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ESTUDO COMPARATIVO

Sobre as evocações de espíritos feitas por J. B. Roustaing, conforme ele próprio nos informa no Prefácio de "Os Quatro Evangelhos", assim se pronunciou o mestre J. Herculano Pires: "Todo estudante de Espiritismo sabe que essas evocações pretensiosas acarretam mistificações. (...) A imensa alegria que as comunicações pedidas causaram a Roustaing mostra a sua ingenuidade de neófito. Aceitas as comunicações e aceita a incumbência de servo de Deus, Roustaing se entregava às mãos dos mistificadores.

"Comparando-se essa facilidade com as reservas de Kardec ao iniciar a investigação dos fenômenos e ao receber as primeiras mensagens espirituais, vê-se logo a diferença entre os dois. Kardec é a modéstia e a prudência. Roustaing é a pretensão e a precipitação. Kardec observa, estuda, pesa, analisa, e entrega-se à profunda perquirição, à exaustiva experimentação. Roustaing se inflama e se atira sofregamente ao trabalho. Não traça um plano de trabalho, não medita sobre os problemas que vai enfrentar, não submete os espíritos comunicantes a nenhuma prova de identificação moral e espiritual. Descobriu o maravilhoso e nele se perde enlevado.

"A gênese do Roustainguismo é portanto o anseio do maravilhoso. Tanto assim que, enquanto Kardec, sensato e cauteloso, se recusa a falar em religião, atribuindo ao Espiritismo o caráter de Ciência e oferecendo-o às religiões como uma arma na luta contra o materialismo, Roustaing logo se proclama como o revelador, ‘instrumento útil’ nas mãos de Deus, para promover a ‘unidade de crenças e a fraternidade humana pela efetivação das promessas do Mestre, e, por fim, do Reino de Deus na Terra’.

"Enquanto, em Kardec, o estado de espírito era de observação, em Roustaing era de fascinação. Kardec ponderava, analisava, experimentava. Mas Roustaing se entregava aos espíritos, abdicando da própria razão. E não queria ser nada menos do que isto: o instrumento que conquistasse o amor e o respeito das criaturas para o Criador, como se Deus necessitasse da ajuda falível de um homem para fazer-se amado e respeitado. Podem alegar que ele se dirigia a Deus, mas as preces orgulhosas não são recebidas por Deus e sim pelos espíritos obsessores. Não foi Deus quem o ouviu e entendeu..."

Depois de fazer um esquema cronológico do aparecimento do Roustainguismo, o prof. Herculano Pires acrescenta: "No total, o Roustainguismo levou apenas quatro anos e meio para se apresentar em seu texto completo. Durante sua elaboração, não houve nenhuma relação entre Kardec e Roustaing. O certo, em casos dessa natureza, é o discípulo procurar os conselhos do mestre, pois Roustaing aprendeu o Espiritismo lendo Kardec, embora o tenha aprendido mal. Isso revela a auto-suficiência de Roustaing, confirmando o excesso de orgulho e de vaidade que o levaram à mistificação".

E prossegue: "Quem conhece a obra laboriosa de Kardec, o estudo paciente a que se entregou, o critério com que rejeitou todas as comunicações "maravilhosas" que lhe eram dadas, a recusa de comunicações assinadas por grandes nomes, cujos textos não justificassem a assinatura, a consulta incessante aos espíritos através de diversos médiuns, pode avaliar a temeridade a que Roustaing se entregou, levado pelo seu entusiasmo exagerado e pela sua precipitação.

"Historicamente a razão de ser do Roustainguismo é apenas esta: a inquietação de um convalescente que se impressiona com a obra de Kardec e tem a pretensão de superá-la, esclarecendo pontos obscuros dos Evangelhos com a ajuda dos Espíritos Superiores, através de comunicações por alguns médiuns seus conhecidos e conterrâneos, que por fim são substituídos pela médium única, Madame Collignon, responsável mediúnica por todo o texto. O próprio Roustaing provoca a revelação, evocando os espíritos, ao contrário de Kardec, que estuda os fenômenos e é surpreendido pela revelação em meio de seus trabalhos de experimentação mediúnica.

"A posição científica de Kardec opõe-se à posição vulgar de Roustaing - homem vaidoso que se deixa levar pelos espíritos mistificadores, aceitando as explicações mais ridículas e absurdas, para o esclarecimento de problemas escriturísticos. O grande advogado de Bordéus não passava de um grande ingênuo". ( "O Roustainguismo à luz dos textos" de J. Herculano Pires, parte I do livro "O VERBO E A CARNE").

NOSSO COMENTÁRIO

Depois desse estudo comparativo brilhante feito pelo grande Mestre em Espiritismo que foi o Prof. J. Herculano Pires, não é que o artigo primeiro do Estatuto da Federação Espírita (Roustainguista) Brasileira, em seu parágrafo único, diz que: "Além das obras da Codificação de Allan Kardec, a divulgação do Espiritismo deve ser feita também pelo estudo de "Os Quatro Evangelhos" de J.B. Roustaing, que é uma obra complementar"?!

É verdade que, no final do ano passado, por convocação do Presidente da FEB, foi realizada uma assembléia geral para revisão do Estatuto, com o objetivo de extrair esse tal parágrafo único. Mas isto não foi possível porque o Sr. Luciano dos Anjos, roustainguista fanático, entrou com um pedido de liminar junto ao Tribunal de Justiça do Estado e conseguiu impedir sua discussão, alegando que esse artigo constitui o que os romanos chamavam de "cláusula pétrea", ou seja, matéria indiscutível. Portanto a revisão do atual estatuto da FEB, instituição que serve ao mesmo tempo a dois senhores - Kardec e Roustaing – só pode continuar sendo feita a partir do segundo artigo. O primeiro é intocável, tem que continuar como está.

Será que o Juiz que concedeu essa liminar algum dia já leu as obras da Codificação? Já leu "Os Quatro Evangelhos" de Roustaing?!

E, diante disso, qual será a atitude daqueles que se vangloriam de ser verdadeiros espíritas, fiéis e leais seguidores de Kardec?! O futuro dirá! Esperemos!...

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