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MISSÃO DOS ESPÍRITAS

 

            Transcrevemos abaixo alguns tópicos da mensagem ditada pelo Espírito de Erasto, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em 1863, que aparece no “Evangelho segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, cap. XX, nº 4

 “Ó, verdadeiros adeptos do Espiritismo. Ide e pregai a palavra divina. É chegada a hora em que deveis sacrificar à sua propagação os vossos hábitos, os vossos trabalhos, as vossas ocupações fúteis. Ide e pregai. Convosco estão os Espíritos elevados. Pregareis o desinteresse aos avaros, a abstinência aos dissolutos, a mansidão aos tiranos domésticos e aos déspotas. Palavras perdidas, eu sei. Mas não importa. Faz-se mister regueis com os vossos suores o terreno onde tendes de semear, porquanto ele não frutificará senão sob os reiterados golpes da enxada e da charrua evangélicas. Ide e pregai!

            Lançai-vos em cruzada contra a injustiça e a iniqüidade. Ide e proscrevei esse culto do bezerro de ouro, que cada dia mais se alastra. Ide que Deus vos guia! Ide e pregai, que as populações atentas recolherão, ditosas, as vossas palavras de consolação, de fraternidade, de esperança e de paz.

            Que importam as emboscadas que vos armem pelo caminho! O pastor saberá defender suas ovelhas das fogueiras imoladoras.

            Ide, homens que, grandes diante de Deus, mais ditosos do que Tomé, credes sem fazerdes questão de ver e aceitai os fatos da mediunidade, mesmo quando não tenhais conseguido obtê-los por vós mesmos. Ide, o Espírito de Deus vos conduz.

            Marcha, pois, falange imponente pela tua fé! Diante de ti os grandes batalhões dos incrédulos se dissiparão, como a bruma da manhã aos primeiros raios do Sol nascente.

            A fé é a virtude que desloca montanhas, disse Jesus!

              Parti então cheios de coragem para removerdes essa montanha de iniqüidades que as futuras gerações só deverão conhecer como lendas.

            Ide, pois, e levai a palavra divina.

            Arme-se a vossa falange de decisão e coragem!

            Ide, e agradecei a Deus a gloriosa tarefa que ele vos confiou; mas, atenção! Entre os chamados para o Espiritismo muitos se transviaram. Reparai, pois, o vosso caminho e segui a verdade...”

 

NOSSO COMENTÁRIO

Que bela comunicação!

            E o interessante a observar é que, em 1863, quando ela foi ditada em Paris, em Bordéus João Batista Roustaing estava inteiramente entregue aos Espíritos mistificadores que se fizeram passar pelos Evangelistas e completamente engolfado no seu trabalho de preparar a publicação e divulgação da obra “Os Quatro Evangelhos” ou “Revelação da Revelação.

            O Espírito de Erasto que, já em 1861, em sua Epistola aos espíritas de Bordéus, havia alertado a comunidade espírita para o “perigo” que era a aproximação dos “falsos profetas da erraticidade”, dois anos depois manifestava-se novamente em Paris, para fazer a mesma advertência e dar o mesmo brado de alerta: “atenção! Entre os chamados para o Espiritismo muitos se transviaram...”

            De fato, um deles foi Roustaing, que, em janeiro de 1861, se declarava completamente restabelecido de uma enfermidade tão prolongada quão dolorosa, passou a ler e estudar “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, em cujas páginas “encontrou uma Doutrina racional”. Leu, em seguida,“O Livros dos Médiuns” no qual se deparou com uma “explicação racional da possibilidade das comunicações com o mundo espiritual. Então, em carta dirigida a Allan Kardec não só declarou reconhecer nele o seu “honrado chefe Espírita”, como terminou, dizendo: “Eu me honro de ser altamente e publicamente Espírita”. (Fonte: Prefácio de “Os Quatro Evangelhos” e Revista Espírita de junho de 1861)

    

            A conclusão que se tira é esta: Roustaing foi, na verdade, um desses espíritas que se transviaram, como disse muito bem o Espírito de Erasto.