ofplogo.gif (4994 bytes)VIVENDO E APRENDENDO


Constantemente tenho ouvido de dois ilustres confrades uma afirmação muito séria que merece um pouco de reflexão.

Declaram eles, - e defendem com unhas e dentes -, que Emmanuel, o mentor espiritual do médium Francisco Cândido Xavier, pode e deve ser visto de duas formas distintas: uma verdadeira, outra falSa. O Emmanuel de verdade é o que só ditou mensagens e livros estritamente dentro dos preceitos doutrinários da Codificação Espírita. E fez questão de agir assim, por ser um fiel servidor de Kardec.. Por isso mesmo, certa vez, disse ao Chico que se algum dia viesse a dizer algo que não estivesse de acordo com o pensamento do mestre lionês, não levasse em consideração suas palavras, ou melhor, esquecesse suas afirmações e ficasse somente com o que está registrado nas obras de Allan Kardec. Por sua vez, o Emmanuel de mentira foi aquele que ditou ao Chico o romance histórico "Paulo e Estêvão", em que o nome de Timóteo aparece dezenas de vezes, enquanto o do discípulo de Paulo, Erasto, guia espiritual de Kardec, tendo ditado belas e sábias comunicações, em que desmascarou os falso profetas, não aparece nenhuma vez. Foi aquele que prefaciou o livro roustainguista "Vida de Jesus" de Antônio Lima, publicado pela FEB, cobrindo de elogios tanto o autor como a obra. Foi aquele que prefaciou o livro "Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho", ditado pelo Espírito de Humberto de Campos, que ridiculariza Jesus, o Homem de Nazaré, e, ao mesmo tempo, faz a apologia do Cordeiro de Deus, tendo, inclusive, deixado registrado na pág. 176 do 22º capítulo a grande mentira de que J. B. Roustaing foi auxiliar de Kardec ao tempo da Codificação, encarregado de organizar o serviço da fé, quando se sabe que em outubro de 1861, quando Kardec esteve em Bordéus, fez questão de não aparecer na grande assembléia de espíritas convocada pelo Sr. Sabo, para prestar justas homenagens ao querido Mestre. Foi aquele que prefaciou o livro "Nosso Lar", ditado por André Luiz, onde se lê que essa "maravilhosa" colônia espiritual foi fundada por colonos portugueses desencarnados no séc. XVI, quando se sabe que esses indivíduos eram ambiciosos e aqui estiveram a serviço dos ricos e poderosos para a escravização de índios e negros e para a busca de ouro e pedras preciosas, a fim de alimentar sua ambição e vaidade. Foi aquele que no livro "O Consolador" disse que Jesus evoluiu em linha reta (p.146), contradizendo "O Livro dos Espíritos". Foi aquele que não aconselhou a evocação dos Espíritos em caso algum (pág. 207) , contrariando, portanto, o que se lê no cap. XXV de "O Livro dos Médiuns", em que Kardec se posicionou a favor. Foi aquele que pregou a existência de almas gêmeas, em "O Consolador, pág. 185, contrariando novamente "O Livro dos Espíritos"...

Temos aí então os dois Emmanuéis: o verdadeiro e o falso, na concepção desses dois ilustres confrades.

Ora, se Emmanuel, o mentor de Chico, que esteve a seu lado, durante todo o seu mediunato, se apresentou sempre como duas individualidades bem distintas, cabia ao médium de Pedro Leopoldo, que Marlene Nobre e Carlos Bacceli afirmam ter sido Kardec reencarnado e portanto o novo "bom senso" em pessoa, esclarecer a verdade, usando o mesmo critério que usara no séc. anterior.

O próprio Emmanuel de verdade deveria manifestar-se também, alertando os espíritas de boa fé contra esse Espírito mistificador que estava usando seu nome para enganar os otários .

Todavia, pelo que eu saiba, isto ainda não ocorreu. Por que ? É o que eu gostaria muito de saber.

Portanto, para mim, até que me provem o contrário, o Emmanuel que aparece nas obras psicografadas por Chico Xavier, é um só. Não há dois Emmanuéis, o verdadeiro e o falso.. E neste ponto, louvo a atitude do médium de Uberaba que, quando ainda na carne, deu seu testemunho de que tudo que recebeu foi mesmo obra de sua mediunidade, não foi intercalado por terceiros.

Sim, Emmanuel é um só: aquele que, na época de Jesus, foi Públius Lêntulus, Cônsul romano, a serviço do Imperador e no sec. XVI foi Manuel da Nóbrega, o Provincial dos Jesuítas, a serviço do rei D. João III de Portugal.

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