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ERASTO E A SOCIEDADE PARISIENSE DE ESTUDOS ESPÍRITAS (SPEE)

 

                Como se sabe, “até o dia 1º de abril de 1858 as reuniões espíritas promovidas por Kardec eram realizadas em sua própria casa, na Rua dos Mártires, com a presença de vários médiuns, dos quais a principal, segundo seu biógrafo André Moreil, era a Sra. Ermance Dufaux”. Todavia, com o passar do tempo a frequência às reuniões foi aumentando, de modo que foi necessário arranjar uma nova sede, um local próprio, que, depois de algumas tentativas, passou a ser uma sala localizada na rua Sant’Ana, nº 59.

            Além da Sra. Dufaux, outros médiuns faziam parte do grupo: a Sra. Baudin e sua filha, a Senhorita Japhet, a Senhorita Aline C..., a Sra. Forbes, a Senhorita Solichon, o Sr. Grozet, o Sr. Jorge Genouillant, a Sra. Schmidt e o Sr. d’Ambel, diretor do jornal “L’Avenir”, de Paris, pelo qual várias vezes se manifestou o Espírito de Erasto.

            Uma das comunicações desse luminoso Espírito foi dada em outubro de 1861, numa reunião realizada na sede da SPEE, na véspera da viagem de propaganda do Espiritismo que Kardec fez a várias cidades, inclusive Bordéus, onde nasceu e viveu o grande Advogado que foi o Sr. João Batista Roustaing.

              Pode-se perguntar então: “– Por que motivo, Allan Kardec foi a Bordéus?”

            Em primeiro lugar porque já vinha se correspondendo com inúmeros confrades ali residentes, ficando assim a par do progresso que o Espiritismo vinha alcançando naquela grande Metrópole. Em segundo lugar porque um dos que lhe escreviam cartas, demonstrando uma sincera amizade e reconhecendo nele a autoridade de um verdadeiro Chefe Espírita foi, justamente, o ilustre Advogado, Doutor Roustaing, que lhe confessou ter-se convertido ao Espiritismo após ter lido suas primeiras obras. Chegou mesmo a dizer que gostaria de ir pessoalmente a Paris, só para ter o prazer de abraçá-lo e apertar-lhe a mão, o que infelizmente não poderia ser feito porque seu estado de saúde não lhe permitia, pois estava se recuperando de uma doença que o manteve no leito durante um longo tempo. Finalmente, o terceiro motivo foi porque Allan Kardec havia recebido do Sr. Sabô, que fundara e presidia um centro espírita em Bordéus, onde morava, um amável convite para prestigiar com sua presença a inauguração da Sociedade de Estudos Espíritas daquela grande Metrópole; sociedade criada nos moldes da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

            Kardec chegou a Bordéus no dia 13 de outubro de 1861, e foi muito bem recebido pelos confrades que fizeram questão de ir à estação ferroviária para lhe dar as boas vindas. Mas Roustaing não estava entre eles.  No dia 14, houve a solenidade de fundação da Sociedade de Estudos Espíritas de Bordéus e,  no dia 15, foi oferecido um banquete ao ilustre visitante e grande Missionário, Sr. Allan Kardec, que foi saudado pelos presentes com muita admiração e respeito. Mas Roustaing não compareceu.

Interessante, não?!! O Dr. Roustaing, que, por carta, demonstrara tanto interesse em conhecer pessoalmente seu “mestre e chefe espírita”, Allan Kardec, não foi recebê-lo na estação, não participou da solenidade de inauguração da Sociedade de Estudos Espíritas de Bordéus, nem compareceu ao banquete oferecido pela comunidade espírita local ao Missionário de Lyon. Também não se preocupou em justificar sua ausência, nem foi pessoalmente à estação para cumprimentá-lo na hora da despedida e desejar-lhe boa viagem, como fazem as pessoas educadas em relação aos seus superiores! 

É claro que Allan Kardec estranhou bastante esse comportamento, mas, como era do seu feitio, não desabafou com ninguém.

     NOSSO COMENTÁRIO

                A verdade, contudo, é que Roustaing, já completamente restabelecido fisicamente, reuniu em casa um grupo de confrades e, através de um médium, começou a evocar não só o Espírito de seu pai, como também o de João Batista, do Apóstolo Pedro e o dos Evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João, que já vinham se manifestando na casa da médium, Sra. Emilie Collignon.

                Em dezembro de 1861, Roustaing recebeu a intuição de visitar essa senhora. Foi e voltou oito dias depois, quando ela caiu em transe e recebeu uma mensagem assinada pelos Espíritos dos Evangelistas supra citados.

                Eles declararam que era preciso publicar as mensagens recebidas como sendo a “Revelação da Revelação” e a ele, Roustaing, é que cabia essa tarefa; tarefa que ele cumpriu, religiosamente, dando o seu nome como sendo o do autor.