "Gazeta de Notícias" , em carta do dia 22 de abril de 1897, fez a seguinte pergunta ao Dr. Bezerra de Menezes: "... podemos tomar os livros publicados pelo Dr. Saião como normas a seguir em nosso Grupo?" (Como se sabe, Saião também era roustainguista). Bezerra prontamente respondeu: "Allan Kardec só apanhou o que os Altíssimos Espiritos da legião do Espírito de Verdade lhe deram - e estes só deram o que era compatível com a compreensão atual do homem terreal (...) Eis que já apareceu Roustaing, o mais moderno missionário da lei, que, em muitos pontos, vai além de Kardec, porque é inspirado como este, mas teve por missão dizer o que este não podia, em razão do atraso da Humanidade.

"Não divergem no que é essencial, mas sim no modo de compreender a verdade..."

"Roustaing confirma o que ensina Allan Kardec, porém, adianta mais que este (...) é, pois, um livro precioso e sagrado o de Rostaing (...) O livro de Saião é um resumo do de Roustaing, com as vantagens de Allan Kardec" (Ver Sylvo Brito Soares em "Vida e Obra de Bezerra de Menezes" págs. 98 e 99, 2ª edição da FEB).


NOSSO COMENTÁRIO

Na verdade, o Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, médico militar do tempo do Império, era muito católico. Por isso mesmo, ao se converter ao Espiritismo, sentiu-se logo muito ligado à corrente que estudava, defendia e pregava o roustainguismo. Por esta razão foi alçado à presidência da Federação Espírita Brasileira, em cujo Estatuto, em seu art. 1º parágrafo único se lê que "Além das obras Básicas da Codificação de Allan Kardec, o estudo e a difusão do Espiritismo compreenderão também a obra "Os Quatro Evangelhos" de J.B. Roustaing".

E foi, tomando por base o pronunciamento do Dr. Bezerra de Menezes, que o Sr. Ismael Gomes Braga, em seu livro "Elos Doutrinários", disse que "o roustainguismo é um curso superior do Espiritismo", o que não é verdade. Por isso mesmo, não se pode dizer que "Bezerra foi o Kardec brasileiro", quando o próprio Allan Kardec, em junho de 1866, comentando a obra apócrifa de Roustaing, declarou: "...- até nova ordem não daremos às suas teorias nem aprovação, nem desaprovação, convindo considerar essas explicações como opiniões pessoais dos Espíritos que as formularam, que podem ser justas ou falsas e que, em todo o caso, necessitam da sanção do controle universal, e, até mais ampla confirmação, não poderiam ser consideradas como partes integrantes da doutrina espírita" (Revista Espírita, junho de 1866 – Col. Edicel, pág. 189). E nós sabemos muito bem que, em seu último livro - "A Gênese" – Allan Kardec, com aquela sabedoria que lhe era peculiar e, sobretudo, com a inspiração do Alto, que sempre recebeu, arrazou, completamente, todos os argumentos absurdos da obra de Roustaing. E ele, Kardec, veio, justamente, dizer o que a Humanidade precisava ouvir, para acabar com aquele atraso de séculos.

Queremos, porém, deixar bem claro aqui que nossa intenção com este comentário, não é desmerecer a obra humanitária do Dr. Bezerra de Menezes, que, em vida, foi realmente "o médico dos pobres", e, como Espírito, continua se manifestando e operando curas maravilhosas através de muitos méduns de grande valor.

E depois, temos que reconhecer que o Espírito do Dr. Bezerra de Menezes, em mensagem ditada ao médium Francisco Cândido Xavier, deixou bem claro que "KARDEQUIZAR É A LEGENDA DE AGORA", o que é bastante significativo tendo em vista o que ele pensava quando respondeu àquele leitor do jornal "Gazeta de Notícias". Nessa mensagem, Bezerra explicitou bem: " - Kardequizemos para evoluir (...) Kardequizarmo-nos na carteira de obrigações a que estamos transitoriamente jungidos é a fórmula ideal de ascenção".

E aqui pode-se perguntar: - Por que é que nessa mensagem, o Dr. Bezerra de Menezes, que, em vida, era tão coerente consigo msmo, não fez, novamente a apologia de Roustaing e sua obra?!

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