ofplogo.gif (4994 bytes)   


“AH! SE KARDEC VOLTASSE”

 

            Este é o título de um excelente artigo de autoria do confrade Octávio Caúmo Serrano, que a Gazeta “PENSADOR”, de João Pessoa (PB), excelente órgão de divulgação do verdadeiro Espiritismo, publicou em seu número 38, Ano 4 de agosto de 2008, página 5.

            Gostamos tanto que não podemos deixar de reproduzir alguns textos.

            Logo no início, o ilustre confrade declara uma grande verdade: “Decorridos mais de 150 anos do lançamento de“O LIVRO DOS ESPÍRITOS” de Allan Kardec, e ele é ainda uma obra desconhecida. E, o que é mais grave, desconhecida pelos próprios espíritas...”.

            Mais adiante, declara o Sr. Octávio Serrano: “... O Espiritismo virou a religião da sopa, do enxoval, da cura mediúnica, da cirurgia espiritual e dos shows. Passou a se dedicar ao cuidado dos corpos, esquecendo-se de dar importância maior às almas.

            “Com essa diretriz, os Centros Espíritas cresceram e passaram a receber mais público. Não de pessoas interessadas em melhorar, mas daquelas que querem tirar algum proveito, recebendo da instituição os recursos para organizar a sua vida material...”

            Transcrevemos a seguir este tópico muito significativo: “Os Centros Espíritas se comprometeram com despesas. Mas poucos são os que desejam associar-se para colaborar nos gastos da instituição, porque foram lá para receber, não para dar. Logo o Centro Espírita que trate de buscar soluções para pagar as despesas oriundas da expansão da casa. E os dirigentes, como velhos sacerdotes sem batina, cuidam de suas paróquias com todo o zelo. Não admitem que um freqüentador possa desertar. Tudo toleram , porque o importante é a casa cheia ...

“... Um dos canais eficientes de faturamento é a música (...) Por que o Espiritismo vai desperdiçar este importante atrativo, se já é rotina, nos outros segmentos religiosos? (...) Os Centros Espíritas estão cantando demais e estudando de manos. Estão vendendo mais CDs do que livros...”

E o ilustre confrade, demonstrando desgosto e muita tristeza, exclama: “Ah! Se kardec voltasse?!...” E ele próprio responde: “Iria nos perguntar o que fizemos da Doutrina que ele nos legou à custa de renúncia de seus próprios ideais...”

E, para justificar essa exclamação, o próprio Sr. Octávio Caúmo lembra: “Kardec preparou-se tanto na Suíça para ser um professor emérito; criou um Colégio, para, no final, renunciar a todas as suas conquistas e dedicar-se à organização do Espiritismo. Esse mesmo Espiritismo, que os homens tentam invalidar...” Sim, porque, “Há quem deseje mudar O LIVRO DOS ESPÍRITOS,     como há também quem  despreze O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”, por ser obra superada...”

 

NOSSO COMENTÁRIO

 

                Muito bem, caro confrade Octávio Caúmo Serrano. Seu artigo está realmente muito bom.  Meus sinceros parabéns!

                Se me permite, porém, faço duas restrições. A primeira é que, pelo título que o Sr. escolheu, dá a entender claramente que não aceita a hipótese de que Allan Kardec, o único e verdadeiro Missionário da Terceira Revelação reencarnou, como havia previsto o Espírito de Verdade, em junho de 1860. Pois eu afirmo com toda a convicção: - Reencarnou, sim. Mas não foi nenhum sujeito magro, feio, efeminado, de voz mansa, tímido, covarde, vaidoso, que vivia de braços dados com os dirigentes roustainguistas, graças aos quais se projetou no meio espírita, e esteve sempre a serviço dos jesuítas do espaço... Não, Allan Kardec reencarnado não foi isso, de jeito nenhum. Nem precisou lançar ao público centenas de obras psicografadas para serem expostas à venda nas livrarias das instituições espíritas e nos estandes dos Congressos e Feiras de livros. Não, Allan Kardec reencarnado não foi nada disso. Foi, sim, o oposto. E, em meus boletins, eu tenho dado inúmeras provas do que vivo afirmando.

                A segunda restrição que faço ao seu brilhante artigo está no trecho em que o Sr. diz: “Até os Espíritos luminares como Emmanuel e André Luiz, que complementaram a Codificação...” Faço restrição, sim, porque só o fato de Emmanuel  ter desaconselhado a prática da evocação dos Espíritos, como se lê em “O Consolador” (Questão 369),  colocando-se assim  contra o pensamento de Allan Kardec expresso no “LIVRO DOS MÉDIUNS” (cap.  XXV,  nº 269) mostra que ele não era assim tão kardecista como desejou parecer ao Chico, quando,  certa vez, lhe disse: “ – Chico, se algum dia, eu disser alguma coisa que não esteja de acordo com o pensamento de Allan Kardec, fique com  ele, Kardec, e esqueça o que eu falei...”

                Acho, pois, que Emmanuel entrou em contradição, e, se ele fosse realmente um Espírito luminar, como o Sr. afirmou, isto jamais teria acontecido.