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ESPIRITISMO E  UMBANDA

 

                A Revista de História da Biblioteca Nacional, edição de junho de 2008, pág. 18, apresenta uma grande fotografia, em que nos mostra como transcorria uma sessão de Umbanda dentro de um terreiro, e, ao lado dela, está escrito o seguinte: “Ritual em um centro de umbanda, em maio de 1959. Considerada uma religião genuinamente brasileira, a umbanda surge como uma modalidade de espiritismo, congregando elementos de cultos católicos e africanos...”

                Na verdade, ao iniciar o séc. XX era esta a idéia que se tinha do Espiritismo. Era o que, durante muito tempo se considerava “baixo espiritismo”. A própria Federação Espírita (Roustainguista) Brasileira (FEB) endossava esta idéia, esta concepção, tanto assim que, em 1926, em reunião do seu Conselho Deliberativo,  foi decretado que “a Umbanda é Espiritismo, mas não é Doutrina Espírita”.

                Foi isto, justamente, o que declarou  seu Presidente, Wantuil de Freitas, em entrevista concedida em 1953 a Geraldo de Aquino, repórter da Rádio Clube do Brasil, durante o programa “Hora Espiritualista João Pinto de Souza”, após narrar, com detalhes, fenômenos que presenciou em terreiros de Umbanda: “- Assim terminou a minha experiência, ou melhor, o meu estudo do chamado Espiritismo de Umbanda”. E não somente Wantuil de Freitas, Presidente da FEB, como também quase todos os seus companheiros de diretoria estavam realmente convencidos de que havia mesmo um Espiritismo de Umbanda. Esta idéia já dominava seu cérebro e seu pensamento, desde 1945, quando, ao criar a Associação das Sociedades Coligadas à FEB, convidou para dela participarem representantes das tendas afro-católicas mais esdrúxulas com suas excêntricas batucadas.

                Essa idéia maluca só não vingou porque Antonio Pereira Guedes, polemista imbatível, através do jornal “A Vanguarda”, criticou-a veementemente e lançou um grande protesto perante a comunidade espírita nacional.

                Mas Wantuil de Freitas não se deu por vencido, e, através do Conselho Federativo Nacional da FEB, criado pelo famigerado “Pacto Áureo” de 5 de outubro de 1949, e também por ele presidido, não só eliminou, sumariamente, o valente Pereira Guedes, por ato ditatorial de 14 de janeiro de 1950 do quadro de associados da FEB,  como fez com que seus auxiliares diretos e pessoas de sua inteira confiança, espalhassem nos centros espíritas da cidade um folheto de sua responsabilidade, em que declarava, abertamente, o seguinte: “... fenômeno mediúnico, com ou sem doutrina, é Espiritismo (...) doutrinariamente falando, toda prática mediúnica é espírita, embora nem sempre kardecista (...) a Umbanda é Espiritismo, mas não é Doutrina Espírita (...) por isso mesmo todo umbandista é espírita, mas nem todo espírita é umbandista”.

             Ratificavam assim os roustainguistas da FEB a criação em 1939 da Federação Espírita de Umbanda e a realização, dois anos depois, do I Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda. 

A decisão da FEB roustainguista e do seu CFN, conivente com ela, foi, inclusive, publicada na Revista “Reformador” de maio de 1966, tendo estourado como uma verdadeira bomba no meio doutrinário. Provocou, inclusive, justa revolta dentro do Clube dos Jornalistas Espíritas, fundado e presidido pelo grande confrade José Herculano Pires, que, através da imprensa e em palestras em várias instituições espíritas, taxou essa decisão infeliz como uma nova “bula papalina”.

O clamor da parte dos verdadeiros espíritas (só kardecistas) foi tão grande e durou tanto tempo, que o Sr. Francisco Thiesen, substituto de Wantuil de Freitas na direção da chamada “Casa Mater”, em reunião geral do seu Conselho Federativo Nacional, realizada em 1986, declarou ilegal o uso da expressão “Espiritismo de Umbanda”. E, recorrendo ao Poder Judiciário, teve sua decisão  homologada pelo Tribunal de Justiça...  

                    NOSSO COMENTÁRIO

Estarão agora perguntando os prezados leitores: “ – Por que tocar, novamente,  neste assunto agora?” A resposta é muito simples.

Recentemente, o jornal “O GLOBO”, em sua edição de 4 de junho de 2008, publicou em sua pág. 15: “CENTRO ESPÍRITA ATACADO POR FANÁTICOS ENTRARÁ EM AÇÃO NA JUSTIÇA POR DANOS CAUSADOS Á SUA SEDE”.  ENTIDADE CALCULA PREJUÍSO DE Rs. 20 MIL COM DESTRUIÇÃO DE 50 IMAGENS.

Diz mais o repórter Ronaldo Braga: “Não é a primeira vez que fanáticos religiosos atacam freqüentadores do Centro Espírita ‘Cruz de Oxalá’, (grifo nosso), situado na Rua Bento Lisboa, no Catete, invadido e depredado, anteontem à noite, por quatro membros da Igreja Neopentecostal’.

Já na edição anterior, do dia 3 de junho, o repórter Natanael Damasceno, havia declarado: “O centro espírita, que professa cultos da linha branca do espiritismo, mistura conceitos  de religiões afro-brasileiras com os do kardecismo...” (grifo nosso)

Essa notícia foi veiculada também no Programa RJ – TV da Rede Globo de Televisão, levado ao ar às 19 horas do dia 12-06-2008...

Santa ignorância!... E tudo por que? Porque a FEB roustainguista e seu Conselho Deliberativo Nacional, conivente com ela, declararam, em 1926: “A Umbanda é Espiritismo, mas não é Doutrina Espírita”, como se lê na revista “Reformador” de julho de 1953, pág. 148. E isto vem sendo repetido ao longo do tempo.

E os que se dizem verdadeiros e leais adeptos de Allan Kardec, o que fazem? Colocando-se, firmemente, em defesa do “mito” da unificação, fogem da discussão, da polêmica, do debate, porque não querem confronto com os dirigentes máximos do movimento espírita brasileiro, e,  batendo no peito, como modernos fariseus, postando-se diante da imagem do Papa Nestório I e do “santo do Espiritismo”, como foi classificado o Chico pelo confrade Ranieri, dizem, reverentemente: amém!... E de Brasília, sede do Vaticano Espírita, não querendo confronto com os dirigentes máximos do nosso movimento, ao som da Ave Maria, que se costuma ouvir, atualmente, nos centros espíritas, dizem, prosternados e reverentes: “Amém!”. Seja feita a vontade de Nosso Senhor Jesus Cristo!”. Sim, porque, para os roustainguistas, Jesus representa a   Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, por ter sido concebido, milagrosamente, no seio de Maria, a Mãe Santíssima, por obra do Espírito Santo, conforme está escrito em  “Os Quatro Evangelhos” de J. B. Roustaing. (Confiram, por favor).