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CHICO XAVIER, UM MITO NACIONAL (II)

 

                Feliz da vida por ter sido abençoado pelo padre Scarzello, na hora da despedida, Chico deixou a Igreja, e se entregou de corpo e alma à prática da mediunidade ostensiva: via Espíritos, ouvia o que eles diziam e psicografava as mensagens, em prosa e verso, ditadas por eles.

            A primeira mensagem que  psicografou em 8 de julho de 1927, numa sessão pública do Centro Espírita “Luiz Gonzaga” foi ditada por uma entidade que se identificou como “um Amigo Espiritual”. Dias depois, numa reunião íntima, realizada em 21 de julho, na residência de dona Josefa Barbosa Chaves, apareceu um “quadro fluídico”, e, dona Carmen Perácio, que era vidente, observou que do teto estava “chovendo livros” sobre a cabeça do Chico e sobre todo o grupo ali reunido. Mais tarde, em janeiro de 1929, esse “quadro fluídico” apareceu novamente e dona Carmen afirmou que vira muitos livros em torno do Chico, trazidos por amigos desencarnados. Dezenas, centenas de livros!

Com as inúmeras mensagens recebidas, Chico pôde reunir em forma de livro inúmeros poemas de poetas nacionais e estrangeiros. Com o auxílio da Federação Espirita Brasileira, conseguiu lançar, em dezembro de 1931 sua primeira obra psicografada que recebeu o título de “PARNASO DE ALÉM TÚMULO”, que teve ótima aceitação da parte do público espírita e da crítica profana.

Foi após o lançamento desse primeiro livro psicografado que Chico  veio a saber que foi Emmanuel, seu Espírito protetor,  quem, simbolicamente, tinha feito cair uma chuva torrencial de livros sobre sua cabeça de médium, deixando assim bem claro que era essa a sua missão: produzir livros, livros, muitos livros.

Sim, essa era sua missão mediúnica. O que importava era a quantidade não a qualidade. Só assim poderia se impor perante as massas. Aliás, sempre foi essa a tática dos jesuítas. 

Emmanuel vinha acompanhando o Chico desde quando ele era pequeno. Mas foi somente na reunião de 8 de julho de 1927 que, pela mediunidade de dona Carmen Perácio, se apresentou, declarando sua verdadeira identidade. Entretanto, foi somente em 1931 que se deu o primeiro encontro do Chico com Emmanuel, através da vidência: “Primeiramente apareceu uma cruz muito bela, iluminada, por entre as árvores na paisagem bucólica que envolve o açude, onde ele costuma ir para orar e meditar. Em seguida, surgindo em meio aos raios de luz, apareceu seu mentor que se apresentou envergando uma túnica semelhante à dos sacerdotes. Em seu semblante percebiam-se as feições de um ancião venerável.

Iniciando um diálogo, Emmanuel perguntou: “– Está você realmente disposto a trabalhar na mediunidade com Jesus?”, ao que o Chico respondeu: “– Sim, se os bons Espíritos não me abandonarem”.

“– Você não será abandonado”, retrucou Emmanuel, - mas, para isso é preciso que trabalhe, estude e se esforce no bem”.

“- E o senhor acha que estou em condições?”, perguntou o Chico, ao que Emmanuel respondeu: “ – Perfeitamente, desde que procure respeitar os três pontos básicos para o Serviço”.

Tomado de grande curiosidade, Chico perguntou: “– Quais são?!”, obtendo como resposta: “ – Disciplina, disciplina, disciplina”.

Na verdade é isto, justamente, que os sacerdotes católicos sempre exigiram de seus discípulos: DISCIPLINA, vale dizer: respeito e obediência ao Papa; aceitação de tudo que for decidido nos Concílios; cega obediência aos dogmas da Igreja bem como a tudo que for decidido pelos padres no confessionário e nos atos religiosos.

Emmanuel disse ao Chico que, acima de tudo, ele deveria procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec e o aconselhou a estudar o Novo Testamento e as obras da Codificação...

Foi somente mais tarde que se veio a saber que Emmanuel fôra o Cônsul romano Públio Lêntulus, na época de Jesus e o padre Manoel da Nóbrega, Provincial dos Jesuítas no Brasil do século XVI, início da colonização.

Foi imensa a produção mediúnica do médium de Pedro Leopoldo, que doou os direitos autorais à FEB e à Comunhão Espírita Cristã de Uberaba/MG.