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JORNALISTA PERGUNTA: KARDEC VAI VOLTAR?

 

                 O ilustre confrade, jornalista e escritor, José Sola, publicou na revista “ESPIRITISMO E CIÊNCIA” de São Paulo-SP – Ano V - Nº 69, um artigo em que focaliza o tema muito em voga atualmente, sobre a reencarnação de Allan Kardec, anunciada pelos Espíritos Zéfiro e Dr. Demeure e confirmada pelo Espírito de Verdade com a aceitação do próprio Codificador, que chegou a calcular quando seria sua volta.

            Na opinião desse articulista, tudo que se tem dito até hoje a respeito desse tema tão controvertido não passa de “especulação vazia”, ou seja, perda de tempo que não leva a nada. Esquece ele que “especular” é uma forma de comportamento científico. Por conseguinte, se o Espiritismo é uma ciência, como o definiu Allan Kardec, cabe, sim, a todo espírita sério, competente, consciencioso, fazer especulações. Quanto ao qualificativo “vazio” que usou, é uma afirmação exclusiva dele, com a qual não concordamos.

            Depois de negar peremptoriamente que dois indivíduos ( Polidoro e Rogério) eram a reencarnação do Mestre lionês, ele se refere também à afirmação categórica da Dra. Marlene Nobre, de São Paulo, que afirmou que o Chico Xavier era a reencarnação de Allan Kardec. Aliás, esta afirmação da ilustre Diretora do jornal “Folha Espírita” e Presidente da Associação Brasileira de Medicina e Espiritismo, foi corroborada pelo Dr. Carlos Bacelli, de Uberaba/MG e pelo Juiz de Direito, Dr. Weimar de Oliveira, Presidente da Federação Espírita de Goiás. A propósito dessas afirmações, o Sr. José Sola declara: “...asseveramos não haver qualquer analogia entre as vidas de Kardec e de Chico”, com o que concordamos plenamente. Aliás, dizendo isso, ele mostra que está aprovando inteiramente o que disse o Sr. Luciano dos Anjos no final do século passado: “O psiquismo de um não se acolcheta com o do outro”.

    No final do seu artigo, o Sr. José Sola diz: “– Amigos, acredito que Allan Kardec, se voltou, ou quando voltar, não virá fazendo alarde de sua presença, pois ele coloca a causa gloriosa do Espiritismo acima de tudo, muito acima até de sua própria personalidade”.

E, neste ponto, concordamos plenamente com ele.

            Agora, algo que me chamou muito a atenção foi um pequeno trecho em que ele diz: “Foi por isso que Emmanuel, nosso querido amigo de doutrina, nos diz com tanta beleza e propriedade: - O Espiritismo é a religião universal do amor e da sabedoria, que palpita inevitável no coração de cada criatura; é o encontro marcado com as lições do Cristo de Deus”. Ora, Kardec jamais quis que o Espiritismo fosse uma religião. Mas, para Emmanuel tinha que ser porque no séc. XVI, ele como padre Manoel da Nóbrega, da Ordem dos Jesuítas, veio, ao lado dos ricos e poderosos, para catequizar os índios, ou seja, ensinar o Catecismo e impor os dogmas estabelecidos pelos Concílios. Sabemos também que a Igreja Católica, desde o aparecimento de “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, em abril de 1857, tem sido uma das mais exaltadas inimigas do Espiritismo. Sabemos ainda que a expressão “Cristo de Deus” não consta das obras da Codificação, mas aparece em “Os Quatro Evangelhos” de Roustaing e vive sendo repetida por seus discípulos e admiradores. Por conseguinte, eu, pessoalmente, não compartilho dessa admiração exagerada que o Sr. Sola demonstra para com o Espírito de Emmanuel ou padre Nóbrega. Mas respeito seu ponto de vista sobre esse sacerdote e sua posição contra o que ele considera uma “especulação vazia”, no que diz respeito à possível reencarnação de Allan Kardec. Afinal, “especular” faz parte do método científico de trabalho, assim como observar, pesquisar, experimentar, deduzir, comparar. E o querido Mestre lionês, em seu trabalho missionário a serviço do Espírito de Verdade, deu um ótimo exemplo de como  deve se comportar, na prática, um cientista espírita.

            Quero deixar bem claro que hoje, com mais convicção ainda, reitero tudo que tenho dito a respeito desse tema polêmico que é a  reencarnação de Allan Kardec no Brasil.

            E desafio o ilustre articulista a me provar o contrário, lançando mão da evocação, método científico muito usado pelo Mestre de Lyon, mas não aconselhado por Emmanuel ou padre Nóbrega e seu dócil instrumento, o Chico, como se vê em “O Consolador”. (Questão 369).