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COMO  ROUSTAING  VÊ  JESUS

                Abrindo-se “Os Quatro Evangelhos” de J. B. Roustaing, lê-se, logo no primeiro tomo, o seguinte: “Jesus, aos olhos dos homens, foi um homem e também um Deus, milagrosamente encarnado no ventre de Maria”. Afinal foi essa a revelação que o Anjo fez a Maria e a José. “Jesus”, para Roustaing “foi, portanto, um Homem-Deus”.

             Para Roustaing “tudo na vida ‘humana’ de Jesus foi apenas aparente”. Sim, porque “deviam todos acreditar na sua humanidade. Entretanto, seu Espírito apenas revestira um perispírito tangível, um corpo meramente perispirítico, ou seja fluídico, e, como tal, inacessível às exigências, às necessidades da existência material”. (págs. 242 e 243)

                Mais adiante, Roustaing repete: “Durante sua missão terrena, cumpria que Jesus, que deveria ser um exemplo, um modelo a ser imitado, fosse visto aparentemente como um homem, mas, ao mesmo tempo, teriam que ver nele também um Deus, ou melhor, o próprio Deus..” (págs. 275 e 276). Traduzindo: um milagre.  Sim, porque Roustaing deixou bem claro: “... só por milagre fôra possível que um Espirito tão sutil, tão etéreo, como o de Cristo, suportaria o contato da matéria tão grosseira como a do corpo humano...” (pág. 371)

NOSSO COMENTÁRIO

                 Como se vê, o pensamento de Roustaing, que reflete o do “Regenerador”, seu Guia Espiritual, é totalmente contrário ao de Allan Kardec, que reflete o pensamento do Espírito de Verdade, seu Guia Espiritual.

                Portanto, logicamente falando, a Federação Espírita Brasileira, por ser roustainguista, como é, há mais de cem anos, serve, ao mesmo tempo, a dois senhores, que pensam de modo diametralmente oposto: de um lado Allan Kardec, que, interpretando o pensamento dos Espíritos superiores da gloriosa falange do Espirito de Verdade, afirma que Jesus foi um homem, apenas homem, ou melhor, um Espirito superior, do mais elevado grau, encarnado no corpo de um ser humano do sexo masculino. E jamais pode ser considerado como um deus. Por outro lado, João Batista Roustaing, interpretando o pensamento dos Espíritos mistificadores, assistidos pelo Espírito do Regenerador, afirma que Jesus não era um homem de carne e osso, e, sim apenas um perispírito, ou melhor, um corpo fluídico ou “agênere”, e, por ter nascido, milagrosamente, por obra e graça do Espírito Santo e da Virgem Maria, foi também um Deus, ou melhor, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

                Por sua vez, os membros do Conselho Federativo Nacional, que, por força do acordo conhecido como “Pacto Áureo” de 1949, constituem um importante departamento da Federação Espírita (Roustainguista) Brasileira, são, todos, coniventes com o erro, sim, com os absurdos contidos na obra “Os Quatro Evangelhos” de João Batista Roustaing, obra que Allan Kardec não aceitou nem admitiu que fosse considerada como complementar às da Codificação Espírita. E isto ele deixou bem claro no artigo que publicou na Revista Espírita de junho de 1866, ao ler e comentar a obra de Roustaing, que foi escrita, publicada e divulgada à sua revelia. 

                Quando Roustaing diz que “a encarnação de Jesus foi especial”, quer também afirmar que foi um “milagre” (Vol. I, pág. 370) porque, diz eele, “só por milagre fôra possível que um Espírito tão sutil, tão etéreo como o do Cristo, suportasse o contato da matéria tão grosseira como a do corpo humano” (pág. 371). 

Isto, na verdade, quer dizer que Deus não é soberanamente justo, como está na questão nº 13 de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, pois trata seus filhos de maneira diferente.  Sim, porque, se “Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes” (Questão 115 de “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec), Jesus, segundo Roustaing, foi uma exceção, pois, já foi criado “perfeito”, “puro por excelência”. (“Os Quatro Evangelhos”, de Roustaing, vol. I, pág. 274)... Vejam que tremendo absurdo!

                E ainda teimam em afirmar que Roustaing foi um auxiliar, um “coadjutor” de Allan Kardec e que  sua obra é complementar às da Codificação! Parece mentira! E os Congressos dizem: “Amém!”. E os membros do Conselho Federativo da FEB (Roustainguista) repetem: “Amém!”.