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SEVERINO DE FREITAS PRESTES FILHO,

MEU PAI, MEU MESTRE, MEU MELHOR AMIGO

                 Nascido em Porto Alegre / RS, em 1º de fevereiro de 1890 (quase 21 anos após a desencarnação de Kardec), meu pai era filho do Dr. Severino de Freitas Prestes, Advogado ilustre e Deputado Provincial no Rio Grande do Sul, eleito pelo Partido Liberal, chefiado por Gaspar da Silveira Martins. Era sua mãe, Júlia Köhler Prestes, filha de um imigrante alemão, João Luiz Köhler, ilustre comerciante da capital gaúcha. Além de dona de casa exemplar, dona Júlia foi também Professora de música e desenho.

                Pouco tempo depois do seu nascimento, meu pai seguiu com a família para São Paulo, onde o Dr. Severino de Freitas Prestes (meu avô), aprovado em primeiro lugar em concurso público, foi designado Lente Catedrático, tendo assumido a função de Professor de Direito Criminal da Faculdade de Direito de São Paulo, onde  hoje é nome de rua.

                Em São Paulo, o Dr. Severino Prestes passou a residir com a família (mulher e filhos) na mansão dos Freitas Travassos, seus parentes por parte de mãe, Luiza de Freitas Travassos Prestes, casada com o Dr. Antonio Pereira Prestes. (meu bisavô).

                Com a morte do Dr. Severino Prestes, a viúva, dona Júlia, resolveu voltar para o Rio Grande do Sul, passando a morar na casa da mãe, dona Paula Virgínia Köhler, em Novo Hamburgo. Levou em sua companhia os filhos menores, Margarida e João; os dois mais velhos, Antonio Manoel e Severino Prestes Filho, continuaram, contra a  vontade, em São Paulo, na residência dos Freitas Travassos. Foi dura e muito dolorosa a separação, que demorou bastante tempo e só terminou por ação judiciária movida por dona Júlia.

                Em Novo Hamburgo / RS, onde voltou para junto da mãe que tanto amava, Severino Prestes Filho passou a ser um menino travesso, levado da breca mesmo, como se costuma dizer. Fazia coisas do arco da velha. E sempre estava como líder à frente de grupos de meninos também muito travessos.

                Resultado: a solução encontrada foi levá-lo para a cidade vizinha,  São Leopoldo / RS e matriculá-lo como aluno interno no Ginásio N. S. da Conceição, fundado e administrado por sacerdotes jesuítas prussianos. Segundo dizem os historiadores, reinava ali uma disciplina severa, num ambiente de muita religiosidade: os alunos eram obrigados a assistir, regularmente, à missa, e obrigados a se confessar,  pelo menos uma vez por ano, de preferência na Semana Santa tinham que estar sempre rezando, fazendo o sinal da cruz e estudando o Catecismo. Mas, em contrapartida, ensinava-se muito bem. Os professores eram ótimos e transmitiam com muita didática, seus conhecimentos das seguintes disciplinas: Línguas (Latim, Português, Francês, Inglês, Alemão, Italiano, Espanhol), Ciências Físicas e Naturais, Química, Matemática (Aritmética, Álgebra, Geometria e Trigonometria), Geografia Física e Econômica, História Universal e do Brasil, História da Igreja Católica, Filosofia (com ênfase na Doutrina Escolástica e a Teologia). Havia também aulas teóricas e práticas de Educação Física com prática de diversos esportes.

                Severino Prestes Filho, meu pai, sempre foi muito bom aluno e sempre esteve à frente da turma. Por isso mesmo ajudava bastante os colegas mais fracos em certas disciplinas, dando-lhes explicações das aulas que consideravam mais difíceis.

                Entretanto, os professores de Teologia e Doutrina da Igreja, o viam com antipatia porque ele era um questionador contumaz. Fazia constantes perguntas que deixavam os padres embaraçados diante da turma. E não se conformava com a resposta que era sempre esta: “- Isto é um mistério, meu filho, um dogma da Igreja, imposto pelos Concílios. Não se discute”. E, como meu pai não se conformava com essa resposta, era sempre castigado: ia para o isolamento e era obrigado a rezar tantos Padres Nossos e tantas “Ave Marias”, o que ele fazia sempre de má vontade. Por isso a penalidade era sempre redobrada.

                No final do Curso de Humanidades (ginasial antigo), meu pai caiu gravemente enfermo, tendo que se afastar da escola por muito tempo. Parecia mesmo que ia morrer e os padres chegaram até a ministrar-lhe a extrema unção. Mas não morreu e no ano seguinte voltou a freqüentar os bancos escolares, com grande aproveitamento até o final do curso.

                Em 1905, teve que vir para o Rio de Janeiro, a fim de se matricular no Curso Preparatório da Escola Militar do Realengo. É que ele soubera de uma carta-testamento deixada por seu genitor Dr. Severino Prestes, meu avô, antes de morrer. Era sua vontade que seu filho homônimo seguisse a carreira militar não só como Oficial de Cavalaria mas também como Engenheiro Militar, pois queria dar um filho à Pátria que ele tanto amava. Meu pai fez questão de cumprir à risca a vontade paterna, embora sua vocação fosse mesmo para o magistério, do que muitas vezes deu provas em sua vida  de militar.

                Em princípios de 1911, concluído o Curso Superior, Severino Prestes Filho deixou  a Escola de Guerra de Porto Alegre como Aspirante a Oficial da Arma de Cavalaria. Anos mais tarde, fez o Curso de Engenharia Militar, no Realengo, concluído em princípios de 1918. Passou então a servir no Corpo de Engenheiros do Exército, primeiramente como Tenente, e, depois, como Capitão.

                Regressando um pouco no tempo, devo informar que, ao ingressar no Curso Preparatório da Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, o então Cadete Prestes Filho veio a tomar conhecimento da Filosofia Positivista do filósofo francês Augusto Comte do qual o Cel. Benjamin Constant, professor da Escola , era um dos fervorosos adeptos. Tornou-se então positivista dos mais entusiastas, juntamente com vários cadetes.

                Outra coisa que muito interesse despertou no Cadete Prestes Filho foi o Magnetismo animal, ciência criada pelo médico alemão Franz Anton Mesmer. Havia na Escola de Guerra de Porto Alegre, onde ele fazia o Curso Superior de formação de Oficiais, um professor de Física, grande admirador de Mesmer, que se dedicava ao estudo teórico e prático do Magnetismo, e, em suas aulas fazia experiências com os próprios alunos que, voluntariamente, se apresentassem para servir de sonâmbulos, principalmente os mais susceptíveis de serem hipnotizados. O Cadete Prestes gostou muito do que viu e ouviu das lições do Mestre e se tornou também um grande magnetizador, prática essa que exerceu durante muitos anos, paralelamente às suas atividades como Oficial do Exército. Chegou mesmo a freqüentar a Associação de Magnetizadores do Rio de Janeiro, que havia no seu tempo.

                Outra coisa que grande interesse despertou em Severino Prestes Filho foi a Maçonaria. Quando criança, ele ouvia sempre sua avó, Paula Virgínia, cujo marido, João Luiz Köhler, era maçom, citar atos beneméritos praticados pelos membros dessa Sociedade Secreta. Por sua vez, durante as aulas de História do Curso de Formação de Oficiais, o Cadete Prestes Filho veio a conhecer o papel relevante da Maçonaria não só na França como em muitos outros países, inclusive no Brasil, onde, desde a Inconfidência Mineira até a Proclamação da República, tivemos sempre a presença de grandes vultos da Maçonaria na História do Brasil, pelos quais ele passou a ter grande admiração. Foi como Aspirante a Oficial, em 1911, que meu pai, Severino Prestes Filho, ingressou como neófito na Loja Maçônica “Vigilância”  de Niterói. Passou por todos os graus da evolução maçônica, chegando mesmo a exercer a função de Venerável de Loja. 

                 Em 1918, o então Tenente Prestes Filho foi servir em Juiz de Fora / MG com o General Fernando Setembrino de Carvalho, Comandante da 4ª Região Militar, que o convidara para ser seu Ajudante de Ordens e Secretário Geral daquela Guarnição.

                Foi aí que ele veio a conhecer a jovem Heloísa Villela de Carvalho, quatorze anos mais nova, por quem ficou logo apaixonado e com quem veio a casar-se, na residência do General Setembrino, no Rio de Janeiro em 13 de setembro de 1922.

                Após o casamento, o Capitão Prestes Filho poderia continuar na Capital da República, servindo com o sogro, General Setembrino, que, dois meses depois, foi empossado no alto cargo de Ministro da Guerra, para o qual tinha sido nomeado pelo Presidente Arthur Bernardes. Mas não quis. Preferiu voltar com a esposa para Minas Gerais e continuar, como Engenheiro, à frente do Serviço de Obras do Exército, para o qual tinha sido nomeado meses antes do enlace matrimonial.

                Em São João Del Rey, onde esteve como supervisor de obras da construção de um hospital militar, caiu gravemente enfermo, vítima de furunculose. Baldados foram todos os esforços dos médicos civis e militares da Guarnição, que o atenderam com a melhor boa vontade. Foi então que uma pessoa ali residente o aconselhou a procurar uma senhora conhecida como Dona Mindoca.

Ela dirigia uma casa, onde se praticava o que os historiadores classificaram como sincretismo religioso. Na linguagem popular isto quer dizer magia, feitiçaria, trabalho feito por entidades ocultas, despacho, e ouras coisas. Meu pai foi, conversou com ela; disse tudo que estava sentindo e pediu sua opinião. Depois de ouvi-lo com atenção, Dona Mindoca se concentrou, entrou em estado de transe e deixou que seu corpo fosse tomado por uma “alma do outro mundo”, um “preto véio” como se costumava dizer. Com voz e gestos masculinos, essa entidade espiritual começou a dizer o que tinha acontecido:  meu pai estava sendo vítima de influências malignas, que precisavam ser afastadas. Para isso , tinha que cumprir rigorosamente, uma série de coisas como as que se fazem nos terreiros de umbanda. E deixou bem claro que ele tinha que ser assíduo freqüentador do centro de Dona Mindoca. Meu pai, que sempre levou muito a sério as prescrições médicas, fez, direitinho, tudo que foi indicado. Mas, poucos resultados alcançou.

Entrementes, seu filhinho primogênito, que ainda não tinha completado um ano de vida, caiu gravemente enfermo, sendo também desenganado pelos melhores médicos civis e militares que o atenderam. Meu pai então recorreu, novamente, a Dona Mindoca, mas lá no centro foi informado que nada podia ser feito pelos médiuns encarregados de darem atendimento às pessoas necessitadas. Ele tinha que ter paciência e se conformar, porque era a vontade de Deus que se cumpria. Desolado, meu pai compreendeu, claramente, que ia perder seu primeiro filho. Tomou então as providências cabíveis e procurou consolar, da melhor maneira possível, a jovem e querida esposa.

E ficaram ambos aguardando o dia do desenlace fatal, que estava para chegar. Mas, felizmente, não chegou.

E não chegou porque, de repente, bateu em sua casa um General do Serviço de Saúde do Exército, que acabara de chegar a São João Del Rey para inspecionar o atendimento que era feito nos hospitais militares da Região. Além de ser médico alopata ele era também homeopata e exercia, ao mesmo tempo, a mediunidade curadora. Em lá chegando, soube do que estava acontecendo em casa do Capitão Prestes Filhos. Foi então  fazer-lhe uma visita e oferecer seus préstimos. Recebeu de meu pai o cumprimento devido a um Oficial hierarquicamente superior, e as informações detalhadas em relação à doença de seu primeiro filhinho.

Em dado momento da conversa, o visitante se concentrou, ficou algum tempo em atitude de reflexão, e, virando-se para seu camarada, disse: “- Capitão, estou ouvindo dentro de mim uma voz a dizer-me que seu filhinho não morrerá. Pode ficar descansado”.

Meu pai, é claro, agradeceu a interferência do médico, mas não lhe deu muito crédito, pois já havia se conformado com a idéia de perder o filhinho querido.

Mas o médico insistiu: “ – Por favor, Capitão, leve-me até o quarto onde está  o menino. Eu gostaria de vê-lo de perto.” Meu pai concordou e ambos foram em direção ao leito onde estava o doentinho. Diante dele, o médico pôs-lhe a mão na cabecinha, concentrou-se, novamente, e ouviu outra vez, dentro de si, a mesma voz a dizer: “ – Não, o menino não vai morrer; ainda não é chegada a sua hora. É preciso fé e confiança no Poder Supremo”. Repetiu para o Cap. Prestes o que acabara de ouvir, deixando bem claro que quem fazia essa revelação era o Espírito do Dr. Bezerra de Menezes, seu Guia e Protetor.

  Prescreveu então um medicamento e foi pessoalmente à farmácia mais próxima para aviar a receita. Voltando, pouco tempo depois, entregou o vidro do remédio homeopata a meu pai. Este, cheio de esperança, mas, ao mesmo tempo, um pouco  confuso, sem saber na verdade o que estava acontecendo, seguiu, rigorosamente, a prescrição médica, no horário previsto e na dosagem certa. Duas horas depois, começou a reação favorável: o menino deu sinal de que o organismo estava reagindo e ele iria se recuperar.  E realmente se recuperou. Duas semanas depois, já fora de perigo, estava rindo, chorando e se mexendo no berço como qualquer criancinha da sua idade.

Foi este fato, aparentemente “milagroso”, que determinou a conversão de meu pai, ao Espiritismo ou Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec. Ele que, até então, era positivista, ficou deveras abalado em sua convicção. Outros fatos se sucederam e só contribuíram para aumentar a fé e a confiança que o Capitão Prestes Filho passou a ter no poder dos Espíritos superiores da gloriosa Falange do Espírito de Verdade.

E foi um deles, o Espírito de Erasto, Discípulo de Paulo, Apóstolo dos gentios, quem fez, através da mediunidade de minha mãe, a revelação do papel importante que meu pai havia desempenhado no séc. XIX como líder espírita na França, e tinha que prosseguir, não mais ali, na terra dos Druidas, mas, sim, na América, ou melhor, no Brasil, onde o Espiritismo estava sendo confundido com o culto aos Orixás e a prática do Candomblé. Outros médiuns, inclusive seu Porfírio e seu Inácio, do Rio de Janeiro / RJ, serviram de instrumentos preciosos para a comunicação espiritual e confirmaram tudo.

Na verdade, a confusão que se fazia entre o Espiritismo e o culto afro-brasileiro, acontecia, inclusive, com o assentimento dos dirigentes da chamada “Casa Mater”, que teimavam em afirmar que “a Umbanda é Espiritismo, mas não Doutrina Espírita”.

 Erasto (Espírito) explicou a meu pai que este tinha sido o motivo pelo qual ele foi levado a freqüentar o centro de Dona Mindoca, antes de se converter ao Espiritismo. E foi essa  revelação que veio tirar meu pai da dúvida que o dominava desde que conheceu a Doutrina Espírita. 

O diálogo entre meu pai e esse luminoso Espírito durou alguns anos, precisamente, entre princípios de 1926 até meados de 1930. E foi muito útil e proveitoso para meu pai. Em setembro de 1930, ele se manifestou ostensivamente, dizendo: “ – É chegado o momento em que o irmão deve prosseguir sozinho em sua  nova caminhada pela Terra. Nossa participação direta termina hoje.

            A partir de agora, continuaremos sempre a seu lado, em todos os momentos de sua vida terrena, ajudando-o a esclarecer dúvidas que surjam, incentivando-o nos momentos de dificuldades e de lutas e, sobretudo, dando-lhe forças para suportar as grandes  provações pelas quais terá que passar. E não se esqueça jamais, irmão, de que desta vez não foi para aparecer em público como um líder espírita que veio; não foi para se projetar no mundo espírita como orador,  médium, dirigente espírita, que teve que reencarnar para prosseguir em sua missão. Para isso, outros que também fazem parte da gloriosa Falange de Espíritos superiores, vão aparecer, cada qual no seu momento oportuno, para darem sua mensagem e contribuírem para a evolução do Espiritismo. É preciso incentivá-los. Daqui para a frente, caberá ao irmão continuar aprofundando-se cada vez mais no estudo do Espiritismo, junto aos seus familiares, que precisarão muito de sua ajuda e proteção. Cabe-lhe, é claro, dedicar-se muito à família e à sociedade, sem se meter em política. Dedique-se com interesse à profissão que abraçou, não por vocação, mas, sim, por opção, até chegar ao fim da carreira e, sobretudo, à militância espírita, colaborando com as instituições beneméritas, mantendo correspondência com confrades nacionais e internacionais, lendo com interesse e, sobretudo, com espírito crítico os livros que forem aparecendo e acompanhando pelos jornais e revistas os acontecimentos que forem se sucedendo dentro do movimento espírita.

 “Procure agir sempre como um observador à distância, pesquisando muito, colecionando dados importantes, fotografias e recortes de jornais e revistas classificando tudo, para consultar mais tarde, quando chegar o momento de escrever sua obra. Não se preocupe em deixar muitas obras, dezenas, centenas. A quantidade não importa e sim a qualidade.

                “Quando deixar a vida ativa como Oficial do Exército, há de chegar o momento em que o irmão terá que escrever suas Memórias. E isto vai lhe dar muito trabalho e exigirá muito esforço de sua parte...

“ Mas nunca se esqueça de que estaremos sempre ao seu lado”.  

De fato, em todos os momentos mais difíceis de sua vida, meu pai sempre contou com a proteção do seu “Guia bem amado”, o Espírito de Erasto, Discípulo de Paulo e um dos Guias Espirituais de Allan Kardec. Graças a ele, conseguiu escrever sua obra. Um dia, quando as futuras gerações demonstrarem interesse em conhecer o que papai escreveu por determinação do Alto, suas “Memórias”ou melhor, as “Memórias do General Severino Prestes Filho” serão lançadas ao público. Será, na verdade, mais uma “Obra Póstuma”.

Eu, como filho, acompanhei bem de perto a trajetória brilhante de meu pai, em seus quase oitenta e nove anos de vida. Em 13 de setembro de 1970, cheguei mesmo a dizer a ele por escrito: “ – Eu serei o instrumento que seu Espírito, depois de desencarnado, vai utilizar para proscrever esse culto do bezerro de ouro que cada dia mais se alastra”, a que se referiu o Espírito de Erasto, em uma “Instrução” ditada em Paris,

 em 1863. (“O Evangelho segundo o Espiritismo”, cap. XX, nº 4)

Oito anos mais tarde, pressentindo que a vida de meu pai, em sua última encarnação, estava chegando ao fim, precisamente, no dia 15 de outubro de 1978, eu lhe disse, novamente por escrito: “ – Meu pai, fique descansado, que a missão que você cumpriu não foi em vão. O livro que você escreveu, por determinação do Alto, um dia será lançado ao público e eu estarei sempre, como um paladino do ideal espírita na luta em defesa do Espírito de Verdade, o Consolador Prometido por Jesus, o Homem de Nazaré”. Três meses e dois dias depois, meu pai e mestre, o General Severino Prestes Filho, precisamente no dia 17 de janeiro de 1979, exalava o último suspiro na Terra e seu Espírito, consciente do dever cumprido, voltava triunfante para a companhia de seu “Guia bem amado”, o Espírito de Erasto, Discípulo de São Paulo, e todos os membros da gloriosa Falange do Espírito de Verdade.

 

NOTA COMPLEMENTAR   

Dirigindo-me aos que têm olhos de ver e ouvidos de ouvir, só posso acrescentar que foi assim que reapareceu na Terra, o verdadeiro Allan Kardec.

Nem poderia ser diferente porque o Professor Denizard Rivail, reencarnado, na Antiguidade entre os Druidas, foi um importante sacerdote conhecido como Allan Kardec. Tempos depois, entre os romanos, foi um Centurião romano (posto equivalente ao de um general).  Convertido ao Cristianismo, como muita gente do seu tempo, foi perseguido, preso e condenado à morte, tendo sido entregue aos leões do circo romano, armado no Coliseu, onde morreu como herói, com o pensamento voltado para o Mestre Jesus. Séculos mais tarde, voltou como sacerdote, mas se revoltou contra os abusos do clero e a venda vergonhosa das indulgências, sendo denunciado como herege, e, por isso mesmo preso e condenado pelo Tribunal da Santa Inquisição a morrer na fogueira armada pelos cardeais, e, mais uma vez, soube morrer como um herói, cantando hosanas ao Senhor, enquanto seu corpo era devorado pelas chamas. Alguns séculos depois, voltou como um educador emérito, Discípulo de Pestalozzi. Levado por um magnetizador ilustre, Sr. Fortier, a assistir de perto aos fenômenos das mesas girantes e falantes que aconteciam em Paris, bom observador que era, concluiu que, por trás daqueles fenômenos, que divertiam os presentes, ‘havia qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que precisava ser estudada a fundo”. E foi o que fez.

Criou, em conseqüência do seu estudo a Ciência Espírita, e, ao mesmo tempo, deu ao mundo uma Doutrina Filosófica com conseqüências morais.

Esse professor ilustre, cientista brilhante, grande orador, jornalista e líder espírita, que ficou conhecido como “o bom senso encarnado”, não reapareceria jamais na Terra, entre os homens do século XX, como foi anunciado, em junho de 1860, de maneira diametralmente oposta.