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INICIAÇÃO DE JOÃO BATISTA ROUSTAING NO ESPIRITSMO.

                “No mês de janeiro de 1858 fui acometido de uma enfermidade tão prolongada quão dolorosa, proveniente de uma vida já longa de estudos, de canseiras e de labor, passada a princípio em Tolosa, de 1823 a 1826, onde, enquanto fazia o Curso de Direito, dedicava-me também ao ensino das letras e das ciências; depois, em Paris, de 1826 a 1829, onde me dediquei à prática da advocacia; finalmente, em Bordéus, minha terra natal.

                “Em janeiro de 1861, completamente restabelecido, cuidei de voltar ao exercício da minha amada profissão de advogado...

                “(Nessa época) nenhuma fé definida eu tinha, mas, com minha vida inteira irresistivelmente presa à pesquisa da verdade, deliberei informar-me, cientificamente, pelo estudo, pelo exame, pela observação e pela experimentação, o que haveria de possível, de verdadeiro ou de falso nessa comunicação do mundo espiritual com o mundo corpóreo, nessa doutrina e ciência espíritas.

                “(Por sugestão de um senhor, adepto do Espiritismo) li O LIVRO DOS ESPÍRITOS  de Allan Kardec e encontrei ali uma moral pura, uma doutrina racional, de harmonia com o espírito e o progresso dos tempos modernos, consoladora para a razão humana. Encontrei a explicação lógica e transcendente da lei divina ou natural, das leis de adoração, do trabalho, da reprodução, da destruição, de sociedade, de progresso, de igualdade, liberdade, de justiça, de amor e de caridade, do aperfeiçoamento moral , dos sofrimentos e dos gozos futuros. Encontrei explicações judiciosas acerca da alma no estado de encarnação e no estado de liberdade (...) a explicação racional da pluralidade dos mundos e de suas hierarquias...

            “Li, em seguida O LIVRO DOS MÉDIUNS  de Allan Kardec e nele se me deparou uma explicação racional da possibilidade das comunicações do mundo corpóreo com o mundo espiritual (...) as vantagens e os inconvenientes da mediunidade, dos escolhos e perigos a evitar e dos caminhos a seguir para praticá-la...”

NOSSO COMENTÁRIO

Esses dados foram extraídos do Prefácio da obra “Os Quatro Evangelhos” de Roustaing, 6ª edição da FEB, lançada em abril de 1983.

                Por aí se vê que Roustaing, em 1861, era um mero discípulo de Allan Kardec, pois, foi, lendo as duas primeiras obras básicas do grande missionário lionês, que se deu sua iniciação no Espiritismo. E ele se vangloriava disto, pois em carta dirigida ao Codificador, tratou-o, logo no início, como: “Meu caro senhor e muito honrado chefe Espírita”, e, no final, fez questão de declarar: “ – Eu me honro de ser altamente e publicamente Espírita”. (Ver “Revista Espirita” de junho de 1861 – EDICEL – pág. 182).

                Logo depois de sua iniciação, passou a dar aulas de Espiritismo, pois, um de seus alunos, o Dr. Bouché de Vitray, ao fazer uma saudação a Kardec, no dia 14 de outubro de 1861, durante a reunião geral dos espíritas de Bordéus, fez questão de se referir a ele, dizendo: “ – Hoje o reconhecimento me obriga a inscrever, nesta página, o nome de um dos meus bons amigos, que me abriu os olhos à luz, o do Sr. Roustaing, distinto advogado...” (Fonte: “Revista Espírita”, novembro/1861 – EDICEL, pág. 352)