ofplogo.gif (4994 bytes)   


OS  140 ANOS  DE “A GÊNESE

 

     A Revista “REFORMADOR”, órgão de divulgação da Federação Espírita Brasileira, em sua edição de fevereiro de 2008, páginas 5 a 8, transcreve um longo artigo de autoria de Juvanir Borges de Souza, roustainguista fanático, que resolveu prestar  justa e merecida homenagem ao Codificador do Espiritismo, o Sr. Allan Kardec. Motivo? O  transcurso dos cento e quarenta anos do lançamento em Paris, no dia 6 de janeiro de 1868, de “A GÊNESE”, última obra do querido Mestre, o único e verdadeiro Missionário da Terceira Revelação.

     Para dar ênfase ao conteúdo do seu pronunciamento, ele fez questão de colocar na primeira página, a capa da obra, onde aparecem: a efígie do Codificador, o título da obra e o nome do seu autor (Allan Kardec). Na terceira página (coluna do meio), em letras grandes, fez questão de destacar o seguinte trecho: “A Revelação Espírita tem, ao mesmo tempo, caráter divino e científico”...

NOSSO COMENTÁRIO

     Lemos com muita atenção e, sobretudo, com espírito crítico, esse pronunciamento, e, para sermos franco, achamos que está muito fraco, tendo em vista o objetivo do autor que era  comemorar uma grande data, ou seja, a publicação da última obra básica da Codificação Espírita. Está muito fraco, sim, não obstante os elogios que Juvanir faz a Kardec e à “Gênese”.

     Observa-se desde logo uma flagrante contradição. Inicialmente, Juvanir diz que nessa obra há “um conjunto de importantes assuntos” e que “as matérias abordadas são de grande magnitude”. Todavia, ao justificar a “impossibilidade de se fixar em todas as matérias da obra”, ele preferiu se referir apenas a “alguns aspectos”, ou seja, aqueles que, no seu modo de ver “impressionam pela profundidade e pela coerência com que são abordados”. E assim, dirigiu sua atenção à “Introdução” e aos capítulos I, II e XVIII.

      Compreendemos, perfeitamente, o seu procedimento, já que sabemos que se trata de um roustainguista fanático, que, durante muitos anos, sempre fez parte da Diretoria da FEB: foi vice-presidente e presidente por muitos anos. Sabemos, inclusive, muito bem, que os roustainguistas nunca viram com bons olhos o aparecimento dessa última obra de Allan Kardec.

     Nesse artigo, Juvanir se refere várias vezes, e até de modo elogioso, à “Doutrina Espírita” codificada por Allan Kardec, mais conhecida como a “Terceira Revelação”. Todavia, sabemos muito bem que, para os roustainguistas, há uma outra bem superior, conhecida como a “revelação da revelação”, que eles, os roustainguistas febeanos, consideram um “curso superior de Espiritismo”, como ficou bem claro no livro “Elos Doutrinários”, de Ismael Gomes Braga, publicado pela Editora da F.E.B, e de cuja 3ª edição, revista, temos um exemplar (Ver pág. 36).

Achamos que o Sr. Juvanir, roustainguista declarado que é, ao se referir à “Doutrina dos Espíritos”, codificada por Allan Kardec, deveria ter deixado bem claro aos leitores do “Reformador” e a toda a comunidade espírita daqui e d’além mar, que, acima dela, há uma outra, bem superior, ou seja, essa tal  “Revelação da Revelação”. Teria sido honesto. 

Aproveitamos para citar aqui um fato ocorrido conosco, recentemente. Estávamos num centro espírita, conversando com um grupo de jovens, quando um deles, muito curioso, perguntou: “- Por que o senhor afirma, com tanta segurança, que Juvanir Borges de Souza é roustainguista?”, E nós lhe respondemos: (a) porque só quem é roustainguista declarado pode ser alçado aos mais altos postos da diretoria da FEB, e, como você deve saber muito bem, ele, Juvanir, foi vice-presidente na gestão de Francisco Thiesen, ao qual substituiu como presidente, a partir do seu falecimento em 1990; (b) Foi o sr. Juvanir Borges de Souza quem  presidiu a Assembléia Geral Extraordinária do CFN, realizada em 23 de março de 1991, a qual, ao reformar o Estatuto da FEB, vigente até então, manteve o parágrafo único do art. 1º (capítulo I) que diz que “além das obras básicas da Codificação de Allan Kardec, o estudo e a difusão do Espiritismo compreenderá também a obra “Os Quatro Evangelhos” ou “Revelação da Revelação” de J. B. Roustaing, por ser subsidiária e complementar da Doutrina Espírita, contrariando assim o pensamento de Allan Kardec, expresso na Revista Espírita de junho de 1866; (c)  Foi o Sr. Juvanir Borges de Souza quem, ao presidir essa Assembléia, aprovou o art. 63 do cap. XI que diz: “O Conselho Federativo Nacional da FEB fará sentir a todas as sociedades espíritas do Brasil que lhes cabe pôr em prática a exposição contida no livro “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” de Humberto de Campos (Espírito), psicografado por Francisco Cândido Xavier, publicado pela FEB em 1938, no qual se diz que J. B. Roustaing foi  “coadjutor” de Allan Kardec (pág. 176 da 11ª edição), o que constitui uma deslavada mentira; (d)  Foi Juvanir Borges de Souza, que, como Presidente da FEB, autorizou que na edição do “Reformador” de dezembro de 1990, constasse o nome de J. B. Roustaing, cuja obra “Os Quatro Evangelhos” estava relacionada entre as que poderiam ser adquiridas na Livraria da FEB, juntamente com “Elos Doutrinários” de Ismael Gomes Braga (pág. 38). E, para dar maior realce à tal “Revelação da Revelação”, na edição do mês anterior, fez questão de colocar, em tamanho médio e, todas coloridas, as quatro capas da obra de Roustaing, deixando bem claro que se tratava de um “precioso repositório de verdades reveladas; a mais completa interpretação dos Evangelhos de Jesus; a concepção milagrosa de Jesus (Maternidade de Maria); a primeira encarnação do Espírito humano numa “lesma” ou “criptógamo carnudo”; enfim, estes e outros empolgantes assuntos podem ser encontrados nesses “Quatro Evangelhos” de Jean Baptiste Roustaing”. (“Reformador”, nov. 1990, pág. 4).

Portanto, Juvanir é roustainguista, sim.