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FALTA DE COERÊNCIA

Um confrade, que se declarou assíduo leitor do nosso boletim informativo, escreveu-nos uma carta, em que diz ter ficado muito decepcionado, ao ler, logo no início do nosso novo livro, “Severino de Freitas Prestes Filho, meu pai, meu mestre”, a “grande homenagem” que prestamos ao Espírito de Ismael.

Realmente, isto de fato aconteceu e aparece na mesma página em que nos referimos também  aos Espíritos de Erasto e do Mestre Allan Kardec. Mas fizemos questão de deixar bem claro o motivo porque havíamos tomado esta iniciativa. É que papai, desde que se converteu ao Espiritismo na década de vinte, sempre demonstrou admiração e respeito a esse Espírito, que, em nossas reuniões de estudo do Evangelho no lar, invocava sempre como um Espírito e não como “Anjo”.

No apêndice VII, que aparece na pág. 284,   transcrevemos uma anotação feita do próprio punho de nosso pai, em que ele demonstrava seu regozijo pelo nascimento de um de seus filhos, que foi registrado com o nome de Ismael.

Em nota de rodapé, transcrevemos o seguinte: “Devido à sua formação militar e aos princípios positivistas, que adquirira, quando moço, papai, como Oficial, sempre esteve enquadrado dentro das normas do Regulamento Disciplinar do Exército, que estabelecia como princípio básico a hierarquia e o respeito aos Superiores. Ao converter-se ao Espiritismo, na década de vinte, tomou conhecimento de que havia, no Brasil, uma instituição à qual cabia coordenar e orientar o Movimento Espírita Brasileiro: a FEB. Veio a saber também que o Espírito Ismael era o Guia e Mentor do Espiritismo no Brasil, e se convenceu disso. Daí o respeito e admiração que sempre demonstrou para com ele”.

No apêndice V (págs. 272 e 276), vê-se, claramente, que, nas preces que fazia em casa, em reuniões de família, papai sempre se referia ao Espírito Ismael (não Anjo), como o “único Guia e Mentor do Espiritismo no Brasil”. Isto porque, como nos esclareceu muitas vezes, nunca aceitou que o Espírito Emmanuel, ex-padre jesuíta Manoel da Nóbrega, passasse a ter a prerrogativa e qualificação de “Guia e Mentor do Espiritismo no Brasil”, como aconteceu.

Agora, temos que reconhecer esta verdade: queiramos ou não, a Federação Espírita Brasileira (FEB), fundada em janeiro de 1884, é, de fato e de direito, a entidade jurídica máxima do Movimento Espírita Brasileiro, com enorme força e poder sobre os centros, grupos e  Federações Espíritas Estaduais, que constituem, sob sua direção, o Conselho Federativo Nacional.

Queiramos ou não, é a FEB que representa o Movimento Espírita Brasileiro no exterior, fazendo parte, inclusive, do CEI-Conselho Espírita Internacional, onde mantém um representante devidamente autorizado. E foi esse Conselho Internacional que promoveu em Paris, em princípios de outubro de 2004, com a presença do Presidente da FEB, o IVº Congresso Espirita Internacional, em que foram prestadas justas e merecidas homenagens ao Codificador do Espiritismo, Sr. Allan Kardec, pelo transcurso do bicentenário do seu nascimento.

Portanto, a hegemonia da FEB  é um fato incontestável, que temos que aceitar. E ela continua forte e poderosa à frente do Movimento Espirita Brasileiro. Os próprios confrades, que se gabam de ser somente kardecistas, por mais que o façam, não conseguem mudar este estado de coisas.

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