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UM ACIDENTE DOUTRINÁRIO NA VIDA DE J. HERCULANO PIRES

 

     Diz-nos Jorge Rizzini que J. Herculano Pires, por haver lido, quando jovem, a propaganda que a Federação Espírita Brasileira, paradoxalmente, fazia da obra “Os Quatro Evangelhos” de J.B. Roustaing, teve o que podemos chamar de um “grave acidente doutrinário”. E cita o seguinte fato, contado por ele próprio:

     “Nos idos de 40, estávamos ainda na mocidade, havíamos nos tornado espírita e não tivéramos tempo de aprofundar o conhecimento da Doutrina. A FEB fazia então grande propaganda da obra de Roustaing, afirmando que se tratava da única interpretação total dos Evangelhos publicada em toda a Cristandade.

      “Nessa época o Rev. Othoniel Motta publicou o seu livro “Temas Espirituais”, em que relata suas experiências espíritas positivas, reconhecendo a veracidade dos fenômenos, mas combatendo a doutrina como diabólica. Analisamo-lo, no ardor da juventude, num folheto intitulado És Mestre... , publicado na Revista Internacional de Espiritismo, de Matão, e feito em separata pela Editora ‘O Clarim’. Levado pelas informações da FEB, citamos de passagem Os Quatro Evangelhos. E um espírita da Bahia escreveu-nos a respeito, felicitando-nos pelo trabalho, mas lamentando a citação infeliz.

      “Fomos então consultar a obra famosa e ficamos envergonhado. Graças a Deus, Othoniel não recorreu a ela...” (Ver a biografia de J. Herculano Pires, de Jorge Rizzini, pág. 255)

      Consultando depois a obra “O Verbo e a Carne”, verificamos que a propósito desse lamentável epísódio, Herculano Pires acrescentou: “Caso semelhante aconteceu a Carlos Imbassahy, segundo ele nos relatou pessoalmente. Eurípedes Barsanulfo é também citado às vezes como roustainguista, em virtude de engano. Mas, logo que acordou do engano, Barsanulfo repudiou Roustaing (...)

       “Esses fatos, - prossegue Herculano Pires – mostram como é insistente e nefasta a propaganda  dessa obra de mistificação em nosso meio, mormente por uma instituição tradicional e conceituada. Júlio Abreu Filho faz denúncias graves de desvirtuamento de obras mediúnicas pelo fanatismo roustainguista. Essas denúncias não são de agora, mas publicadas há vários anos. Apesar de tudo, porém, a propaganda continua e a obra deturpadora vai semeando o seu joio na seara”.

     (Ver “O Verbo e a Carne”, pág. 59)