ofplogo.gif (4994 bytes)   


EPÍSTOLA DE ERASTO AOS ESPÍRITAS DE BORDÉUS

 

            “Que a paz do Senhor esteja convosco, meus bons amigos (...) Sei  quão profunda é a vossa fé em Deus e quanto sois adeptos da nova revelação. (...) aproveito com entusiasmo esta ocasião (...) para vos mostrar o quanto seria funesta para o desenvolvimento do Espiritismo a notícia de uma cisão no centro espírita (...) tudo farão para semear a divisão entre vós (...) Vos colocarão uns contra os outros, a fim de fomentar a divisão e levar a uma ruptura, por todos os títulos lamentável (...) Vossos excelentes guias já vos disseram: tereis que lutar não só contra os orgulhosos, os egoístas, os materialistas (...) e sobretudo com a turba de espíritos enganadores que (...) em breve virão assaltar-vos: uns com comunicações  sabiamente combinadas (...) insinuarão a heresia ou algum princípio dissolvente; outros com comunicações abertamente hostis aos ensinos dados pelos verdadeiros missionários do Espírito de Verdade. Ah! Crede-me, não temais desmascarar os embusteiros, que, como novos Tartufos, se introduziriam entre vós sob a máscara da religião (...) a ninguém cabe subtrair-se ou querer impor sua opinião e seu sentimento, quando estes não forem aceitos pelos outros membros  de uma mesma família espírita...”

            Em certo trecho de sua Epístola aos bordelenses, Erasto (Espirito) explica por que motivo teve que falar com tanta franqueza e de modo tão contundente: “Tive que vos falar assim, porque era necessário vos premunir contra um perigo que era meu dever assinalar; venho cumpri-lo”. (R.E. novembro/1861)

NOSSO COMENTÁRIO

            Que perigo seria esse? Vamos ver.

                Nessa mesma reunião geral dos espíritas bordelenses, realizada em 14 de outubro de 1861, em que Kardec foi homenageado, um dos oradores que o saudaram  foi o Dr. Bouché de Vitray, que se mostrou agradecido a J.B. Roustaing, graças a quem havia se convertido ao Espiritismo codificado por Allan Kardec. Sim, ele, Roustaing, era kardecista e se honrava disso, como declarou por carta ao Mestre lionês (Ver R.E de junho de 1861 – EDICEL, pág. 182). E o que o levou ao Espiritismo foi a leitura  dos livros básicos da Codificação, ou seja, O Livro dos Espíritos e o Livro dos Médiuns que lera e estudara com proveito. (Ver o “Prefácio de “Os Quatro Evangelhos”, 6ª edição da FEB, págs. 59 e 60).

Foi somente em dezembro desse ano, 1861, portanto, dois meses depois da reunião geral em que Kardec foi homenageado pelos espíritas bordelenses, que Roustaing veio a conhecer a médium, Mme. Collignon, que, caindo em transe, lhe deu a conhecer a missão que tinha que cumprir na Terra: organizar e publicar a explicação dos Quatro Evangelhos, ou Revelação da Revelação. (Idem, pág. 64 e 65).

                A partir de então, Roustaing manteve um relacionamento constante com ela, do qual resultou a publicação, em maio de 1866 do livro “OS QUATRO EVANGELHOS”, que passou a ter o seu nome como autor.

            Aí, portanto, é que está o PERIGO a que se referiu o Espírito Erasto, em sua Epístola aos espíritas de Bordéus.

                E quem deixou isto bem claro foi José Herculano Pires em “O Roustainguismo à luz dos Textos” (Ver “O Verbo e a Carne, parte I – Edições Cairbar)