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ERASTO, DISCÍPULO DE SÃO PAULO  E A MISSÃO DOS ESPÍRITAS

      Participei no dia 11 de março (Sábado) de uma reunião espírita publica numa importante cidade da Região dos Lagos. E, como se tornou hábito nos centros espíritas, logo ao chegar, alguém que estava na porta entregou-me uma mensagem ditada por Emmanuel. Essa mensagem  foi lida também pela  pessoa que estava coordenando os trabalhos antes da prece inicial, com o objetivo, é claro, de preparar  o ambiente.

     Essa mensagem tinha por título “O OBREIRO DO SENHOR” e seu autor espiritual por 27 vezes ditou frases, usando o verbo na forma negativa. Todas começavam por “Não...”

     Tive a preocupação de destacar as seguintes: “O Obreiro do Senhor não cria problemas;  não transforma a verdade em lâmina de fogo no peito dos semelhantes; não espia os erros do próximo; não perde tempo em lutas desnecessárias;  não acusa ninguém;  não critica....”

     Vê-se assim, claramente, que, para Emmanuel e seu médium particular. o Chico , o Obreiro do Senhor tem que viver num mundo do faz de contas, acreditando, piamente, que tudo vai muito bem, às mil maravilhas. Seus olhos têm que estar vendados, os ouvidos, tapados, as bocas, amordaçadas, para não perceberem, os erros, os defeitos, as falhas dos seus semelhantes, e, principalmente, para não denunciarem o que se passa de ruim ao seu redor. Tem que se convencer de que tudo vai muito bem. Discussões? Nem pensar!... Polêmicas, muito menos!... Isto porque, se agir de modo diferente, fica sendo mal visto, pois é um criador de problemas, um perturbador da ordem estabelecida, um impiedoso desrespeitador do próximo, quando não: um obsedado incorrigível.

     A palestrante daquela tarde, bateu na mesma tecla: o Obreiro do Senhor tem que ser sempre bonzinho, manso, aceitando tudo calado, sem reclamar, sem criar problemas, sem discutir, sem criticar, sem apontar erros e defeitos nos outros e nas instituições... porque somente assim, será abençoado por Deus e protegido pelo Mestre Jesus, o Homem de Nazaré.    

    É claro que ouvi tudo calado, pois estávamos numa reunião pública. Mas, dentro de mim, havia uma grande interrogação: “ – Será?!”

     Ao chegar em casa, porém, abri “O Evangelho segundo o Espiritismo”, no cap. XX, e, no ítem nº 4 encontrei uma sábia Instrução do luminoso Espírito de Erasto, Discípulo de São Paulo, da qual destaquei as seguintes passagens: a) “Ó, todos vós, homens de boa-fé, lançai-vos em cruzada contra a injustiça e a iniquidade. Ide, e proscrevei esse culto do bezerro de ouro que cada dia mais se alastra...”; b) “Que importam as emboscadas que vos armem pelo caminho! Ide, Deus vos conduz!”; c) “Marcha, avante!. Diante de ti os grandes batalhões dos incrédulos se dissiparão (...) Parti, cheios de coragem, para removerdes essas montanhas de iniquidades...” d) “Arme-se a vossa falante de decisão e coragem! Mãos à obra! O arado está pronto; a terra espera, arai...”

     Que diferença entre um e outro, entre Emmanuel, chefe dos jesuítas (ontem e hoje) e Erasto, Discípulo de São Paulo, e um dos Guias de Allan Kardec!... Que diferença!...    

     Concluí então que nós, espíritas, não podemos ficar acomodados, de braços cruzados. Temos, sim, que denunciar os erros, as falhas, os equívocos, que encontrarmos nas instituições e em nossos companheiros de ideal espírita, e, sobretudo, em nós mesmos.