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UM TRECHO DE “OS QUATRO E VANGELHOS”

 

                “Quando Maria, sendo Jesus, na aparência, pequenino, lhe dava o seio, o leite era desviado pelos Espíritos Superiores que o cercavam, de um modo bem simples: em vez de ser sorvido pelo ‘menino’, que dele não precisava, era restituído à massa do sangue por uma ação fluídica, que se exercia sobre Maria, inconsciente dela.

                “Não vos espanteis de que o leite fosse assim restituído à massa do sangue. Não admitis que o químico possa, pela síntese, compor, e, pela análise, decompor, à sua vontade, um líquido qualquer, restituindo   a cada parte heterogênea a natureza que lhe é própria? Pois admiti, igualmente que a ação fluídica dos Espíritos superiores, que conhecem todos os segredos da vossa organização e da vossa vida humana, possa decompor assim o leite formado e restituir cada uma de suas partes componentes à fonte de origem...

                “... Não vos espanteis tampouco de que Maria tivesse leite, uma vez que não sofrera a maternidade humana e era virgem. A maternidade não é uma condição absoluta para que se produza o leite, que não passa de uma decomposição do sangue (...) Em Maria, a decomposição se operou porque o sangue por efeito do magnetismo espiritual e de uma ação fluídica, foi latificado. Depois, por ocasião da amamentação aparente, o leite que se formara era, a seu turno, decomposto e cada uma de suas partes (...) restituída à massa do sangue...

                “... Jesus se criou como todos os meninos precoces da sua idade, tendo falado e andado muito mais cedo do que as outras crianças, revelando aos olhos dos homens, como aos de Maria e de José, excepcional precocidade.

                “Antes de chegada a época de cessar a amamentação ordinária, começou ele a ir para os campos, com os outros meninos, ou sozinho. Depois,  (...) passou a afastar-se das outras crianças, a afastar-se de suas vistas, sem jamais pedir de comer ao voltar para casa. Acreditavam todos  que ele se alimentara, como faziam seus infantis companheiros, de frutos ou de mel silvestre, e, sendo  a atenção de Maria desviada, para que não se preocupasse com os cuidados maternos, ninguém cogitava de alimentar o menino, de modo diferente...

                “... Jesus, com a liberdade que lhe era permitida, estava amiúde ausente da casa paterna (...) Certa vez, tendo voltado a Jerusalém, Maria e José  encontraram Jesus no templo (...) sentado entre os doutores, ouvindo-os e interrogando-os.

                “Eis o que fez Jesus, nos três dias em que esteve em Jerusalém: Ao abrir-se o templo, entrava com a multidão e com a multidão saía, quando o templo se fechava. Uma vez fora e longe dos olhares humanos, desaparecia, despojando-se do seu invólucro fluídico tangível e das vestes que o cobriam, as quais, confiadas à guarda dos Espíritos prepostos a esse efeito, eram transportadas para longe das vistas e do alcance dos homens. Voltava para as regiões superiores, onde pairava e paira ainda, nas alturas dos esplendores celestes, como Espírito protetor e governador da terra.

                “Ao reabrir-se o templo, reaparecia entre os homens, retomando o perispírito tangível e as vestes, que o  faziam passar por um homem aos olhos dos humanos...”

 (J. B. Roustaing, em “Os Quatro Evangelhos, tomo I, págs. 243 a 251 – FEB – 6ª edição).