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FALANDO SÉRIO SOBRE MEDIUNIDADE

      Nesse artigo, inserido na gazeta “PENSADOR”, de João Pessoa/PB, edição de julho de 2007, pág. 8, do qual extraímos o trecho abaixo, nosso ilustre confrade, Carlos Antonio de Barros, declarou o seguinte:

     “O movimento espírita brasileiro está do jeito que os Espíritos de baixo nível moral gostam: muita polêmica, discussões estéreis e nenhuma perspectiva de pesquisa no campo científico.

     “Mesmo com a instalação de diversas Entidades Especializadas em todo o país, a Ciência Espírita se mantém vazia de experimentos que justifiquem resultados satisfatórios no campo da paranormalidade, coerente com os ensinamentos e o espírito pesquisador de Allan Kardec.

     “Ninguém acredita que seja possível implementar novas pesquisas com base no Controle Universal dos Espíritos, devido à orientação incoerente determinada pelo Espírito Emmanuel, proibindo a evocação dos desencarnados ...”  (Grifos nossos)

 NOSSO COMENTÁRIO

     Muito bem, ilustre confrade e competente jornalista, sua análise do movimento espírita brasileiro está realmente excelente, quase perfeita. Na verdade, fala-se muito, discute-se muito, sem que haja qualquer perspectiva de pesquisa no campo científico. Como você disse muito bem, a Ciência Espírita, criada por Allan Kardec, “se mantém vazia de experimentos”. E você, por certo, foi muito feliz ao se referir à “evocação dos Espíritos”, que Allan Kardec, assistido pelo Espírito de Verdade, preconizava e deixou bem claro em suas obras e em vários números da Revista Espírita, durante os anos em que ela esteve sob sua responsabilidade e direção. Mas, infelizmente, o Espírito Emmanuel – leia-se padre jesuíta Manuel da Nóbrega – que é quem manda, realmente, no nosso movimento, desde o aparecimento, no início dos anos trinta, do médium Chico Xavier, com o “Parnaso de Além Túmulo”, “não aconselhou em hipótese nenhuma que se fizesse a evocação dos Espíritos”. (Ver “ Consolador”, questões 368 e 369). Foi, portanto, contra o pensamento do Codificador, que era plenamente favorável. Esqueceu-se Emmanuel de que certa vez declarou, abertamente ao Chico que se, por acaso, o que ele viesse a dizer um dia, entrasse em contradição com o que dissera Kardec, ficasse com o que dissera o Mestre lionês e esquecesse o que ele havia dito. Vejamos então o que foi que disse o grande Missionário de Lyon sobre a evocação dos Espíritos.

     A resposta está no “Livro dos Médiuns”, que tem por subtítulo “Guia dos médiuns e dos Evocadores”. Há nele todo um capítulo, o XXV, que vai do nº 269 ao nº 284, em que Kardec diz que “estão errados aqueles que acham que devemos nos abster de evocar tal ou tal Espírito” (n.269). E explica porque motivo considera isto errado. Em seguida, ele diz que podem ser evocados todos os Espíritos, qualquer que seja o grau de evolução em que se encontrem dentro da escala do progresso (ítem 274). Isto, porém, não quer dizer que eles tenham que vir, sempre que forem chamados ou evocados. Há situações favoráveis ou impeditivas. Mais adiante, Kardec nos mostra que linguagem devemos usar no ato da evocação dos Espíritos (ítem 280). Em seguida ele realça a utilidade das evocações particulares. (ítem 281) e nos mostra quais as questões que devemos resolver no que tange às evocações (ítem 282), deixando bem claro que “O Espírito superior vem sempre que chamado com um fim útil” (sub-ítem 8). Até o Espírito de uma pessoa viva pode ser evocado (ítem 284, sub-ítem 38).

                No  cap. XXVI, que é um complemento do anterior, e que vai do nº 286 ao 296, Allan Kardec nos mostra, claramente, quais são as perguntas que podemos fazer aos Espíritos evocados (ítem 286). E o que é interessante é que no nº 287 das “Observações Preliminares” ele volta a dizer a mesma coisa que dissera no início do capítulo anterior (cap. XXV, nº 269), ou seja: “ – Pensam algumas pessoas ser preferível que todos se abstenham de formular perguntas aos Espíritos e que convém esperar o ensino dos Espíritos sem o provocar. Em nossa opinião, isto é um erro...” Estava, portanto, Emmanuel, completamente errado agindo como agiu, ou seja, não aconselhando a prática da evocação dos Espíritos. E também estava completamente errado o médium mineiro,  o Chico, quando, ao ser entrevistado, saiu-se com esta: “- O telefone só toca de lá para cá”, ou seja, não se deve evocar os Espíritos e sim esperar que eles, espontaneamente, se apresentem para falar.

                E é esse que teimam em afirmar que foi a reencarnação de Allan Kardec!

                Alegam muitos que o Missionário lionês precisava recorrer à evocação para suas experiências e para realizar a obra da Codificação que realizou, mas que hoje tudo é bem diferente. Não há mais essa necessidade!               

Ora! temos que considerar que “O Livro dos Médiuns” foi lançado ao público em 1861, para servir de “guia dos médiuns e dos evocadores”, não somente para a geração contemporânea do Mestre, mas também e, principalmente, para as gerações futuras. Do contrário, esse tema não precisava ser incluído na segunda obra básica da Codificação Espírita. Certo?

                Principalmente agora em que, como muito bem registrou nosso confrade Carlos Antonio de Barros, há tanta “polêmica e discussões estéreis”, acho que, mais do que nunca, Allan Kardec deve ser chamado, sim, para dar sua opinião e a dos Espíritos superiores que sempre o assistiram. E temos certeza de que ele jamais se recusaria a comparecer, pois foi ele mesmo quem disse que “podem ser evocados todos os Espíritos” (L.M. cap. XXV, nº 274). Foi ele quem disse também que “o Espírito superior vem sempre que chamado por pessoas sérias e com uma finalidade útil” (L.M. XXV, nº 282, ítem 8). Ele é um Espírito superior. E o que não faltam no Brasil são pessoas sérias, que estudam e praticam seriamente a mediunidade, sempre com um objetivo útil e sagrado de se instruir e conhecer a verdade.

                Evoque-se, pois, o Espírito de Allan Kardec, para que nos diga se, em sua última reencarnação, foi um indivíduo fraco, tímido, medroso, avesso a discussões e polêmicas, um carola, devoto de Na. Sa. da Abadia, cuja imagem está a seu lado no imponente mausoléu de Uberaba/MG, e,  -  o que é pior!  -  um efeminado. Vamos ver então se ele, Kardec, confirma o que vivem dizendo dele a dra. Marlene Nobre, o Dr. Carlos Bacelli e o meritíssimo juiz, Dr. Weimar Muniz de Oliveira. Somente assim se poderá acabar, de uma vez por todas, com essas “discussões estéreis” a que se refere o jornalista Carlos Barros.