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A FORÇA DA FÉ SEGUNDO A "VEJA”

 

Este artigo, de autoria de Oqqy de Souza, começa afirmando que “em maior ou menor escala, em todas as sociedades modernas atuais as crenças estão mais vivas do que nunca”. Em seguida, porém, o autor lança as seguintes perguntas: “ - Isto não é um paradoxo, um contrafluxo na corrente racional do conhecimento humano? Não se convencionou que crença e ciência não combinam, são como óleo e água? Os dogmas milenares (...) são todos muito respeitáveis, mas, em pleno séc. XXI, não são apenas anacronismos deslocados do mundo da razão e da tecnologia?” E ele próprio responde: “ – Não”. E explica porque: “... a novidade é que não existe paradoxo. Existe, sim, um reconhecimento dos limites dos dois campos da percepção humana dos fenômenos naturais”.

Para justificar melhor esta afirmação, acrescenta: “ – Não passa um mês sem que saiam dos laboratórios explicações cabais sobre o que se pensava ser algo sobrenatural. O túnel de luz que as pessoas que estiveram em coma contam ter visto parecia misterioso e insondável. Esse túnel seria uma entrada entreaberta para a eternidade, que se deixava examinar de esguelha por alguém que estava prestes a abandonar o mundo material...” E, desejando esclarecer melhor seu pensamento, acrescentou: “ – Essas e outras experiências sensoriais que se têm à beira da morte são todas reações mensuráveis e previsíveis do cérebro humano...” E pergunta: “ – Essa revelação torna os mistérios da vida e da morte menos espantosos?”. Ao que ele mesmo responde: “ – Não. Nada. Hoje soa arrogante e tola a reação dos orgulhosos astrofísicos nos anos 80, quando os satélites mandavam para a Terra sinais que confirmavam a teoria do Big Bang, a súbita explosão original que deu origem à matéria, à energia e às leis que regem a interação entre ambas”. Cita então uma afirmação categórica: “ – Agora que a Física já explicou como surgiu o universo, não há mais lugar para Deus” (...)

Prosseguindo em sua argumentação, Okky de Souza diz: “ – Claro que o núcleo duro da melhor ciência despreza a noção de Deus. Da mesma forma, os metafísicos de todos os sabores e de todas as cores não enxergam utilidade alguma no método científico. O cenário atual que emana do córtex cerebral da humanidade (...) é o de que, apesar dos avanços cada vez mais espetaculares da ciência, permanecem intactas

as emoções humanas, as sensações de tremor diante do infinitamente pequeno ou do infinitamente grande. Por mais que se explique, com crescente precisão, como funciona o mundo natural, persiste para a maioria das pessoas a crença de que existe algo mais poderoso ainda...”.  E Okky encontra nessa persistência uma “ironia”, quando afirma: “ – Há nessa persistência, por ironia, uma explicação científica, estudada a fundo pelos cientistas. A fé, assim como as religiões criadas sobre ela, persiste por ser um componente primordial da evolução humana. Em algum momento, durante a última era do gelo, que terminou 12 mil anos atrás, o homem desenvolveu o pensamento simbólico. Interessou-se em saber que tipo de força existia por trás dos fenômenos naturais. Começou a enterrar os mortos e a enfeitar seus túmulos com flores. No papel de única espécie capaz de antecipar a própria morte, o ser humano precisou vislumbrar entidades maiores e mais poderosas do que ele, para conseguir suportar essa certeza...”. Citando então a Teoria da Evolução da Espécie, Okky de Souza acrescenta: “ – Muitos biólogos evolucionistas acreditam que as religiões (...) surgiram como uma superadaptação do homem ao meio ambiente e prosperaram por conferir vantagens a seus praticantes. A crença no sobrenatural ajudou a convivência do grupo e, portanto, seria a gênese da civilização...”

                Depois de citar  um biólogo americano (David Sloan Wilson), que disse que “o impulso religioso se desenvolveu cedo na história dos hominídeos porque ajudava a criar grupos mais coesos, em que florescia o sentimento de fraternidade e de solidariedade” e que “a crença foi uma arma poderosa na luta contra adversários menos unidos e menos organizados”, Okky de Souza apresenta o resultado de uma pesquisa feita por um biólogo molecular americano (Dean Hamer) que afirma “ter localizado  no ser humano o gene responsável pela espiritualidade, o que encontra eco no budismo”.

                Prosseguindo em seu brilhante artigo, Okky de Souza diz: “- O fato de a espiritualidade acompanhar o homem em sua evolução é, provavelmente, o motivo pelo qual o conceito de Deus surge em todas as sociedades humanas, desde tempos imemoriais, mesmo entre as mais isoladas. Já o divórcio entre a fé religiosa e a ciência, que hoje se encontra na ordem do dia, é um fenômeno recente...”

      Okky de Souza faz referência à união da Igreja (Poder Espiritual)  com o Estado (Poder temporal), dizendo: “ – Até o séc. XVIII, a Igreja Católica, assim como se confundia com o Estado, legitimando o poder monárquico...”

...com a bênção do poder divino, andava de braços dados com a ciência. O cisma ideológico entre fé e ciência começou no iluminismo, movimento surgido na França que pregava o uso da razão para explicar o mundo e o universo, desafiava o papel da religião na sociedade e propunha uma nova ordem social, na qual os interesses humanos estivessem no centro das decisões...” E, valorizando a teoria de Darwin, ele diz: “ – Só no séc. XIX, quando o inglês Charles Darwin deixou o mundo atônito com a sua teoria da evolução das espécies, que negava a criação bíblica, as divergências  entre o mundo da ciência e o da religião assumiram contornos de guerra cultural.

                “Hoje, - prossegue Okky –  “se vive um equilíbrio precário entre ciência e fé. Nos Estados Unidos apenas 3 % dos cientistas mais respeitados (...) acreditam em Deus. Biólogos (...) e filósofos (...) escrevem livros e artigos, tentando desqualificar a religião como um mal que anestesia as sociedades e as priva das virtudes da razão...”