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SEVERINO DE FREITAS PRESTES FILHO,

MEU PAI, MEU MESTRE

     No dia primeiro de fevereiro, meu pai, nascido em 1890, (portanto, vinte e um anos depois da desencarnação de Allan Kardec), se vivo fosse, estaria completando, precisamente cento e seis anos de idade.

     Filho de um advogado famoso de Porto Alegre e São Paulo, onde, inclusive, é nome de rua, papai ficou órfão aos sete anos, e, já em idade escolar, foi internado em um colégio de padres jesuítas de São Leopoldo/RS, onde recebeu uma ótima formação intelectual, durante o seu curso de humanidades, já que ali trabalhavam excelentes professores. Mas papai não era bem visto pelos sacerdotes, porque, nas aulas de Teologia e Doutrina Cristã, fazia perguntas sobre os dogmas e mistérios da Igreja, que eram consideradas impertinentes. Por isso era sempre repreendido, e, como castigo, tinha que rezar tantos padres nossos e tantas Ave-Marias, o que ele fazia contrariado.

     Aos quinze anos de idade, deixou o Ginásio de São Leopoldo e, para fazer a vontade do pai, já falecido, matriculou-se  na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro/RJ. Ainda como calouro, foi com todos os alunos para Porto Alegre/RS, onde concluiu os Cursos Preparatório e  Superior. Formou-se em 1911, saindo Aspirante a Oficial da Arma de Cavalaria, tendo servido em guarnições do Sul. Em 1918, concluiu também o Curso de Engenharia Militar e foi servir como Chefe do Serviço de Obras em várias cidades de Minas Gerais.

      Desde o início da vida militar, atuou sempre como professor e instrutor. Ainda como aluno, deu explicações aos colegas mais fracos. Mais tarde, já como Oficial, deu aulas teóricas e práticas aos recrutas e  aos que desejavam prestar concurso para Cabos, Sargentos e Sub-oficiais. Sua vocação era mesmo para o magistério. E eu e meus irmãos pudemos comprovar isto muito bem, porque, quando deixou o serviço ativo, foi nosso professor e nos deu aulas de Francês, Matemática, Português, Literatura, Filosofia e, sobretudo, de Doutrina Espírita. Como sabia ensinar! Era um verdadeiro mestre na didática.

     Ao sair da Escola Militar como Aspirante a Oficial, papai entrou para a Maçonaria, filiando-se à Loja Maçônica “Vigilância”, em Niterói. Passou por todos os graus da Ordem e chegou mesmo a exercer a função de Venerável.      

      Dedicou-se muito também ao Magnitismo Animal, depois de ler e estudar, profundamente,  a Teoria de Mesmer. Realizou experiências notáveis, que sabia narrar para nós, durante as conversas em família.

      Sua conversão ao Espiritismo se deu em 1925. Até então ele era um ardente positivista da Escola de Augusto Comte, que aprendeu quando cadete. Por isso mesmo sua conversão ao Espiritismo não se deu com facilidade, de uma hora para outra. Foram os fatos que o levaram a mudar sua convicção e foi preciso mesmo que os Espíritos Superiores  que o assistiam se manifestassem e lhe lembrassem a missão que  tinha que concluir nesta existência. Adquiriu então uma fé inabalável.

      Passou a dedicar-se ao estudo das obras de Allan Kardec e depois à prática da mediunidade. E contou sempre com  a proteção de seu Guia Espiritual, Erasto, Discípulo de São Paulo, com quem manteve muitos diálogos, através de minha mãe, que era médium. Mas não sosmente com ela; com outros também.

       Tudo que pôde realizar, sob a proteção e assistência dos Espíritos Superiores, ele apresenta, com riqueza de detalhes, na obra que escreveu, por determinação do Alto, mas que deixou inédita sob a guarda dos filhos. Um dia será publicada. Quando? Não sabemos. Depende só da vontade dele e de seus Amigos e Protetores Espirituais. Aguardemos o momento propício.

      Em nossas conversas familiares, papai se abria muito conosco, analisando fria e corretamente os acontecimentos, os artigos de jornais e revistas e os livros que lia com olhos de crítico e de observador atento. Agia sempre como um verdadeiro cientista.

       Lembro-me bem dos comentários que fez, quando, em 1938, leu o livro “Brasil Coração do Mundo Pátria do Evangelho”  do Espírito de Humberto de Campos psicografado pelo médium Chico Xavier. Uma grande indignação se apoderou dele, é óbvio. E, mais indignado ficou mais tarde, em 1949, quando tomou conhecimento do acordo que aqueles que se diziam “kardecistas” assinaram com os dirigentes da FEB e ficou conhecido na história do movimento espírita como “Pacto Áureo”.

        Outra coisa que o deixou também muito revoltado foi o aparecimento do livro de Ismael Gomes Braga, intitulado “Elos Doutrinarios”, lançado pela FEB, no qual o roustainguismo foi colocado como “um curso superior de Espiritismo”. Papai achou isto o maior dos absurdos, uma grande ofensa ao Codificador do Espiritismo. Por outro lado, ele gostou  muito, quando leu a resposta dada por Júlio Abreu Filho, em seu livro intitulado "ERROS DOUTRINÁRIOS”. Gostou tanto que me deu de presente um exemplar autografado, como já tinha me dado um exemplar do “KARDEC E NÃO ROUSTAING”, de Luciano Costa, lançado pela EDICEL. Lembro-me bem de suas palavras: “ – É assim que se deve falar e escrever, meu filho.”...Bem!, páro por aqui...

     Quem quiser saber mais, leia a biografia de “SEVERINO DE FREITAS PRESTES FILHO, MEU PAI, MEU MESTRE”, dirigindo-se, pessoalmente, ou por telefone à Livraria do Centro Espírita “Léon Denis” – Rua Abílio dos Santos, 137 – Bento Ribeiro – Rio de Janeiro/RJ (cep. 21.331-290) – Tel.: 2489-9847 – Contato com Maria Regina, Lucimar ou Luiza.

      Agora, quem quiser comprovar tudo isto que escrevi  sobre meu pai, evoque, por favor, o seu Espirito, aplicando, naturalmente, o método ensinado por Allan Kardec. Ao contrário do que afirmou o Chico: o telefone também toca de cá para lá. Meu pai, sendo chamado, virá, tenho certeza. Mas eu quero estar presente, quando ele se manifestar.

     Parabéns, meu querido e saudoso pai, pela passagem do seu aniversário natalício ocorrido em primeiro de fevereiro.