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O ESPIRITISMO NA FRANÇA

Em seu livro "CONSCIENTIZAÇÃO ESPÍRITA", nosso querido e saudoso confrade Gélio Lacerda da Silva nos mostra o que ocorreu com o Espiritismo na França, após a desencarnação de Allan Kardec, dizendo:

"Como se sabe Kardec imprimiu orientação segura ao Espiritismo, através da Revista Espirita por ele fundada em 1858 e por ele dirigida até março de 1869, quando desencarnou, inclusive, Kardec recomendava sua revista como fonte de consulta ("O Livro dos Médiuns", cap. III), porque era em suas páginas que ele respondia aos que o consultavam para dirimir dúvidas.

"Com relação às antidoutrinárias teorias roustainguistas, Kardec refutou-as na Revista Espirita, primeiramente no seu artigo "Do princípio da não retrogradação do Espírito", em junho de 1863 (págs. 163/166); depois, na sua apreciação de ‘Os Quatro Evangelhos’ de Roustaing, em junho/1866 (págs. 188/190, Edicel). E, por fim, em ‘A Gênese’, cap. XV. (grifo nosso)

"Colocamos em destaque o papel da Revista Espírita na propaganda do Espiritismo, quando ela estava sob a direção de Kardec, porque com o desencarne deste, a Revista, nas mãos do seu gerente Pierre Gaëtan Leymarie, por seu excessivo espírito de tolerância, desvirtuou a finalidade da Revista, abrindo suas páginas à propaganda de filosofias espiritualistas, inclusive à de Roustaing, que diverge do Espiritismo.

"Além disso, lamentavelmente, o Sr. Leymarie se deixou enganar por um fotógrafo fraudulento, que lhe custou um ano de prisão, com danosas conseqüências para o Espiritismo, na França, tanto que, com esse triste episódio, espírita, na França, passou a ser sinônimo de "escroque" (trapaceiro, vigarista, velhaco, caloteiro...)" E Gélio cita como fonte de consulta o livro "Allan Kardec" de autoria de Zeus Wantuil e Francisco Thiesen, 1ª edição da FEB, vol. III, pág. 225.

E prossegue Gélio: "Sobre o episódio da fraude com as fotos de Buguet, escreveu Gabriel Delanne: ‘Se tivemos que experimentar uma condenação contra nós, foi porque nos desviamos da rota traçada por Allan Kardec (grifo de Gélio). Este inovador era contrário à retribuição dos médiuns e tinha para isso boas razões. Em sua época, os irmãos Davenport muito fizeram falar de si, mas, como ganhavam dinheiro com suas habilidades, Allan Kardec afastou-se deles, prudentemente" (O Espiritismo perante a ciência de Gabriel Delanne, ed. FEB, 1952, pág. 208)

"Sobre o desvirtuamento das finalidades da Revista Espírita por Pierre Gaëtan Leymarie, lê-se que ele ofereceu na Révue terreno livre aos lutadores de todas as correntes com a condição de que defendessem causas espiritualistas ou de ordem essencialmente humanitária e moral, expondo-se assim às críticas acirradas de uns, às acusações ou descontentamento de outros... " (Processo dos Espíritas, ed. FEB, 1977, págs. 22/23 da 2ª edição). Nesses ‘lutadores de todas as correntes’ se incluem os roustainguistas, como disseram Zêus Wantuil e Francisco Thiesen: ‘Pierre Gaëtan Laymarie, distinto divulgador, também, da obra Os Quatro Evangelhos de J. B. Roustaing" ("Allan Kardec", vol. III, pág. 376).

E prossegue o nosso Gélio: "Pierre Gaëtan Laymarie envolveu o Espiritismo num amálgama de ideologias espiritualistas, que acabou por descaracterizá-lo nos seus princípios básicos. Eis mais uma prova disso: Em 1878, ao lado da Sociedade para Continuação das Obras Espíritas de Alan Kardec, Leymarie organiza a Sociedade Científica de Estudos Psicológicos. Congrega, em torno desta obra, os homens mais eminentes (vários nomes são citados). Em seus trabalhos, esta Sociedade se dedicava igualmente ao estudo das teorias e das experiências do magnetismo animal e da mediunidade, estudando-se ainda as obras originais de Cahagnet e de Roustaing (grifo do Gélio), a doutrina de Swedenborg, o grande precursor do Espiritismo (?), bem como o Atomismo, a teosofia, o budismo, o transformismo, e, por fim, o ocultismo" (Zeus Wantuil/Francisco Thiesen em "Allan Kardec", vol. III. Pág. 219)"

E conclui nosso saudoso Gélio: "Aí está a verdadeira causa por que o Espiritismo desapareceu na França.(...) O que Leymarie fez com o Espiritismo na França, a Federação Espírita Brasileira vem tentando fazê-lo no Brasil: um sincretismo religioso de ideologias conflitantes, um misto, ou melhor, uma miscelânea de espiritismo, roustainguismo, ubaldismo, umbandismo. Sim, até umbandismo, porque, para a Diretoria da FEB, onde há mediunismo, há também espiritismo (Reformador, 16/10/26), enfim, um saco de gatos..." (Gélio Lacerda da Silva, "Conscientização Espírita", págs. 108 a 114).

NOSSO COMENTÁRIO

Vale a pena ler esse livro maravilhoso, que é "CONSCIENTIZAÇÃO ESPIRITA", cheio de verdades, que nos deixou o querido e saudoso confrade Gélio Lacerda da Silva.

Disse Celso Martins: "É o melhor livro que já li contra Roustaing. Recomendo à editora EME sua publicação, para que esse trabalho - irrespondível - tenha a mais ampla divulgação.

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