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SOLUÇÃO APONTADA POR JÚLIO ABREU FILHO

 

                “Se a Federação Espírita Brasileira (FEB) se sente mesmo com vocação para ser uma federação espírita brasileira; se a grande maioria dos espíritas brasileiros são kardecistas e desejam a modificação do statu quo criado pelos roustainguistas; se estes estão realmente convencidos das excelências de seu cisma, por que não concordam em tirar a limpo aquilo que os kardecistas impugnam?

            Para tanto, bastaria organizar um grupo selecionado nas seguintes condições:

            I – número igual de kardecistas e roustainguistas, escolhidos entre pessoas de cultura e imbuídas da responsabilidade do trabalho em que irão participar;

            II – um grupo de médiuns videntes, previamente submetidos a testes;

            III – Incorporações ou mensagens psicográficas através de Francisco Cândido Xavier e de um outro médium, previamente examinado;

IV - evocação dos Espíritos de Ismael, Bezerra de Menezes, Emmanuel, Allan Kardec e Roustaing;

V – aceitação de manifestações espontâneas de outros Espíritos.

Nessas sessões far-se-iam as seguintes perguntas  fundamentais, além de outras, decorrentes dos mesmos diálogos:

1 – Quem está com a razão: Kardec, negando, ou Roustaing, afirmando que Jesus Cristo não foi homem?

2 – É legítima a mensagem atribuída a Roustaing, dada no Rio de Janeiro e publicada na obra “Revelações de Além Túmulo”, psicografada pelo médium Sr. Carlos Gomes dos Santos?

3 – É exato que o Espírito de Allan Kardec tenha dado apoio à tese do corpo fluídico de Jesus?

4 – É autêntica a mensagem atribuída a Kardec e publicada pela Sociedade Acadêmica “Deus, Cristo e Caridade”, na introdução à primeira edição brasileira de “A Gênese, Os Milagres e As Predições segundo o Espiritismo” de Allan Kardec, no ano de 1882?

5) Como explicar a contradição entre as declarações de apoio de Kardec à tese roustainguista e a mensagem referida na pergunta anterior?

6 – Por que, desde 1882 até hoje não teria sido possível organizar uma obra de desenvolvimento, ampliação e mesmo de correção da obra de Kardec, como seria admissível nos termos da citada mensagem?

7 – São verdadeiras ou falsas as afirmações de João Evangelista em duas Epístolas contidas na Bíblia, caracterizando como Espírito do Anticristo aquele que nega que Jesus Cristo viveu e sofreu na carne?

Se a FEB está com a verdade,  esta é uma oportunidade magnífica de esclarecer seus opositores, que também são filhos de Deus. Se não aceitar (esta solução) é que teme a verdade. Restará então aos kardecistas continuarem proclamando a verdade com a F.E.B, sem a F.E.B. ou apesar da F.E.B.”

(Fonte: “ERROS DOUTRINÁRIOS” de Júlio Abreu Filho, inserido na segunda parte da obra “O VERBO E A CARNE”, lançamento das Edições Cairbar de São Paulo / SP– 1ª Edição – Ano de 1973 e em 2ª Edição  pela Editora Paidéia de São Paulo / SP– Ano 2003)

Quem foi Júlio Abreu Filho?

Professor, poliglota, profundo conhecedor da Doutrina Espirita, amigo, admirador e grande colaborador de J. Herculano Pires, de quem era parceiro no combate e crítica ao roustainguismo. Foi tradutor da Revista Espírita de Allan Kardec, e, como jornalista, escreveu no jornal espírita “Édipo”. Como escritor deixou “ERROS DOUTRINÁRIOS” e “POEIRA DA ESTRADA”. O primeiro é uma crítica contundente a Ismael Gomes Braga, que, em seu livro “ELOS DOUTRINÁRIOS” declarou que “o roustainguismo é um curso superior de Espiritismo”.

Júlio Abreu Filho nasceu no Ceará, em 10 de dezembro de 1893 e desencarnou na cidade de São Paulo, em 28 de setembro de 1971.

Por suas críticas a Roustaing, à FEB e a Ismael Gomes Braga, transformou-se num verdadeiro baluarte da Doutrina Espírita e um grande paladino da pureza doutrinária do Espiritismo.

  Ficam aqui as nossas homenagens a esse grande vulto do Espiritismo no Brasil.